CURSO DE BÍBLIA PARA INICIANTES

AULA 20-B - ATOS DOS APÓSTOLOS.

A Igreja de Jerusalém.

COMO FOI DIVIDIDO?

I – A Igreja de Jerusalém. (At 1,12-5,42)

A Eleição de Matias (At 1,12-26)

O grupo dos Onze, com Maria, mãe de Jesus, e seus irmãos, mais algumas mulheres perseveravam na oração,
sendo que as primeiras reuniões aconteciam no mesmo local da última ceia.
Depois, Lucas narra o processo de escolha do substituto de Judas Escariotes:
Pedro se manifesta e diz que o escolhido deveria fazer parte dos homens que seguiam Jesus desde o batismo no
Jordão até sua ascensão aos céus.

F.Bovon:

"Para ser testemunha, não basta ter visto o Cristo ressuscitado, é preciso também ter sido discípulo dele
durante sua vida terrena. (At 1,21-22)”

(J.Auneau – F.Bovon – M.Gougues E.Charpentier-J.Radermakers –Evangelhos Sinóticos e Atos dos Apóstolos- Ed. Paulinas – 1985 – Pág.244 )

Eram dois candidatos: José, chamado Barsabás, cognominado Justo e Matias. Lançaram sortes sobre os dois e Matias
foi o escolhido.

Esta forma de escolha por sorteio logo cederá lugar a uma forma de escolha de maior bom senso, como veremos
em Atos 6, quando da escolha dos sete diáconos.

Assim, continuou sendo doze o número dos apóstolos, como são doze as tribos de Israel.

Resumo: Os Onze e Maria; a escolha de Matias; os Doze apóstolos.

Pentecostes (At 2,1-13)

O autor narra que estavam todos reunidos no cenáculo, quando, de repente, veio do céu um barulho como
de um vendaval e algo como “línguas de fogo” que se repartiam e pairavam sobre a cabeça de cada um deles.

Todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme lhes inspirava o Espírito.

Diz ainda, que, devido ao barulho, muitas pessoas acorreram ao local e apesar de serem pessoas de lugares e
nações diferentes , todos os ouviam falar no seu próprio idioma natal.

“Achavam-se então em Jerusalém, judeus piedosos, vindos de todas as nações que há debaixo do céu. Com o
ruído que se produziu, a multidão acorreu e ficou perplexa, pois cada qual os ouvia falar em seu próprio
idioma. Estupefatos e surpresos, diziam: ‘Não são , acaso, galileus todos esses que falam? Como é, pois, que
os ouvimos falar, cada um de nós, no próprio idioma em que nascemos? Partos, medos e elamitas; habitantes
da mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e das regiões da
Líbia próximas a Cirene; romanos que aqui residem; tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, nós os
ouvimos anunciar em nossas próprias línguas as maravilhas de Deus!’ Estavam todos estupefatos.
E, atônitos, perguntavam uns aos outros: ‘Que vem a ser isto?’ Outros,porém, zombavam: ‘Estão cheios de vinho
doce.’ ” (At 2,5-13).

É lógico que não caberiam no cenáculo tantas pessoas, de tantos lugares. Não importa quantas estiveram realmente
ali. O autor quer mostrar que a palavra de Deus, a partir dali, na força do Espírito Santo, é comunicada para todos
os povos e nações até os confins da terra. Mas, sempre teremos os que nunca acreditarão.

Resumo: O cenáculo; as línguas de fogo; a surpresa da multidão; os que não acreditam.

Discurso de Pedro (At 2,14-36)

Pedro se manifesta chamando a atenção de todos, dizendo que aqueles homens não estão bêbados, e que, o que
está acontecendo havia sido previsto pelo profeta:

“Sucederá nos últimos dias, diz Deus, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne. Vossos filhos e
vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões e vossos velhos sonharão...” (At 2,17).

Pedro continua, dizendo, que aquele Jesus que eles viram fazer prodígios , milagres e sinais e que eles condenaram
à morte pelas mãos dos romanos, Deus o ressuscitou dos mortos. Disto eles todos eram testemunhas.
E mais ainda:

“Saiba, portanto, com certeza, toda a casa de Israel: Deus o constituiu Senhor e Cristo, este Jesus a quem
vós crucificastes.” (At 2,36).

Resumo: Discurso de Pedro aos Judeus; Jesus previsto pelo profeta Joel; Jesus é o Cristo e Senhor.

