CURSO DE BÍBLIA PARA INICIANTES

AULA 17 - APOCALIPSE DE JOÃO.

Sete Visões da Queda da Babilônia (Ap 16,18-19,5)

COMO FOI DIVIDIDO?

XVIII – Introdução às Visões sobre a queda da Babilônia. (Ap 16,18-21)

Houve então relâmpagos, vozes, trovões e um forte terremoto como nunca houve antes. A Grande Cidade se
dividiu em três partes e as cidades das nações caíram. Deus se lembrou de Babilônia, a Grande, para lhe dar
o cálice do vinho do furor da sua ira. As ilhas fugiram, os montes desapareceram; do céu caiu sobre os
homens um granizo pesado e os homens blasfemaram contra Deus, pois o seu flagelo era muito grande.

Estes fenômenos cósmicos simbolizam todas as potências terrestres que serão derrotadas pela cólera divina.
A sétima taça é o início do fim da capital imperial (ROMA) e todos seus seguidores, que, apesar de todos os
castigos, permanecem no erro e persistem em blasfemar contra Deus.

XIX – Sete Visões da queda da Babilônia. (Ap 17,1-19,5)

Primeira Visão: (Ap 17,1-18) – Babilônia, a grande meretriz -

Um dos Anjos das sete taças diz a João:

“Vem! Vou mostrar-te o julgamento da grande Prostituta que está sentada à beira de águas copiosas; os reis
da terra se prostituíram com ela, e com o vinho da sua prostituição embriagaram-se os habitantes da terra.”
(Ap 17, 1-2).

João diz que o Anjo o levou “em espírito” ao deserto. Lá ele viu uma mulher sentada sobre uma Besta vermelha,
cheia de títulos blasfemos, com sete cabeças e dez chifres.

A mulher estava vestida de púrpura e escarlate, adornada com ouro, pedras preciosas e pérolas. Ela tinha na mão
um cálice de ouro cheio de abominações: as impurezas da sua prostituição.
Sobre a sua fronte estava escrito um nome, um mistério:

“Babilônia a Grande, a mãe de todas as prostitutas e de todas as abominações da terra” (Ap 17,5).

O autor fala de Babilônia, mas se refere, na verdade, ao poder do império romano.
A grande Prostituta é a Roma idólatra, perseguidora da Igreja.
Da mesma forma, como Jerusalém, Babilônia é personificada por uma mulher.
As sete cabeças são as sete colinas de Roma:
Quirinal, Viminal, Esquilino, Capitolino, Célio, Palatino e Aventino;
ou sete imperadores:
Augusto, Tibério, Calígula, Cláudio, Nero, Vespasiano, Tito e Domiciano.

Os dez chifres são dez reis vassalos que se revoltam contra o jugo do império.

A Besta representa um imperador.
Sem dúvida, Nero “redivivo”, conforme lenda de que ele estaria vivo e retornaria com poder, como já vimos,
acima, no Item XV – Os Sete Sinais- Terceiro Sinal.

Roma está “sentada à beira de águas copiosas” .
O autor retoma a metáfora de Jeremias 51,13 que se refere à Babilônia.

“Ó tu, que habitas sobre muitas águas, rica de tesouros, é chegado o teu fim, a medida da tua avareza."
(Jr 51,13).

Este tipo de referência acontece também no Livro de Daniel.
Ele foi escrito na época dos Macabeus, aproximadamente entre 167 e 163 a.C..

Nesta época Jerusalém estava sob o domínio de Antíoco II, Epífanes, rei da Síria.

O livro de Daniel fala do rei babilônico, Nabucodonosor (Nebukadnezar II, 605-562 a.C.), conquistador de
Jerusalém, referindo-se na verdade ao rei da Síria que dominava a região à época dos macabeus.

O Apocalipse de João lança mão do mesmo artifício, agora associando Babilônia a Roma.

A mulher traz na testa um nome:
Aqui temos uma dupla referência.

1ª) Porque o imperador arrogava para si o título de Divino.
2ª) Porque era comum em Roma que as prostitutas tivessem uma fita na testa com o seu próprio nome escrito.

João viu que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos e das testemunhas de Jesus. Ele diz
que ficou profundamente admirado com essa visão. O Anjo então lhe disse:

“Por que estás admirado? Eu te explicarei o mistério da mulher e da Besta de sete cabeças e dez
chifres que a carrega.” (Ap 17,7).

O Anjo explica:

“A Besta que viste existia, mas não existe mais; está para subir do Abismo, mas caminha para a perdição.
Os habitantes da terra, cujo nome não está escrito no livro da vida desde a fundação do mundo, ficarão
admirados ao ver a Besta, pois ela existia, não existe mais, mas reaparecerá.
Aqui é necessário a inteligência que tem discernimento:
as sete cabeças são sete montes sobre os quais a mulher está sentada.” (Ap 17,8-9).

