CURSO DE BÍBLIA PARA INICIANTES

AULA 20-E - ATOS DOS APÓSTOLOS.

As Missões de Paulo.

COMO FOI DIVIDIDO?

IV – As missões de Paulo. (At 15,36 -19,20)

Separação de Paulo e Barnabé. (At 15,36-40)

Depois de algum tempo, Paulo chamou Barnabé para fazerem nova viagem, visitando as comunidades que tinham
fundado, para verem como elas estavam. Barnabé queria levar João Marcos junto, mas Paulo não gostou da ideia
de levar aquele que os havia abandonado desde a Panfília. A irritação entre os dois foi tal que se separaram.
Barnabé seguiu para Chipre junto com Marcos. Paulo, juntamente com Silas, partiu para visitar as comunidades
fundadas por ele e Barnabé.

Como podemos ver, também na Igreja primitiva aconteciam brigas e desentendimentos. Não era um mar de rosas
formado por pessoas perfeitas. Não se falará mais de Barnabé daqui em diante. Ele foi para Chipre, sua terra natal,
junto com Marcos e os Atos não tocam mais no seu nome.

Resumo: Briga de Paulo e Barnabé. Não se toca mais no nome de Barnabé no livro dos Atos dos Apóstolos.

Paulo e Silas na Licaônia. (At 15,41-16,10)

Paulo segue com Silas, passando pela Síria, Cilícia, Derbe e depois Listra, onde conhece a Timóteo, sobre o qual
os irmãos davam bom testemunho. Timóteo era filho de mãe judia e pai grego. Como Paulo quisesse que Timóteo
o acompanhasse na sua viagem, realizou sua circuncisão por causa dos judeus daqueles lugares.

Como vimos, na ocasião do Concílio de Jerusalém, Paulo se opunha a que os gentios fossem circuncidados, porém,
Timóteo era filho de uma judia, portanto israelita. Esta atitude de Paulo e sua rotina em cada cidade: de sempre
começar a pregar nas sinagogas, portanto para os judeus, fez com que alguns estudiosos duvidassem que ele
pensasse numa Igreja Cristã separada do judaísmo.

“Jamais passaria pela cabeça de Paulo que o movimento de Jesus viria a se afastar da matriz cultural do judaísmo.
Aliás, isso era inconcebível para todo mundo até a década posterior à morte de Paulo e à queda do templo
de Jerusalém.”

(A Bíblia e nós – Andrew M.Greeley e Jacob Neusner- Siciliano – 1993 – Cap.29 - Pág.255)

Continuando, os Atos nos contam que Paulo seguiu pela Frígia e a Galácia e que o Espírito Santo indicava por onde
deviam ir e as localidades que deviam evitar.

Chegaram a Trôade e, durante a noite, Paulo teve uma visão que indicava que eles deviam ir para a Macedônia:
Um macedônio de pé diante dele dizia:

“Vem para a Macedônia, e ajuda-nos!” (At 16,9).

No próximo versículo (At 16,10) o autor passa de maneira brusca, sem aviso, a narrar na primeira pessoa do
plural (Nós) em vez de falar de Paulo na terceira pessoa do singular (Ele) como vinha fazendo desde o início:

“Logo após a visão,procuramos partir para a Macedônia, persuadidos de que Deus nos chamava para anunciar
-lhes a Boa Nova.” (At 16,10).

Esta é a primeira seção dos Atos em que o autor se apresenta como companheiro de viagem de Paulo.

Veja o que diz a Bíblia de Jerusalém:

“Em três lugares do seu relato (16,10-17 ; 20,5-21,18; 27,1-28,16 e também 11,28 no texto ocidental) Lucas
emprega a primeira pessoa do plural.
Seguindo santo Irineu, alguns exegetas viram nas passagens dos Atos que são redigidas em estilo “nós” a
prova de que Lucas acompanhou Paulo em suas segunda e terceira viagens missionárias e em sua viagem
por mar a Roma. Entretanto, é notável que Lucas nunca é mencionado por Paulo como companheiro de sua
obra de evangelização.
Este “nós” parece mais o traço de um diário de viagem feito por um companheiro de Paulo (Silas?) e utilizado
pelo autor de Atos.”

