NOSSO PATRONO



Dom José Mauro Pereira Bastos nasceu no dia 31 de agosto de 1955 na diocese de Cachoeiro do Itapemirim, no Estado do Espírito Santo. Após terminar o curso elementar , frequentou o curso de filosofia no IFTAV (instituto de Filosofia e Teologia da Arquidiocese de Vitória) e o curso de teologia na PUC de Belo Horizonte (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais). Algum tempo depois, em Roma, obteve a licença em teologia Biblica pela Pontificia Universidade Gregoriana. Em janeiro de 1981 emitiu a profissão solene na Congregação da Paixão de Jesus Cristo e no dia 7 de julho de 1984 recebeu a Ordenação Sacerdotal. Foi diretor do Colégio Passionista de Paul, Vila Velha (1986); pároco da Paróquia Santa Maria Goretti em Cariacica - ES (1987); professor de teologia no IFTAV; responsável pela formação dos seminaristas passiosnistas do curso de filosofia em Vila Velha - ES (1989-1993); Vigário Regional do Vicariato N. Sra. Da Vitória (Passionistas do ES e MG); presidente da CLAP - Brasil (família passionista) (1989-1995); formador dos religiosos estudantes de teologia em Belo Horizonte (1996-1997); diretor do Projeto Devida (Projeto Social Passionista) (1998-2000) e Pároco da Paróquia N. Sra. Da Penha (2000) em Barbacena na arquidiocese de Mariana. No dia 5 de julho de 2000 foi nomeado primeiro bispo de Janaúba e recebeu a ordenação episcopal no dia 17 de setembro do mesmo ano.
FONTE:http://www.passionistas.org.br/principal/default.aspx?section=278

Em 18 de Junho de 2006 tornou-se o oitavo bispo da diocese de Guaxupé. Em 14 de Setembro de 2006 faleceu em acidente automobilístico.

Dom José Mauro Pereira Bastos: A Boa Nova de Jesus se fez carne!

O Dia quatorze de setembro de dois mil e seis, dia da exaltação da Santa Cruz, e o dia quinze, dia de Nossa Senhora das Dores, já ficaram marcados em nossas vidas e em nossas memórias. Dia da cruz e dia da dor. Dia de não entender, assim como aconteceu com Maria e os seguidores de Jesus, o porquê da partida de um homem tão jovem, cheio de projetos e sonhos.

Dom José Mauro fazia-nos sentir a força de Jesus Cristo. Os tempos são outros. Mas as circunstâncias são semelhantes. Éramos o mesmo povo, o qual um dia deslumbrou-se com Jesus e que, agora, deslumbrava-se com a figura profética de um pastor. Nossos corações enchiam-se de entusiasmo pela sua maneira de ser Igreja. A começar pelo seu olhar, passando pelas suas palavras e culminando em seus gestos, tudo e todos se sentiam acolhidos, amados, renovados, dignificados, curados...

Tão bom é este homem que ainda estamos extasiados com a sua chegada à nossa diocese. Como os discípulos de Emaús, corações transpassados pela dor, queríamos que ele continuasse conosco. Sua alegria ainda está em nossos olhares e, por isso, não conseguimos compreender sua partida. Afinal, quem não o queria por perto? Cativava a todos por onde passava. Prova disto é a roda de pessoas que sempre se formava ao seu lado, querendo ouvi-lo e ser ouvida. Crianças, jovens, adultos e velhos eram atraídos pela sua humanidade. Hoje, olhando para a sua vida, apenas podemos dizer: “Este homem era filho de Deus”. Não, simplesmente, por uma escolha divina. Mas, por fazer-se, de maneira tão humana, irmão de todos.

Fica para nós a sua memória... Um homem de mística profunda, de grande inteligência e enorme coração, de um humor fino, de um sorriso cativante, que entregava nos lábios a alegria gerada em seu coração, de palavras sábias e gestos acolhedores. Ficam para nós as suas iniciativas, o seu modo de olhar, de crer e de cuidar. Fica para nós o seu jeito de chamar a cada pessoa de irmão e irmã. E ainda mais, a sua esperança de que todos nós fôssemos irmãos. Ficam para nós o seu modo de escrever a história de Deus em sua própria vida e na vida do povo, o seu ser sempre jovem... Ficamos na dor, mas com a beleza e ousadia de seu viver.

Deixou em nós, assim como Jesus deixou na vida dos seus seguidores, a expectativa pelo Reino. Eles esperavam que seu mestre fosse restaurar Israel. Nós também esperávamos tanto de nosso pastor... Com ele, agora percebemos melhor que a graça de Deus irrompe de maneira simples na história, sem depender das definições cronológicas. “Três anos” da ação de Jesus foram suficientes para que o povo sentisse a infinitude da ternura de Deus. Três meses de Dom José Mauro em nossa diocese, os curtos anos que passou junto de sua família, de sua congregação, de seus amigos e amigas, de seus irmãos e irmãs da diocese de Janaúba e o pouco tempo de sua vida entre todos nós foram responsáveis por transformações profundas em nosso modo de viver, de acreditar e de fazer acontecer o cristianismo. Deixa-nos, como fazem todas as coisas agradáveis, com um “gosto de quero mais”.

Assim como Dom José Mauro, também caminhamos da cruz à luz. Ele soube cuidar da terra e semear com eficácia. Soube, acima de tudo, ser semente. Entregou-se até o fim. É mais um mártir de nossa história. Partiu de nosso meio enquanto caminhava para o trabalho. Estamos no tempo da ressurreição. E ela já começa a acontecer em cada um de nós que, aos poucos, tornamo-nos frutos deste plantio. Confiamos que pessoas como nosso pastor nunca deixam de viver. A sua presença continua em nós... E ela vai se fazendo enquanto nossas opções colocam em primeiro plano as causas do semeador-semente. Ficamos com o dom de sua vida convidando-nos a também fazermos um dom das nossas.


Gilvair Messias – Setembro de 2006