As Primeiras Conversões (At 2,37-41)

O autor narra que diante das palavras de Pedro, vários queriam saber o que deveriam fazer para alcançar a
salvação. E Pedro disse:

“Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos pecados.
Então recebereis o dom do Espírito Santo.” (At 2,38).

Bíblia de Jerusalém:

"O batismo é dado ‘em nome de Jesus Cristo’ e é recebido ‘invocando-se o nome do Senhor Jesus’ .”

(Biblia de Jerusalém – NT – Edições Paulinas -2014 – Comentário a At 2,38 - Pág.1904 )

Hoje somos batizados “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, mas naquela época, final do século I, a
doutrina da Santíssima Trindade ainda não existia.

Lucas nos conta que cerca de três mil pessoas se arrependeram, foram batizadas e incluídas entre os que faziam
parte da Igreja.

Resumo: O arrependimento dos que ouviam; o batismo em nome de Jesus Cristo.

A Comunidade de Jerusalém (At 2,42-47)

O autor nos conta que eles se mostravam assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração
do pão e às orações.

A fração do pão evoca a refeição que os judeus realizavam, na qual quem presidia pronunciava uma benção
antes de repartir o pão. Para a Igreja nascente era o rito eucarístico em memória da Última Ceia.
A fração do pão era a cerimônia eucarística ainda no seu início.

Todos os que tinham abraçado a fé vendiam o que tinham e dividiam entre todos, de acordo com as necessidades
de cada um.

Esta comunhão dos bens nos assusta, cristãos do século XXI, que tememos dividir e ficarmos todos sem nada

Eram assíduos ao Templo e também partiam o pão pelas casas. Tinham a simpatia de todo o povo e a cada dia
crescia o número daqueles que seriam salvos.

A Igreja nascente ainda freqüentava o Templo de Salomão. Podemos chamá-los de Judeus Cristãos.
E nas casas, verdadeiras igrejas domésticas, realizavam a Santa Ceia, a Eucaristia que celebramos até hoje.

Resumo: Os primeiros cristãos; comunhão fraterna; a celebração eucarística; Judeus Cristãos.

A cura de um aleijado (At 3,1-10)

Lucas conta que Pedro e João estavam se dirigindo ao Templo para a oração da nona hora (três da tarde) quando
um homem que era aleijado de nascença lhes implorava por uma esmola. Este homem era conhecido de todos
que frequentavam o Templo, pois, já havia muito tempo que esmolava por ali.

A contagem das horas começava ao nascer do sol, aproximadamente o que chamamos de seis da manhã.
Então, a terceira hora seria nove da manhã; a hora sexta seria o meio-dia e assim por diante.

Pedro ao ouvir o pedido do pobre homem se dirigiu a ele da seguinte forma:

“Nem ouro nem prata possuo. O que tenho, porém, isto te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!.”
(At 3,6 ).

Pedro o tomou pela mão direita e o levantou. Na mesma hora seus pés e calcanhares se firmaram e o homem,
de um salto se pôs de pé e começou a andar e louvava a Deus pelo acontecido. Ele entrou com Pedro e João no
Templo e todas as pessoas se admiravam, pois conheciam de muito tempo aquele que sempre pedia esmolas
na porta, chamada Formosa.

Resumo: Pedro e João; o aleijado; a cura; a admiração do povo.

Discurso de Pedro (At 3,11-26)

Diante da admiração de todos, Pedro disse:

“Homens de Israel, porque vos admirais assim? Ou porque fixais os olhos em nós, como se por nosso próprio
poder ou piedade tivéssemos feito este homem andar? O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, o Deus de nossos
pais glorificou o seu servo Jesus, a quem vós entregastes e negastes diante de Pilatos, quando este já estava
decidido a soltá-lo. Vós acusastes o Santo e o Justo e exigistes que fosse agraciado para vós um assassino,
enquanto fazíeis morrer o príncipe da vida. Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos e disto nós somos
testemunhas. Graças à fé em seu nome, este homem que contemplais e a quem conheceis, foi o Seu nome
que o revigorou; e a fé que nos vem por Ele é que deu a este homem a sua perfeita saúde diante de todos
vós.” (At 3,12-16 ).

Jesus é reconhecido como o Servo de Is 52,13-53,12 e que a cura se dá pela fé em Jesus e não por algum poder
de Pedro.

Pedro continua seu discurso exortando todos ao arrependimento. Lembra ainda que, como previsto pelo profeta,
o Cristo havia de padecer. No entanto, apesar das faltas de todos, o caminho do arrependimento e da conversão
levaria a todos o perdão dos pecados.