( Biblia de Jerusalém –Introdução aos Atos dos Apóstolos - Editora Paulus – 2014- Pág.1897 )

Resumo: Paulo e Silas viajam pela Licaônia. Paulo chama Timóteo para se integrar ao grupo.
Seguem para Trôade, onde Paulo tem uma visão que os leva para a Macedônia.
O autor pela primeira vez fala como companheiro de viagem de Paulo.

Paulo e Silas em Filipos. (At 16,11-40)

Paulo e Silas seguiram de Trôade para a Samotrácia, depois Neápolis e daí chegaram a Filipos, principal cidade
daquele distrito da Macedônia. No sábado eles se aproximaram das margens do rio, onde lhes parecia haver
um lugar de oração.

Os pagãos costumavam ter lugares de adoração panteísta nas florestas, margens de rios, montanhas, etc., enfim,
tudo de que pudesse depender sua subsistência. Assim se orava pelo deus do rio, da floresta,etc.

Ali estava um grupo de mulheres reunidas. Ouvindo Paulo, uma delas , Lídia, sente que Deus lhe abria o coração
para atender ao que Paulo dizia. Ela é batizada, assim como toda sua família.
Lídia é uma negociante de púrpura de Tiatira, e os apóstolos , a pedido dela, vão ficar hospedados na sua casa.

Paulo não costumava aceitar a ajuda das pessoas por onde pregava a Boa Nova. Veremos que isto só aconteceu
com Lídia e os cristãos de Filipos. Um reconhecimento de Paulo à caridade e comportamento dos filipenses,
comunidade que recebia um carinho especial do apóstolo de todos os gentios.

Um dia caminhando em direção ao local de oração , uma escrava que tinha um espírito de adivinhação, seguia
os apóstolos clamando:

“Estes homens são servos do Deus altíssimo, que vos anunciam o caminho da salvação.” (At 16,17).

Esta escrava, com suas adivinhações, obtinha grandes lucros para os seus amos. Todos os dias ela seguia Paulo
e continuava clamando sempre a mesma coisa. Paulo, cansado daquilo, falou com o espírito nos seguintes termos:

“Em nome de Jesus Cristo, eu te ordeno que te retires dela!” (At 16,18).

Na mesma hora o espírito saiu e a escrava perdeu sua capacidade de adivinhação. Quando seus amos viram findar
sua fonte de renda, agarraram Paulo e Silas e os levaram aos magistrados e os denunciaram:

“Estes homens perturbam nossa cidade. São judeus, e propagam costumes que não nos é lícito acolher nem
praticar, pois somos romanos.” (At 16,20-21).

Os acusadores não fazem distinção entre judeus e cristãos e os acusam de propaganda de doutrinas que vão contra
as práticas religiosas pagãs do império romano. Apesar de terem liberdade para praticar sua religião, os judeus
não podiam aliciar os romanos. A propaganda cristã, portanto, era ilegal.
Não podemos deixar de ver aqui a hipocrisia dos acusadores que se dizem romanos, quando na verdade também
eles estão sob o domínio de uma força de ocupação.
A mesma hipocrisia dos sacerdotes de Jerusalém diante de Pilatos:

“Disse-lhes Pilatos: “Crucificarei o vosso rei?!” Os chefes dos sacerdotes responderam: “Não temos outro rei
a não ser César!” Então Pilatos o entregou para ser crucificado.” (Jo 19,15-16).

Aqui, a exemplo de Jesus, os apóstolos terão suas roupas arrancadas e espancados com varas e os magistrados
agirão como Pilatos:

Com a multidão em fúria, eles mandaram arrancar-lhes as vestes e que fossem espancados com varas e
depois lançados na prisão.

Pela meia-noite, Paulo e Silas, oravam cantando louvores a Deus, enquanto os outros presos os ouviam.

"Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles." (Mt 18,20).

De repente, um terremoto violento sacudiu as paredes da prisão, de tal modo que todas as portas e grilhões se
abriram e todos os presos ficaram soltos. Quando o carcereiro viu as as portas abertas pegou da espada para se
matar, pois pensava que todos tinham fugido.

O império romano impunha aos guardas, as penas dos prisioneiros que escapavam.

Mas antes que fizesse algo contra si mesmo, Paulo, de dentro da escuridão gritou para ele:

“Não te faças mal algum, pois estamos todos aqui.” (At 16,28).

