
CURSO DE BÍBLIA PARA INICIANTES
AULA 20-D - ATOS DOS APÓSTOLOS.
O Concílio de Jerusalém.
COMO FOI DIVIDIDO?
III – Paulo e Barnabé. O Concílio de Jerusalém. (At 13,1-15,35)
Lucas nos conta que a Igreja de Antioquia era governada por cinco doutores ou
profetas: Barnabé, Simeão ou
Níger, Lúcio de Cirene, Manaém e Saulo.
Durante a celebração do culto o Espírito Santo se manifestou e disse que eles deviam separar Barnabé e Saulo
para uma obra à qual
estavam destinados a executar. Todos oraram, impuseram as mãos sobre os dois
e os despediram.
Viagens de Paulo, segundo o livros dos Atos dos Apóstolos
Os judeus e os orientais em geral usavam um segundo nome ou
codinome greco-romano, por exemplo:
João, chamado Marcos; Simeão, chamado Níger; Tabita ou Dorcas; Saulo ou Paulo.
De agora
em diante, Lucas só dará a Saulo o seu codinome romano, Paulo. Além disso, a narrativa, daqui
em diante, deixará claro que
Paulo é quem comanda a missão, passando Barnabé para a condição de
coadjuvante.
Paulo e Barnabé em Chipre. (At 13,4-12)
Lucas narra que os dois, juntamente com Marcos chegaram até a ilha
de Chipre, terra de Barnabé.
Ali havia um mago, chamado Elimas ou Bar-Jesus o qual estava com o procônsul Sérgio Paulo,
homem prudente,
o qual mandará chamar a Saulo e Barnabé para ouvir a palavra de Deus.
O mago procurava se opor a
Barnabé e Paulo, procurando afastar o procônsul da fé.
Paulo, repleto do Espírito Santo, fixou nele os olhos e disse:
“Homem cheio de toda falsidade e de toda malícia, filho do diabo, e inimigo de toda justiça, não cessarás
de perverter
os caminhos do Senhor, que são retos? Pois agora, a mão do Senhor está sobre ti:
ficarás cego, e por um tempo não
verás mais o sol! ”
(At 13,10-11).
Lucas nos conta que imediatamente Elimas ficou cego e tateando,
procurava quem o pudesse conduzir pelas
mãos. O procônsul admirado abraçou a fé e maravilhava-se com a doutrina do Senhor.
Resumo: Os cinco de Antioquia. Paulo e Barnabé em Antioquia. O mago Elimas e o procônsul Sérgio Paulo.
Paulo e Barnabé em Antioquia da Pisídia. (At 13,13-52)
Os Atos nos contam que Barnabé e Paulo seguiram para Perge, na Panfília, porém
Marcos se separou deles
e voltou para Jerusalém.
Em Antioquia da Pisídia entraram na sinagoga no dia de sábado e foram convidados a
falar.
Paulo, então, se levantou e começou falando sobre a história do povo de Israel desde o
exílio no Egito, passando
pela conquista da terra de Canaã, o rei Saul, chegando
finalmente até o rei Davi. Paulo lembra que os profetas
previam que da descendência de
Davi viria o Salvador. E este salvador era Jesus. Lembra ainda que João Batista,
que
pregava um batismo de arrependimento, estando para terminar sua carreira, disse que não
era o salvador
esperado. E disse ainda que ele viria em breve e ele, João, não era digno de
desatar a sua sandália.
Paulo segue dizendo o que acontecera na Judéia. De como os habitantes de Jerusalém e
seus chefes cumpriram
as palavras dos profetas que previam que o messias haveria de
sofrer e ser condenado mesmo sendo inocente.
Que depois de crucificado e morto foi
sepultado e que Deus o ressuscitou e por muitos dias apareceu aos apóstolos
e aos
discípulos que o acompanharam desde a Galiléia.
Paulo lembra que o que estava escrito no Salmo 2 não se
referia a Davi , mas sim a Jesus.
“Tu és meu filho, eu hoje te gerei.” (Sl 2,7).