Resumo: Jesus é o Servo citado pelos profetas; Jesus é o Cristo (Messias) esperado; O arrependimento e a
conversão, juntamente com a fé em Jesus leva ao perdão dos pecados.

Pedro e João diante no Sinédrio (At 4,1-31)

Lucas narra que naquele momento de agitação vieram os sacerdotes, o oficial do Templo e os saduceus.

Bíblia de Jerusalém:

"O partido da aristocracia sacerdotal, oposto ao partido religioso e popular dos fariseus. Os saduceus
são constantemente apresentados como adversários da doutrina da ressurreição. O antagonismo entre
fariseus e saduceus mais de uma vez transformará os primeiros em aliados dos cristãos (Cf .At 5,34 ; 23,8-9 ;
26,5-8 ; Lc 20,39).”

(Biblia de Jerusalém – NT – Edições Paulinas -2014 – Comentário a At 4,1 - Pág.1907)

Lançaram mãos em Pedro e João e os jogaram na prisão. Apesar disso, mais de cinco mil pessoas se convenceram
pelas palavras de Pedro e se converteram à fé. No dia seguinte reuniram o Sinédrio para julgar os apóstolos.

O Grande Sinédrio de Jerusalém era o tribunal supremo de Israel, o mesmo tribunal que julgou e condenou Jesus.

Lucas nos conta que reuniram os chefes, anciãos e escribas. Estavam lá o sumo sacerdote Anás, e também Caifás,
além de outros de sua linhagem. Eles interrogaram os apóstolos perguntando com que poder ou em nome de
quem tinham curado o aleijado. Lucas nos diz que Pedro, repleto do Espírito Santo, falou:

“Chefes do povo e anciãos! Uma vez que hoje somos interrogados judicialmente a respeito do benefício feito
a um enfermo e de que maneira ele foi curado, seja manifesto a todos vós e a todo o povo de Israel: é em nome
de Jesus Cristo, o Nazareno, aquele a quem vós crucificastes, mas a quem Deus ressuscitou dentre os mortos,
é por seu nome e por nenhum outro que este homem se apresenta curado, diante de vós. É ele a pedra
desprezada por vós, os construtores, mas que se tornou a pedra angular. Pois não há, debaixo do céu, outro
nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos.” (At 4,8-12).

Os membros do sinédrio ficaram admirados com a exposição de Pedro, sabedores de que os apóstolos eram
pessoas iletradas. Reconheceram que eles eram seguidores de Jesus. No entanto, não podiam fazer nada, pois o
aleijado estava diante deles e curado. Deliberaram entre eles e não podendo negar que um grande sinal se realizara,
e que o povo estava admirado, resolveram, com ameaças, proibir aos apóstolos de falar no nome de Jesus a quem
quer que fosse. Pedro e João responderam a eles:

“Julgai se é justo, aos olhos de Deus, obedecer mais a vós do que a Deus. Pois não podemos , nós, deixar de falar
das coisas que vimos e ouvimos.” (At 4,19-20).

Lucas nos conta que diante de tudo isso, por não encontrarem culpa nos apóstolos e por causa do povo,
resolveram soltá-los, não sem antes ameaçá-los. E continua, dizendo que todos glorificavam a Deus pelo acontecido:
um homem que já tinha mais de quarenta anos, aleijado de nascença, estava curado diante deles.

Depois disso, Pedro e Paulo se reuniram com os seus. Contaram a todos o que havia acontecido: como o Espírito
falara através de Pedro, como foram ameaçados, e da admiração de todo o povo. Rezaram juntos e o local onde
estavam estremeceu; todos ficaram repletos do Espírito Santo.

Resumo: Mais de cinco mil pessoas se convertem. Pedro e João são presos. Pedro, inspirado pelo Espírito Santo,
fala ao Sinédrio e deixa a todos perplexos com suas palavras de confiança e força. Os sacerdotes não podem negar
que um grande sinal foi realizado; ameaçam os apóstolos e estes respondem que melhor é servir a Deus que aos
homens; todos glorificam a Deus pelo acontecido. Pedro e Paulo se reúnem com a Igreja, rezam e todos ficam
repletos do Espírito Santo.

A comunidade inicial – Barnabé – Ananias e Safira - (At 4,32- 5,11)

Lucas retoma o tema da primeira comunidade cristã (At 2,42-47) para introduzir os casos de Barnabé, exemplo de
generosidade, e de Ananias e Safira que agiram de outra forma. Barnabé era levita da ilha de Chipre, e proprietário
de um campo, o qual vendeu e deu todo o dinheiro aos apóstolos para as atividades da Igreja.