O carcereiro pediu uma luz e verificando, com os próprios olhos que ninguém tentara fugir, ainda trêmulo, caiu
aos pés de Paulo.

Ele estava trêmulo pois sabia ter tratado como malfeitores a enviados do céu.

Conduzindo Paulo e Silas para fora disse-lhes:

“Senhores que preciso fazer para ser salvo?” (At 16,30).

Paulo lhe respondeu:

“Crê no Senhor e serás salvo tu e a tua casa.” (At 16,31).

Ao contrário das religiões pagãs que exigiam sacrifícios e cultos, Paulo prega a salvação pela fé em Jesus Cristo.

Naquela mesma hora da noite, o carcereiro os levou consigo, lavou-lhes os ferimentos, ouviu o anuncio da Palavra
e foi batizado, assim como toda a sua casa. O carcereiro, lhes serviu uma refeição e rejubilou-se com todos os seus
por ter crido em Deus.
Chegando o dia, os magistrados deram ordem ao carcereiro para soltarem Paulo e Silas. Porém, quando o carcereiro
lhes comunicou a ordem, Paulo replicou:

“Açoitaram-nos em público e sem julgamento, a nós que somos cidadãos romanos e lançaram-nos à prisão.
Agora, é furtivamente que nos mandam sair? Não será assim: eles mesmos venham retirar-nos daqui.”
(At 16,37).

Quando os magistrados tomaram conhecimento de que Paulo e Silas eram cidadãos romanos, ficaram com
medo, vieram pessoalmente pedir desculpas aos dois. Em seguida, pediram que eles se afastassem da cidade, para
que os que antes reclamaram deles, não mais se reunissem contra eles.
Paulo e Silas saíram da prisão, foram para a casa de Lídia. Vendo os irmãos que oravam pelos dois, confortaram-nos
e depois partiram.

Resumo: Paulo e Silas chegam a Filipos, na Macedônia. Ali conhecem uma rica comerciante de púrpura, originária
de Tiatira, que se converte e hospeda os apóstolos em sua casa.
Paulo expulsa um espírito de adivinhação de uma escrava que gerava bons lucros aos seus senhores. Os donos
da escrava denunciam os apóstolos por estarem fazem proselitismo e tentando aliciar cidadãos romanos para
a sua fé.
Depois de apanharem em público, Paulo e Silas são lançados na prisão, de onde são libertados de forma miraculosa.
Assim como Pedro fora libertado da prisão pelo Anjo do Senhor, com esta narrativa, os Atos afirmam que Paulo
também é digno da mesma consideração. Ambos têm a mesma estatura pela fé e ações.
Depois de se reunirem com os irmãos na casa de Lídia, se despedem e seguem viagem.

Paulo, Timóteo e Silas em Tessalônica e Beréia. (At 17,1-15)

Depois de passarem por Anfílopis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga.
Como de costume, Paulo se dirigiu primeiro aos judeus, conversando com eles durante três sábados.
Paulo procurava mostrar que Jesus era o Messias(cristo) esperado pelos judeus.
Muitos se converteram entre judeus e gentios.
Porém, como já acontecera em outros lugares, os judeus, com inveja, tramaram contra Paulo e Silas, incitando o
povo contra os apóstolos, afirmando que eles espalhavam doutrinas contrárias aos decretos romanos e que
afirmavam haver outro rei além de César.

A mesma acusação feita contra Jesus pelos sumos sacerdotes. Assim os apóstolos vão passando pela sua própria
via-crucis.

Como as autoridades de Tessalônica, incitados pelos judeus, causassem problemas para o anfitrião de Paulo
e Silas, chamado Jasão, os irmãos tomaram a providência de fazê-los partir para Beréia.

Em Beréia os judeus da sinagoga agiram de maneira diferente, pois ao ouvirem Paulo e estudando as escrituras,
cada dia mais se convenciam de que Jesus era o Messias e muitos dentre eles abraçaram a fé.
As conversões aconteciam entre os judeus e também entre homens e mulheres de alta posição social.
Quando, porém, os judeus de Tessalônica, souberam que a Palavra era anunciada com sucesso em Beréia, se
dirigiram para lá, buscando incitar o povo contra os apóstolos.

A comunidade de Beréia tomou providências para que Paulo, Timóteo e Silas fossem para Atenas.
Paulo e Timóteo seguiram primeiro, mais tarde, seguiu Silas.