O que faltava à Lei de Moisés em Jesus se encontra completamente:
“Quanto a nós, anunciamo-vos a Boa Nova: a promessa, feita a nossos pais, Deus a realizou plenamente para
nós, seus filhos, ressuscitando Jesus, como também está escrito nos Salmos:
'Tu és o meu filho, hoje te gerei!'
...... Por isso diz, noutra passagem: Não deixarás o teu Santo experimentar a corrupção. Ora, tendo a seu tempo
servido aos desígnios de Deus Davi morreu...e experimentou a corrupção. Aquele, porém, a quem Deus
ressuscitou,
não experimentou a corrupção.... é por ele que vos é anunciada a remissão dos pecados.
Com efeito, de todas as coisas
das quais não pudestes obter a justificação pela lei de Moisés, por ele é
justificado todo aquele que crê.”
(At 13,32-39).
Tema caro à teologia paulina, a justificação pela fé e sua superioridade à Lei de Moisés é tema sensível aos judeus.
Lucas nos diz que à saída, foram convidados para falar novamente no
sábado seguinte.
Acrescenta que muitos acompanharam Paulo e Barnabé e que a palavra de Deus se difundia.
No sábado seguinte, Lucas nos diz que quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra.
Ao verem as multidões os judeus,
por inveja, e com blasfêmias discutiam com Paulo.
Paulo se dirige a eles e diz:
“Era preciso que a vós primeiro fosse dirigida a palavra de Deus. Uma vez, porém, que a rejeitais e julgais
a vós
mesmos indignos da vida eterna, nós nos voltamos para os gentios.”
(At 13,46).
Lucas nos conta que os gentios, ouvindo isto, se alegravam e
glorificavam a palavra do Senhor por se saberem
também destinados à vida eterna. A palavra se difundia, porém,
os judeus instigaram os principais da cidade
contra Paulo e Barnabé, que passaram a ser perseguidos. Paulo e Barnabé,
sacudindo a poeira dos pés
contra os judeus, prosseguiram para Icônio. Quanto aos discípulos da cidade permaneciam
alegres e repletos
do Espírito Santo.
Sacudir a poeira das sandálias era um gesto feito pelos judeus,
quando regressavam de um território pagão.
Com tal atitude indicavam que não queriam nenhuma relação com aqueles que não adoravam
o verdadeiro Deus.
Para os discípulos de Jesus significava que deviam sacudir e jogar fora o que de ruim receberam e seguir em
frente
não levando mágoas ou qualquer rancor.
Resumo: Paulo e Barnabé seguem para Antioquia da Pisídia mas Marcos volta para
Jerusalém.
Paulo prega na sinagoga e toca em temas sensíveis aos judeus. Muitos aceitam a palavra.
No sábado seguinte a
discussão se acentua e Paulo abandona a sinagoga para pregar aos gentios.
Os chefes dos judeus convencem as pessoas mais
importantes da cidade e a perseguição contra Paulo
e Barnabé começa. Os apóstolos seguem para Icônio.
Paulo e Barnabé em Icônio, Listra e Derbe. (At 14, 1-28)
Ao chegarem a Icônio, como sempre faziam, Barnabé e Paulo foram pregar
primeiro na sinagoga dos judeus.
Ali, conseguiram que uma multidão de judeus e gregos abraçassem a fé, porém, os judeus
descrentes indispuseram
os gentios contra os apóstolos.
A cidade estava dividida, uns contra e outros a favor dos apóstolos.
Os que não acreditavam resolveram apedrejar
Barnabé e Paulo que fugiram para Listra na região da Licaônia, onde a mão do Senhor
permanecia com eles,
enquanto pregavam aos gentios. Em Listra, aconteceu que, falando à multidão, Paulo percebeu um aleijado,
coxo
desde o nascimento. Paulo viu que ele tinha fé para ser curado.
A fé é pré condição para o milagre e a cura.
Paulo se dirigiu a ele com as seguintes palavras:
“Levanta-te direito sobre teus pés.” (At 14,10).
O homem deu um salto e começou a andar. A multidão começou a gritar:
“Deuses em forma humana desceram até nós!” (At 14,11).
Chamavam a Barnabé de Zeus e a Paulo de Hermes porque era Paulo o que falava.