Os levitas eram israelitas da tribo de Levi. Essa tribo foi escolhida por Deus para cuidar do templo e guiar o povo
na adoração a Deus. Os sacerdotes do templo eram todos descendentes de Arão, que era levita.

Ananias de comum acordo com sua esposa, Safira, vendeu uma propriedade e na hora de dar o dinheiro aos
apóstolos, reteve parte do que havia recebido. O preço pela ação, considerada uma ofensa a Deus, foi a morte
de ambos.

Bíblia de Jerusalém:

“O tema aqui é a comunhão dos bens; introduz os dois exemplos que seguem: Barnabé, Ananias e
Safira. A insistência no despojamento efetivo das riquezas caracteriza a religião de Lucas (cf. Lc 12,33+).”

(Biblia de Jerusalém – NT – Edições Paulinas -2014 – Comentário a At 4,32 - Pág.1908)

Na censura verbal que Lucas coloca na boca de Pedro, podemos entender como a Igreja nascente ainda estava
teologicamente muito próxima da religião judaica. Quando Pedro censura Ananias, o acusa de mentir a Deus,
mas quando admoesta Safira, Pedro a acusa de tentar o Espírito do Senhor. Não havia ainda o entendimento
sobre a Trindade eterna. Deus, era o Deus de Israel também para a Igreja cristã da época em que Lucas escreveu.

Resumo: A comunhão dos bens, o exemplo de Barnabé, o exemplo de Ananias e Safira.

Os fiéis, as curas, os apóstolos diante do Sinédrio - (At 5,12-33)

Lucas nos conta que os fiéis estavam todos sempre juntos e que o povo os admirava. Cada vez mais pessoas
aderiam à comunidade cristã e a fé era tanta que traziam doentes de Jerusalém e região; os colocavam em leitos
e macas nas ruas, na esperança que ao menos a sombra de Pedro os cobrisse. E eram todos curados.
O sumo sacerdote, Anás, juntamente com os seus saduceus, tomados de inveja, lançaram todos na prisão.
De nada adiantou, nos narra Lucas, pois de forma milagrosa o Anjo de Senhor os liberta e diz:

“Ide e, apresentando-vos no Templo, anunciai com ousadia ao povo as palavras desta vida .” (At 5,20).

No dia seguinte estavam todos de novo no Templo a ensinar.

Sem saber da libertação dos apóstolos, o sumo sacerdote convocou o Sinédrio e mandou buscar os presos no
cárcere.Os servos foram, mas encontraram as celas vazias. Retornaram ao sumo sacerdote e disseram que, apesar
das celas estarem fechadas com toda segurança e os guardas estarem de vigia à entrada, quando às abriram
não acharam ninguém lá dentro.
Os sacerdotes ficaram aturdidos com o fato, mas antes que se recuperassem do golpe, foram avisados que,
aqueles que deviam estar presos, estavam no Templo, novamente ensinando o povo.
Novamente, o oficial do Templo, juntamente com seus soldados, levaram os apóstolos até o sumo sacerdote ,
mas sem violência, pois temiam ser apedrejados pelo povo.

O sumo sacerdote se dirigiu aos apóstolos com as seguintes palavras:

“Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome. No entanto, enchestes Jerusalém com a
vossa doutrina, querendo fazer recair sobre nós o sangue desse homem!” (At 5,28).

A resposta de Pedro e dos apóstolos foi a seguinte:

“É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem
vós matastes, suspendendo-o no madeiro. Deus, porém, o exaltou com a sua direita, fazendo-o chefe e
Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e remissão dos pecados. Nós somos testemunhas
destas coisas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu aos que lhe obedecem.” (At 5,29-32).

Chamar Jesus de Chefe e Salvador deve ter sido demais para o sumo sacerdote, pois este era o nome dado a
Moisés, como figura do Cristo que havia de vir. Pedro, assim apresentava Jesus como o Messias esperado por
Israel. Uma blasfêmia no entender dos homens do Templo.

Lucas nos informa que diante da resposta dos apóstolos o sumo sacerdote e os seus tremiam de raiva e
planejavam matá-los.

Resumo: As curas realizadas por Pedro. A inveja do sumo sacerdote, a prisão e libertação miraculosa dos apóstolos.
Os apóstolos diante do Sinédrio. Jesus é o chefe e Salvador, Príncipe da Vida.