Resumo: Em Tessalônica e Beréia os apóstolos obtém sucesso, porém são perseguidos pelos judeus que os
acusam de crimes contra o império romano. Seguem para Atenas, o coração do mundo grego.

Paulo em Atenas. (At 17,16-34)

O livro dos Atos nos conta que ao chegar a Atenas, o espírito de se inflamava ao ver uma cidade tão cheia de ídolos.
Paulo discutia na sinagoga com judeus e prosélitos, mas também na ágora, a qualquer hora do dia, com os que a
frequentavam.

Em grego, a palavra "ágora" significa reunião. Varias cidades gregas tinham sua ágora, que era um local de reunião
para discussão e livre manifestação de opinião

A ágora de Atenas era uma grande praça que ficava na parte mais baixa da cidade, de onde se podia ver a acrópole
e o aerópago. Era limitada no seu lado oeste por prédios públicos e do lado leste por mercados e feiras livres.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81gora_de_Atenas#/media/File:AncientAgoraofAthensColour.jpg

Ágora de Atenas: uma imensa praça, onde à esquerda está o Templo de Hefesto e à direita a Estoa de Átalo.

Fonte: http://www.klepsidra.net/klepsidra26/agora.htm

Os Atos nos conta que Paulo discutia com filósofos estóicos e epicureus (as duas principais escolas filosóficas
da época) e que estes o tratavam com ironia e desprezo, considerando-o um charlatão.
O livro diz que os filósofos o "conduziram pela mão" até o Aerópago para que ele explicasse melhor sua
doutrina estranha.

O ato de "conduzir pela mão" demonstrava que tratavam Paulo como uma criança ou alguém que não sabe sobre
o que fala.

A colina do Aerópago era onde ficava o conselho do supremo tribunal de Atenas. Neste caso, os filósofos
conduziram Paulo para longe da ágora para ouví-lo em particular ou ironicamente o colocaram no centro do
poder de Atenas, para zombar de sua doutrina.
Com certeza eles não conversaram dentro do Aerópago, mas do lado de fora, onde o acesso era público.

Colina do Aerópago vista a partir da acrópole nos dias de hoje.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Are%C3%B3pago#/media/File:Areopagus_from_the_Acropolis.jpg

Paulo se dirigiu a eles com as seguintes palavras:

“Cidadãos atenienses,! Vejo que, sob todos os aspectos, sois os mais religiosos dos homens. Pois, percorrendo
a vossa cidade e observando os vossos monumentos sagrados, encontrei até um altar com a inscrição:
"Ao Deus desconhecido".
Ora bem, o que adorais sem conhecer, isto venho eu anunciar-vos.”
(At 17,22-23).

“A introdução, como entrada no assunto, é magistral.
Com o um cumprimento cortês e ambíguo, que se transforma em crítica,....”

(Bíblia do Peregrino - Comentário a Atos 17,22-23 - Pag. 372)

Paulo usa de ironia, pois, os gregos, assim como os romanos, erguiam monumentos AOS DEUSES DESCONHECIDOS.
Pensavam que erguendo um monumento a todos os outros deuses, que, porventura pudessem existir, estariam
livres da ira de qualquer um deles que não se julgasse adorado devidamente.
Assim, criavam deuses à imagem e semelhança dos homens. Não muito diferente dos dias de hoje

Paulo, usando do conhecimento que tinha da filosofia grega , explica que o deus que criou tudo o que existe,
deu vida a todas as coisas e estabeleceu a regularidade das estações do ano, que não mora em templos
construídos pelas mãos humanas e não precisa de nada, fez tudo isso para que todos os homens ao perceberem
toda a ordem do universo fossem capazes de intuir que existe um deus por trás de tudo isso.

“Tudo isso para que procurassem a divindade e, mesmo se às apalpadelas, se esforçassem por encontrá-la.....
porque ele fixou um dia no qual julgará o mundo com justiça, por meio do homem a quem designou, dando-lhe
crédito diante de todos, ao ressuscitá-lo dentre os mortos.” (At 17,27-31).

Ao ouvirem falar em ressurreição dos mortos, uns zombaram de Paulo e outros, por cortesia, disseram que o
ouviriam em outra ocasião. Assim Paulo se retirou do meio deles.
Os Atos falam de apenas algumas poucas conversões, entre elas, a de Dionísio, o aeropagita e uma mulher,
chamada Dâmaris.