Zeus (para os gregos) ou Júpiter (para os romanos) era o deus dos
deuses gregos e, segundo o texto ocidental
dos Atos , era patrono da cidade de Listra.
Hermes (para os gregos) ou Mercúrio
(para os romanos) era considerado o patrono dos oradores.
Mercúrio é sempre representado com asas nos pés, porque era ele
o encarregado dos deuses para levar as notícias
por toda a terra.
Os sacerdotes da cidade trouxeram touros adornados para oferecer um sacrifício
aos apóstolos.
Paulo lhes explicou:
“Amigos, que estais fazendo? Nós também somos seres humanos, sujeitos aos mesmos sofrimentos que vós,
mas vos anunciamos a Boa
Nova da conversão para o Deus vivo, deixando todos esses ídolos vãos.”
(At 14,15).
Com dificuldade conseguiram impedir que a multidão lhes oferecesse
um sacrifício. No entanto, judeus vindos de
Icônio e Antioquia da Pisídia, instigaram as multidões de tal forma que
apedrejaram a Paulo e o arrastaram para
fora da cidade dando-o como morto. Mas Paulo, cercado e protegido pelos
discípulos entrou novamente na
cidade e juntamente com Barnabé partiu para Derbe.
Ali pregaram a palavra e
conseguiram um bom número de discípulos. Depois, regressaram a Listra, Icônio e
Antioquia, confirmando os discípulos,
exortando-os a permaneceram na fé e lembrando-os de que era preciso
passar por muitas tribulações para
entrar no Reino de Deus. Além disso, em cada comunidade, depois de
orações e jejum, designaram anciãos os quais
chefiariam as comunidades.
Dali, atravessando a Pisídia, chegaram à Panfília, pregaram em Perge, desceram à Atália de onde navegaram
de volta
para Antioquia da Síria, onde tinham iniciado sua missão.
Ao chegarem, reuniram a Igreja para lhes contar tudo que
Deus fizera por eles e de como a fé crescia entre
os gentios. Segundo os Atos, permaneceram ai por um bom tempo.
Resumo: Pregação em Icônio. Cura de um aleijado em Listra.
Paulo apedrejado em Listra. A palavra é anunciada
em Derbe. Os apóstolos, passando por onde fundaram comunidades,
designando chefes, voltaram para Antioquia
da Síria, onde tinham começado sua missão.
A controvérsia sobre a Circuncisão. O Concílio de Jerusalém. (At 15,1-35)
Alguns judeus-cristãos de Jerusalém foram até Antioquia e começaram a
ensinar aos convertidos do paganismo
que eles tinham de se circuncidar para serem salvos, causando preocupação a todos.
Paulo e Barnabé travaram uma grande discussão com eles e resolveram ir a Jerusalém para se encontrar
com os apóstolos e
anciãos para resolver a questão.
Isto demonstra que a Igreja de Jerusalém tinha papel de liderança sobre as outras Igrejas.
Chegando a Jerusalém, Paulo e Barnabé expuseram a todos tudo que
Deus fizera por intermédio deles entre os
gentios.
Entre os irmãos, haviam aqueles que tinham sido da seita dos fariseus
e se converteram à fé em Jesus.
Eles queriam que os gentios cristãos fossem circuncidados e seguissem a Lei de Moisés.
Pedro pedindo a palavra, disse:
“Irmãos, vós sabeis que, desde os primeiros dias, aprouve a Deus, entre vós, que por minha boca ouvissem
os gentios a
palavra da Boa Nova e abraçassem a fé.
Ora, o conhecedor dos corações, que é Deus, deu testemunho em favor deles,
concedendo-lhes o Espírito
Santo assim como a nós. Não fez distinção alguma entre nós e eles, purificando seus corações
pela fé.
Agora, pois, porque tentais a Deus, impondo ao pescoço dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem
mesmo
nós pudemos suportar?
Ao contrário, é pela graça do Senhor Jesus que nós cremos ser salvos, da mesma forma que eles .”
(At 15,7-11).
