![]() | Estamos no ano 64 d.E.C. Um incêndio devasta Roma, a capital do Império. A opinião pública aponta o próprio Imperador Nero como autor da catástrofe. É necessário achar um bode expiatório e para isso servem os cristãos! Segundo o historiador romano Tácito (55-120 d.E.C.), nos seus "Anais", foram presos, em primeiro lugar, os que se confessavam. Seguiu-se o aprisionamento de uma multidão enorme, entregue aos suplícios inventados pela crueldade de Nero. "Os cárceres se encheram de heróis da fé e os carrascos os submeteram à tortura, querendo obrigá-los a confessar um crime que não tinham cometido. Não sendo possível convencê-los do delito que lhes era imputado, foram condenados por causa do 'ódio do gênero humano'. Já não por causa do incêndio, mas pelo nome cristão sofreram o martírio. Grande parte foi destinada aos combates de feras, outros foram crucificados, muitos outros, ao cair da tarde, vestidos de túnicas com óleos, pez e resinas, foram atados a postes de madeira, que os algozes incendiaram atrozmente, para iluminar a noite...". |
![]() | Afirmaram, contudo, que todo o seu crime ou erro se reduzia a terem-se encontrado em determinado dia, antes de nascer o sol, cantando então um hino a Cristo, como a um Deus. Nesta ocasião teriam prestado também um solene juramento de não cometer más ações, de nunca praticar nenhuma fraude, furto ou adultério. Igualmente teriam prometido de não trair a confiança neles depositada. Depois, como contam, se separaram para, de novo, se reunir a fim de tomar algum alimento, de natureza inocente. Todavia, esta prática haviam abandonado após a publicação do meu Edito pelo qual, de acordo com as vossas ordens, foram proibidas a reuniões políticas. Julguei necessário empregar a tortura para ver se arrancava toda a verdade de duas escravas, chamadas diaconisas. Nada, porém, descobri senão depravada e excessiva superstição. |
Entre os mais antigos documentos históricos de mártires está a carta circular da comunidade cristã de Lião (na Gália) endereçada às Igrejas da Ásia e Frigia (no Oriente) sobre a perseguição ocorrida em 177 d.E.C. Citamos algumas das mais significativas passagens: | ![]() |
![]() | "... Pedi em meu favor unicamente força exterior e interior, a fim de não apenas falar mas também querer, de não apenas dizer-me cristão, mas de me manifestar como tal. (...) Suplico-vos, não vos transformeis em benevolência inoportuna para mim. [Não intercedais por mim junto às autoridades para afastar a pena máxima] Deixai-me ser comida para as feras, pelas quais me é possível encontrar Deus. Sou trigo de Deus e sou moído pelos dentes das feras, para encontrar-me como pão puro de Cristo [referência à Eucaristia]. Acariciai antes as feras, para que se tornem meu túmulo e não deixem sobrar nada de meu corpo (...). |
O martírio destas duas mulheres cristãs se deu em Cartago (norte da África), no ano de 203 d.E.C. Víbia Perpétua, recém-casada, é de família nobre e tem apenas 22 anos. Felicidade é uma escrava, grávida de oito meses. Santo Agostinho (+430), no Sermão 282 "in Perpetuam", disse: "Era necessário que Perpétua fosse unida à Felicidade, para que a união destes dois nomes mantivesse constantemente vivo em nós a recordação de que a felicidade não pode ser verdadeira, senão quando for perpétua!" | ![]() |
![]() | Cecílio Cipriano era bispo de Cartago, quando foi martirizado em 258, no governo do Imperador Valeriano. De seu processo guardamos um importante documento histórico ("Ata"), proveniente do próprio tribunal civil. |