“O fracasso de Paulo em Atenas foi quase completo. Daí em diante, sua pregação rejeitará os ornamentos
da sabedoria grega. (1 Cor 2,1-5)”

(Bíblia de Jerusalém - Comentário a Atos 17,32- Pag.1935)

Resumo: Paulo chega a Atenas, onde se indigna com a idolatria dos atenienses. Prega a Palavra a alguns deles,
porém, ao falar de ressurreição dos mortos, os gregos zombam dele e o deixam.
O fracasso de Paulo é quase completo, não fossem algumas poucas conversões.

Paulo em Corinto. (At 18,1-17)

Paulo segue para Corinto, onde se hospeda em casa de Áquila e Priscila, casal de judeus que vieram da
capital do império, devido ao decreto do imperador Cláudio que expulsara os judeus de Roma.

Este decreto foi no ano de 41 d.C.

Em Corinto, Paulo prega na sinagoga todos os sábados, mas os judeus não aceitam a Palavra. Paulo, então, se volta
para os gentios. Ele começa a pregar na casa de Tício Justo, um convertido, cuja casa era vizinha à Sinagoga.
O próprio chefe da sinagoga, Crispo, e sua casa se convertem, além de muitos corintios.
Uma noite Paulo tem uma visão na qual o Senhor lhe diz:

“Não temas. Continua a falar e não te cales. Eu estou contigo, e ninguém porá a mão em ti para fazer-te mal,
pois eu tenho um povo numeroso nesta cidade.” (At 18,9-10).

Paulo permaneceu ali por um ano e seis meses. Quando Galião era procônsul da Acaia, os judeus apresentaram
queixa contra Paulo, mas Galião não aceitou ser árbitro do conflito e os despediu do tribunal.
Paulo permaneceu em Corinto muito tempo.

Uma inscrição em Delfos diz que Galião foi procônsul da Acaia entre 51 e 52 d.C.

Resumo: Paulo funda a Igreja de Corinto. Primeiro, como sempre, pregou aos judeus e, diante da recusa destes,
se dirigiu aos gentios. Paulo passa a pregar numa casa vizinha à sinagoga. Os judeus o denunciam ao procônsul
que se recusa decidir sobre assuntos judaicos.

Paulo de volta para Antioquia. Apolo. (At 18,18-28)

O texto de At 18,18-19,20 parece ser uma junção de fontes diversas, pois Paulo vai para Antioquia, deixa Áquila e
Priscila no meio do caminho, surge Apolo e novamente Paulo aparece em Éfeso.
Depois há a narração de um grupo de exorcistas quebrando a sequência e harmonia entre 19,10 e 19,21ss

Os Atos informam que depois de longa permanência em Corinto, Paulo resolveu embarcar para a Síria com destino
a Antioquia. Levando consigo Áquila e Priscila chegaram a Éfeso.

O texto seguinte não é muito claro, mas parece que Paulo seguiu em frente deixando Áquila e Priscila em Éfeso.
Mesmo porque, são os dois que mais tarde, ali, em Éfeso, instruirão a Apolo no entendimento do CAMINHO
( nome que os discípulos davam a doutrina de Cristo).

Os Atos prosseguem dizendo que Paulo desembarcou em Cesaréia, aparentemente foi a Jesusalém e depois foi
para Antioquia . Em seguida o texto volta para Éfeso para falar de Apolo, judeu natural de Alexandria, eloqüente
e versado nas Escrituras. Tinha sido instruído no caminho do Senhor e cheio de fervor pregava e explicava o
que se referia a Jesus, porém conhecia apenas o batismo de João.

Pode ser que em Alexandria a doutrina cristã ainda fosse incompleta.

Ele pregava abertamente na sinagoga. Priscila e Áquila o ouviram e à parte lhe explicaram com mais exatidão o
caminho de Deus.

Como Apolo desejasse partir para Acaia, os irmãos de Éfeso escreveram aos discípulos de lá para que o recebessem.

Era comum as cartas entre a comunidades que, com cuidado, apresentavam um membro da Igreja às outras
comunidades. Era uma forma de garantir segurança para todos, já que a perseguição era praticada tanto pelos
romanos quanto pelos judeus. As reuniões cristãs eram feitas em segredo e nas casas dos próprios discípulos mais
ricos que podiam contar com mais espaço e condições de cuidar de tudo.