Tiago, que era o chefe da comunidade de Jerusalém, disse:
“Irmãos, escutai-me. Pedro acaba de expor-nos como Deus se dignou, desde o início, escolher dentre os gentios
um
dedicado ao seu Nome.....Eis, porque pessoalmente, julgo que não se devam molestar aqueles que, dentre
os gentios,
se convertem a Deus.
Mas se lhes escreva que se abstenham do que está contaminado pelos ídolos,
das uniões ilegítimas, das carnes sufocadas e do sangue.”
(At 15,13-20).
Tiago mostra preocupação com a questão da pureza ritual
e encontra uma fórmula para que os judeus cristãos
pudessem se relacionar com os pagãos convertidos sem se considerarem
"impuros" segundo a Lei de Moisés.
A assembleia decidiu, juntamente com os apóstolos e anciãos,
escrever à comunidade de Antioquia definindo a
questão de uma vez por todas:
“Os apóstolos e os anciãos, vossos irmãos, aos irmãos dentre os gentios que moram em Antioquia, na Síria
e na Cilicia,
saudações!
Tendo sabido que alguns dos nossos, sem mandato de nossa parte, saindo até vós, perturbaram-vos,
transtornando
vossas almas com suas palavras, pareceu-nos bem, chegados a pleno acordo, escolher
alguns representantes e enviá-los
a vós junto com nossos diletos Barnabé e Paulo, homens que expuseram
suas vidas pelo nome de nosso Senhor, Jesus Cristo
Nós vos enviamos, pois, Judas e Silas, eles também transmitindo de viva voz, esta mesma mensagem.
De fato, pareceu bem
ao Espírito Santo e a nós não vos impor nenhum outro peso além destas coisas
necessárias: que vos abstenhais das carnes
imoladas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas, e das
uniões ilegítimas. Fareis bem preservando-vos destas coisas.
Passai bem.”
(At 15,23-29).
Este é considerado o primeiro concílio, o Concílio de
Jerusalém.
A questão central era como os judeus cristãos poderiam manter a pureza ritual entrando nas casas dos gentios
convertidos. É natural que a questão nascesse a partir dos cristãos advindos da seita dos fariseus, uma vez que
eles
é que mantinham o maior número de regras rituais consideradas necessárias para o relacionamento correto
com Deus.
Podemos ver, por este fato, que na comunidade de Jerusalém existiam discípulos que pensavam
o cristianismo como
apenas mais uma seita ou partido dentro do judaísmo.
Os Atos nos contam que a carta foi levada para Antioquia e a
sua leitura na assembléia trouxe consolo e alegria
para todos. Paulo e Barnabé continuariam em Antioquia por muito
tempo, juntamente com Silas que resolveu não
voltar para Jerusalém.
Resumo: Judeus cristãos de Jerusalém vão a Antioquia
e ensinam que é necessário a circuncisão e obediência
à Lei mosaica para a salvação. Paulo e Barnabé discutem com eles
e levam o caso para Jerusalém.
Em Jerusalém acontece o primeiro concílio onde a decisão é favorável a Paulo e Barnabé.
Tiago, chefe da Igreja em Jerusalém, cria uma fórmula capaz de resolver o problema da pureza ritual.
O resultado do
concílio leva consolo e alegria aos gentios convertidos.
Bibliografia:
- Biblia de Jerusalém – NT – Edições Paulinas - 2014
- Biblia do Peregrino – NT – Editora Paulus - 2005
- Alfred Lappe – As Origens da Bíblia – Vozes 1973
- Alfred Lappe – Interpretação Atualizada e Catequese V.04 – N.T. – Paulinas -1980
- J.Auneau – F.Bovon – M.Gougues E.Charpentier-J.Radermakers –Evangelhos Sinóticos e Atos dos Apóstolos- Ed. Paulinas – 1985
- Die Apostelgeschichte (Os Atos dos Apóstolos), Gottingen, 1959
- Antiguidades Judaicas – Flávio Josefo
- Uma Leitura dos Atos dos Apóstolos - Cadernos Bíblicos 19 - Paulus e Academia Cristã – 2014
- A Bíblia e nós – Andrew M.Greeley e Jacob Neusner- Siciliano - 1993