
CURSO DE BÍBLIA PARA INICIANTES
AULA 00 - A CREDIBILIDADE DO NOVO TESTAMENTO.
Quando lemos ou ouvimos falar de Platão, Homero, Aristóteles, e outros escritores da antiguidade,
que escreveram
obras primas, tais como: A REPÚBLICA, A ODISSÉIA, A POLÍTICA, etc., nem passa pela nossa cabeça duvidar que as
edições modernas destas
obras não sejam uma cópia fiel e autêntica do original escrito pelos autores há séculos atrás.
Damos credibilidade a estas obras sem qualquer sombra
de dúvida.
Será que o Novo Testamento goza da mesma credibilidade destas obras consagradas da literatura universal?
AS GUERRAS GÁLICAS de Júlio César;
A REPÚBLICA de Platão;
A ILÍADA de Homero;
HISTÓRIA de Plínio, o jovem;
HISTÓRIA de Heródoto;
Todas a obras de Aristóteles, Tucídides, Tácito, Flávio Josefo, etc.
Se perguntarmos a um aluno de curso médio ou superior, que tenha lido ou ouvido falar de algumas destas obras:
Se ele dúvida da origem destas obras;
Se ele dúvida que tenham sido escritas pelos respectivos autores;
Se ele dúvida que a cópia que ele tem em mãos seja igual ao original escrito há séculos;
Se ele, enfim, tem alguma dúvida sobre a credibilidade destas obras, certamente ele diria que NÃO.
No entanto, se perguntarmos para este mesmo aluno se ele dá ao Novo Testamento,
como o conhecemos hoje,
a mesma credibilidade destas obras consagradas, ele certamente pensará duas vezes antes de responder.
Se responder.
Afinal, estas obras e outras, fazem parte de seu universo de estudos desde muito tempo
e ele nunca pensou em
duvidar do professor que lhe ensinou sobre elas.
E fez bem em não duvidar.
Afinal, cabe aos profissionais estudiosos desta matéria afirmar se uma obra é merecedora desta credibilidade.
E estes profissionais são arqueólogos e historiadores.
Especialistas em manuscritos, ou seja, textos escritos à mão,
em épocas remotas,
quando ainda não existia a imprensa.
As pessoas do nosso tempo não estão acostumadas a falar em cópias de manuscritos.
Muitos nem sabem o que é um manuscrito, ainda que possam ter criado algum ao copiar uma receita de bolo.
A maioria está tão acostumada a ler livros editados com altíssima qualidade, com papel
especial, com capa dura,
ou estão tão acostumados com e-books , que podem ser lidos
no computador, no tablet ou no celular, que
nunca pensaram em que houve uma época
na qual NÃO EXISTIA A IMPRENSA.
A imprensa só foi criada em 1440, por Johannes Guttemberg .
O nome imprensa veio da máquina de PRENSA móvel, meio aperfeiçoado por
Guttemberg para imprimir cópias
de texto.
Somente no início do século XVIII começou a ser usada para produção de jornais.
Uma curiosidade:
Na cidade de Veneza, um exemplar de jornal era vendido por uma GAZETA, que
era uma moeda local.
Este nome da moeda acabou sendo utilizado até os dias de
hoje para designar o que ela podia comprar, ou seja,
uma cópia de jornal.
Fonte: (https://pt.wikipedia.org/wiki/Imprensa)
Quantos jornais você conhece que tem no nome o termo "GAZETA"?
Voltando ao nosso assunto principal:
Todas estas obras consagradas, citadas acima, foram escritas manualmente por
seus autores.
Não foram digitadas em máquinas de escrever, nem em
computadores. Isto não existia!
Em que tipo de material eram escritos? Em folhas de papiro prensadas ou em
pergaminhos (peles de animais).
As ferramentas de escrever eram canetas de bambu ou feitas de penas ou com pontas de
metal e as tintas eram
tiradas de vegetais e minerais com alto custo de produção.
Portanto, escrever era uma atividade difícil e cara. Para produzir várias cópias de um
mesmo livro era necessário
uma equipe de copistas, cada um copiando o livro original e
gerando A SUA CÓPIA.
Como o material onde tudo era escrito se deteriorava facilmente, era preciso fazer mais
e mais cópias, ou o
conteúdo da obra se perderia, inevitavelmente, depois de alguns
anos.
E isto veio sendo feito por equipes de copistas, século após século.
Então todas estas obras, algumas escritas séculos antes de Cristo, tinham de ser
copiadas, constantemente para
que o conteúdo não se perdesse? SIM!!!
Então ser copista era uma profissão? SIM!!!
Então, como o material onde o livro original foi escrito se deteriorava em poucos anos,
todos os originais de todas
estas obras já viraram pó, faz tempo? SIM !!!
Todos os originais, inclusive os do Novo Testamento estão perdidos para sempre?
SIM!!!
Mas, e os copistas não podiam cometer erros? Copiar errado? Pular linhas ou palavras?
SIM!!!
Então como podemos conferir credibilidade às cópias feitas até a criação e utilização da
imprensa?
Como podemos saber se os erros dos copistas não puseram a perder a obra
toda?
Para verificar a credibilidade de uma obra, os estudiosos do assunto criaram métodos
científicos que são capazes
de avaliar se cada obra, como a conhecemos hoje, é uma
cópia autêntica.