Gamaliel - (At 5,35-42)

Lucas nos conta que, no Sinédrio havia um fariseu, chamado Gamaliel. Era doutor da Lei e contava com o
respeito e admiração de todo o povo.

Lucas, aqui, prepara a introdução ao apóstolo Paulo, pois este foi aluno de Gamaliel.

Ele se levantou e disse:

“Varões de Israel, atentai bem no que fareis a estes homens. Antes destes nossos dias surgiu Teudas que
pretendia ser alguém, e ao qual aderiram cerca de quatrocentos homens. Mas foi morto, e todos os que lhe
deram crédito debandaram e foram reduzidos a nada. Depois dele veio Judas, o Galileu, na época do
recenseamento, atraindo o povo atrás de si. Pereceu ele também, e todos os que lhe obedeciam foram
dispersos. Agora, portanto, digo-vos, deixai de ocupar-vos com estes homens. Soltai-os. Pois, se o seu intento
ou sua obra provém dos homens, destruir-se-á por si mesma; se vem de Deus, porém, não podereis destrui-los.
Não aconteça que vos encontreis movendo guerra contra Deus .” (At 5,35-39).

Lucas nos informa que concordaram com ele e depois de baterem nos apóstolos com varas e os proibirem de
falar em nome de Jesus, os libertaram.

Bíblia de Jerusalém:

“Gamaliel I, mestre de São Paulo (At 22,3) era o herdeiro do pensamento de Hilel e o representante proeminente
da tendência laxa e mais humana na interpretação da Lei. Sua intervenção corresponde à atitude geral do
partido farisaico).”

(Biblia de Jerusalém – NT – Edições Paulinas -2014 – Comentário a At 5,35-42 - Pág.1910)

Os apóstolos saíram do Sinédrio muito felizes, regozijando-se, por terem sido dignos de sofrer em nome de Jesus
Cristo. Apesar da proibição, todos os dias, continuavam ensinando no Templo e pelas casas a Boa Nova de Cristo
Jesus.

Bíblia de Jerusalém:

“As insurreições de Judas, o Galileu e de Teudas são mencionadas por Josefo que as data, respectivamente no
tempo do recenseamento sob Quirino (6 d.C. ; cf.Lc,2,2+) e no mandato do procurador Cúspio Fado(44-46).”

(Biblia de Jerusalém – NT – Edições Paulinas -2014 – Comentário a At 5,37 - Pág.1910)

As informações de Flávio Josefo corroboram a informação de Lucas 2,2+ de que houve o recenseamento, sob
Quirino, que obrigou Maria e José a se deslocarem até Belém.

Flávio Josefo:

“Passando um tempo, enquanto Cuspius Fadus era procurador da Judeia, um certo charlatão, cujo nome era
Teudas, persuadiu muitas pessoas do povo simples a tomar seus haveres e acompanhá-lo até o rio Jordão.
Dizia que era profeta, e que à sua ordem o rio se separaria abrindo fácil passagem para eles. Com essas
palavras iludiu a muitos. Mas Fado não permitiu que eles consumassem essa loucura. Enviou uma unidade
de cavalaria contra eles, que matou muitos num ataque de surpresa e também capturou muitos vivos.
Tendo capturado Teudas, cortaram-lhe a cabeça e a levaram a Jerusalém.”

(Antiguidades Judaicas – 20.97-98)

Resumo: Gamaliel chama a atenção do Sinédrio para não serem pegos em uma guerra contra o próprio Deus.
Os apóstolos são açoitados e se regozijam por poderem sofrer pelo nome de Jesus. Todos, todos os dias, se
mantém firmes ensinando, tanto no templo quanto nas casas, celebrando a Eucaristia.




Bibliografia:

- Biblia de Jerusalém – NT – Edições Paulinas - 2014

- Biblia do Peregrino – NT – Editora Paulus - 2005

- Alfred Lappe – As Origens da Bíblia – Vozes 1973

- Alfred Lappe – Interpretação Atualizada e Catequese V.04 – N.T. – Paulinas -1980

- J.Auneau – F.Bovon – M.Gougues E.Charpentier-J.Radermakers –Evangelhos Sinóticos e Atos dos Apóstolos- Ed. Paulinas – 1985

- Die Apostelgeschichte (Os Atos dos Apóstolos), Gottingen, 1959

- Antiguidades Judaicas – Flávio Josefo

- Uma Leitura dos Atos dos Apóstolos - Cadernos Bíblicos 19 - Paulus e Academia Cristã – 2014

- A Bíblia e nós – Andrew M.Greeley e Jacob Neusner- Siciliano - 1993

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