Ao chegar, Apolo foi de grande utilidade pois refutava vigorosamente em público os judeus, demonstrando, baseado
nas escrituras, que Jesus era o Messias.

Apolo foi importante na difusão da mensagem em toda a região, a ponto de Paulo falar sobre ele em:
1Cor 1,12; 3,4-11.22; Tt 3,13

Resumo: Paulo volta para Antioquia. Áquila e Priscila ficam em Éfeso onde ensinam a Apolo que prega em vários
lugares na Ásia menor.

Éfeso. (At 19,1-20)

Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo chegou a Éfeso e lá encontrou alguns discípulos. Paulo lhes perguntou
se haviam recebido o Espírito Santo quando se converteram. Eles disseram que haviam recebido o batismo de
João e que não haviam ouvido falar sobre Espírito Santo. Paulo lhes falou que João batizava um batismo de
arrependimento e alertava para que o povo cresse naquele que viria depois dele.
Paulo os batizou, receberam o Espírito Santo, então começaram a falar em línguas e a profetizar.
Ao todo eram cerca de doze homens.

Os Atos nos dizem que em Éfeso, Paulo pregou na sinagoga por três meses, tentando persuadir os judeus sobre o
Reino de Deus. Mas como alguns incrédulos falavam mal do CAMINHO diante do povo, ele resolveu se afastar
da sinagoga, levou consigo os discípulos e começou a pregar na escola de Tiranos.

O texto nos mostra Paulo sempre tentando converter primeiro os judeus e, apenas diante da recusa destes, se
volta para os pagãos.

Tiranos devia ser o dono de uma sala ou prédio onde funcionava uma escola onde se ensinava retórica e outras
artes gregas. Não sabemos se ele era um discípulo, professor ou apenas o dono da escola.
Ele não é citado em qualquer outro texto na Bíblia.

Paulo se prolongou ali por um espaço de dois ou três anos, de tal forma que a doutrina se espalhou por toda
a região.

Os Atos narram a seguir o caso dos sete filhos do sumo sacerdote Ceva que eram exorcistas e começaram também
a pronunciar o nome de Jesus sobre os que eram possuídos por espíritos maus. Eles diziam:

“Eu vos conjuro, por Jesus, a quem Paulo proclama!” (At 19,13).

Porém o espírito mau replicou-lhes:

“Jesus eu conheço; e Paulo, sei quem é. Vós, porém, quem sois?” (At 19,15).

E investindo contra eles, o homem no qual estava o espírito mau os dominou , agrediu e feriu a todos, obrigando-os
a fugir daquela casa.

A mensagem é clara: apenas os apóstolos têm poder sobre o mal.

A notícia se espalhou por toda Éfeso, tanto entre os judeus quanto entre os gregos.
Todos ficaram atemorizados e a Palavra do Senhor crescia e se firmava poderosamente.

Resumo: Paulo prega na sinagoga de Éfeso. Sua mensagem é recusada por alguns da sinagoga. Ele, então, leva
consigo seus discípulos e passa a pregar na escola de Tiranos, onde alcança sucesso e a Palavra se espalha por
toda a região. O caso dos sete exorcistas judeus que são subjugados pelo espírito mau.

Bibliografia:

- Biblia de Jerusalém – NT – Edições Paulinas - 2014

- Biblia do Peregrino – NT – Editora Paulus - 2005

- Alfred Lappe – As Origens da Bíblia – Vozes 1973

- Alfred Lappe – Interpretação Atualizada e Catequese V.04 – N.T. – Paulinas -1980

- J.Auneau – F.Bovon – M.Gougues E.Charpentier-J.Radermakers –Evangelhos Sinóticos e Atos dos Apóstolos- Ed. Paulinas – 1985

- Die Apostelgeschichte (Os Atos dos Apóstolos), Gottingen, 1959

- Antiguidades Judaicas – Flávio Josefo

- Uma Leitura dos Atos dos Apóstolos - Cadernos Bíblicos 19 - Paulus e Academia Cristã – 2014

- A Bíblia e nós – Andrew M.Greeley e Jacob Neusner- Siciliano - 1993

Voltar ao Menu