QUAIS SÃO OS MÉTODOS PARA DETERMINAR A CREDIBILIDADE DE UMA OBRA ANTIGA?
São eles:
- Manuscritologia;
- Evidência Bibliográfica de Autenticidade e
- Crítica Textual.
Nesta AULA ZERO não trataremos da Crítica Textual, uma vez que ela é usada e
demonstrada na maioria das
demais aulas.
Este método científico busca recuperar, tanto quanto possível, a forma original do texto
como o autor criou.
Uma das maneiras (há outras) é comparar as várias cópias e
quantificar as similaridades e as divergências
apresentadas entre estas cópias.
Apenas faremos uma breve comparação entre as duas obras que gozam da maior
credibilidade, segundo
a Crítica Textual.
A segunda em credibilidade é A ÍLIADA de Homero.
Temos desta obra 643
manuscritos e eles apresentam 764 linhas com diferenças entre si.
A obra que goza de maior credibilidade segundo a Crítica Textual é o Novo Testamento
com cerca de
25.000 manuscritos e apenas 40 linhas divergentes.
Ou seja, segundo a Crítica Textual não há obra com maior credibilidade do que o
conjunto de livros que
forma o NOVO TESTAMENTO!!!
Manuscritologia:
Esta ciência basicamente estuda a quantidade e a qualidade das cópias que existem de
um determinado texto
original. Quanto mais cópias de manuscritos encontrados que
possam ser comparadas para encontrar divergências
ou similaridades, melhor.
Portanto, quanto mais cópias de manuscritos melhor para a comparação.
Evidência Bibliográfica de Autenticidade:
Esta técnica verifica quantos anos separam o manuscrito mais antigo de uma obra em
relação ao original que se
perdeu. Quanto mais próximo melhor. Ou seja, neste método
avalia-se a quantidade de anos entre a data suposta
de criação do original e a cópia mais
antiga ainda existente.
Quanto menos anos melhor.
Como todos os textos antigos eram escritos em material deteriorável, era necessário
copiar...e copiar...e
copiar...para não se perder o texto original.
Nenhum de nós, como já dito acima, duvida de que os textos de Platão, Aristóteles,
Homero e outros, que
conhecemos hoje, não sejam autênticos.
No entanto vamos demonstrar que se todos gozam de credibilidade, a credibilidade dos
livros do NOVO
TESTAMENTO é ainda maior.
Comparando quanto a Manuscritologia temos o seguinte:
Os livros de Platão vêm das 7 únicas cópias existentes;
As obras de Tucídides vêm de 8 cópias;
As obras de Aristóteles vêm das 49 cópias existentes,
As Guerras Gálicas de Júlio César vêm de 10 cópias;
História de Plínio, o jovem, de 7 manuscritos;
História de Heródoto, de 8 cópias;
Anais de Tácito - 20 manuscritos;
A segunda melhor obra conservada: A Íliada de Homero - 643 cópias de manuscritos;
A melhor obra conservada é o NOVO TESTAMENTO, os estudiosos reconhecem
mais de 24.000 cópias, sendo
que são aproximadamente 5.600 em grego e 19.200
em outras línguas, tais como, siríaco, copta, latim,
aramaico e outras.
Comparando quanto a Evidência Bibliográfica de Autenticidade, temos:
Platão: 1300 anos entre a data suposta do original e a cópia mais antiga.
Tucídides: 1300 anos.
Aristóteles: 1400 anos.
As Guerras Gálicas: 1000 anos entre a cópia mais antiga e o original.
História de Plínio, o jovem: 750 anos após o original.
História de Tucídides: 1.300 a 1350 anos.
História de Heródoto: 1350 anos.
Anais de Tácito: 1000 anos.
A Segunda melhor obra conservada: A Ilíada de Homero: 500 anos.
O NOVO TESTAMENTO:
Segundo os Papiros de John Ryland, menos de 100 anos;
Papiros de Chester Beatty, 155 anos;
E os Papiros de Bodmer, 200 anos.
Por isso, podemos concluir que não há qualquer livro de literatura clássica ou
qualquer livro de
história antiga que possua mais validade histórica e credibilidade
do que o NOVO TESTAMENTO.
Bibliografia:
- Biblia de Jerusalém – NT – Edições Paulinas - 1973
- Biblia de Jerusalém – Editora Paulus - 2014
- Biblia do Peregrino- NT - Editora Paulus – 2005
- Joseph, Brian (Ed.); Janda, Richard (Ed.). The Handbook of Historical Linguistics. [S.l.]: Blackwell Publishing,
2008. p. 163. ISBN 978-1405127479
- CARM: Manuscript evidence for superior New Testament reliability
- International Standard Bible Encyclopedia. G. W. Bromily, redator geral. 1988. Wm. B. Eerdmans Publishing Co.
Vol. IV, p. 818.
- Kenneth L. Chumbley. The Gospel Argument For God. 1989. Página 26.
- Josh McDowell, The New Evidence that Demands a Verdict,Thomas Nelson Publishers, 1999.
- John Ryland's Gospel of John fragment, John Ryland's Library of Manchester, England.
- F.F. Bruce, The Books and the Parchments: How We Got Our English Bible, Fleming H. Revell Co., 1950, 178.
- Norman L. Geisler and William E. Nix, A General Introduction to the Bible, Moody, Chicago, Revista e Atualizada
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- Ravi K. Zacharias, Can Man Live Without God? Word Publishing, 1994