A Besta que existia e não existe mais é Nero redivivo conforme a lenda já explicada anteriormente.
Os habitantes da terra cujos nomes não estão no livro da vida são os inimigos da Igreja, romanos e seus aliados
que perseguem a Igreja.
Novamente o autor diz que é preciso inteligência e discernimento para saber que as sete cabeças são as sete colinas
de Roma. É ela mesma a Grande Prostituta.

O Anjo continua:

“São também sete reis, dos quais cinco já caíram, um existe e o outro ainda não veio, mas quando vier
permanecerá por pouco tempo. A Besta que existia e não existe mais é ela própria o oitavo e também um
dos sete, mas caminha para a perdição. (Ap 17,10-11).

As sete cabeças se referem a sete imperadores romanos:
Augusto (31aC.- 14 dC.),
Tibério (14-37 dC.),
Calígula (37-41 dC.),
Cláudio (41-54 dC.),
Nero (54-68 dC.),
Vespasiano (69-79 dC.),
Tito (79-81 dC.) e
Domiciano (81-96 dC.).

O período 68-69 teve três imperadores Galba, Otão e Vitélio num momento de lutas internas que não
foram considerados pelo autor do Apocalipse.

Vamos analisar e entender a que época se refere o autor:

“...cinco já caíram..”

Já haviam morrido Augusto, Tibério, Calígula, Cláudio e Nero, sobre o qual existia a lenda de que voltaria.

“...um existe...”

Um reinava na época do autor, ou seja, o sexto: Vespasiano. A primeira parte do Apocalipse foi escrita nesta época.

“...e o outro ainda não veio, mas quando vier permanecerá por pouco tempo.”

Era Tito, o sétimo, que teve um reinado curto, de apenas 2 anos.

“.... A Besta que existia e não existe mais é ela própria o oitavo e também um dos sete..”

A Besta então é Nero, um dos sete, “reencarnado” em Domiciano, que é o oitavo.

O Anjo continua a explicar:

“Os dez chifres que viste são dez reis que ainda não receberam um reino. Estes, porém,receberão autoridade
como reis por uma hora apenas, juntamente com a Besta. Tais reis têm um só desígnio: entregar seu
poder e autoridade à Besta. Farão guerra contra o Cordeiro, mas o Cordeiro os vencerá, porque ele é o Senhor
dos senhores e Rei dos reis, e com ele vencerão também os chamados, os escolhidos, os fiéis.”
(Ap 17,12-14)

Os dez chifres (sinal de totalidade (dez) de poder (chifre)) são nações vassalas de Roma que obedecem ao
império e também perseguem a Igreja. Os dez chifres se referem também a todos os cúmplices de Roma que
de uma forma ou de outra oferecem seus serviços ao poder de Roma.
O autor diz que não durarão muito, apenas uma hora, ou seja, pouco tempo, porém não especificado.
Numa clara alusão ao culto dos imperadores romanos, o autor chama a Cristo de :

“...Senhor dos senhores e Rei dos reis...” (Ap 17,14).

A mensagem é de esperança, o Cordeiro vencerá e com Ele todos que Lhe são fiéis.

O Anjo termina de explicar o simbolismo da Besta e da Prostituta:

“As águas que viste, onde a Prostituta está sentada, são povos e multidões, nações e línguas. Os dez chifres
que viste e a Besta, contudo, odiarão a Prostituta e a despojarão, deixando-a nua; comerão suas carnes
e a entregarão às chamas, pois Deus lhes colocou no coração realizar o Seu desígnio:
entregar sua realeza à Besta, até que as palavras de Deus estejam cumpridas
A mulher que viste, enfim, é a Grande Cidade que está reinando sobre os reis da terra.” (Ap 17,15-18).

O autor explica que as nações vassalas,por desígnio de Deus se revoltarão contra Roma e o império cairá.
Os antigos aliados se tornarão inimigos.
Explica que, até mesmo o fato de entregarem a realeza à Besta obedece aos desígnios de Deus.
Tudo que acontece e acontecerá está nos planos de Deus.
Enfim, deixa claro quem é a mulher, a Grande Prostituta, a Grande Cidade:

É ROMA.

Segunda Visão: (Ap 18,1-3) – Anúncio do Juízo sobre Babilônia. -

O vidente diz que viu outro Anjo descendo do céu. Este Anjo tinha um grande poder e a terra ficou iluminada
com a sua glória.

Este Anjo traz a mensagem do poder de Deus sobre Babilônia (Roma). É o próprio Deus que é apresentado
aqui pelo grande poder capaz de iluminar toda a terra com Sua glória.
Inspirado em Ez 27-28, é anunciada a queda de Babilônia.

O Anjo gritou com voz poderosa:

“Caiu! Caiu Babilônia, a Grande!
Tornou-se moradia de demônios, abrigo de todo tipo de espíritos imundos, abrigo de todo tipo de aves
impuras e repelentes, porque ela embriagou as nações com o vinho do furor da sua prostituição;
com ela se prostituíram os reis da terra, e os mercadores da terra se enriqueceram graças ao seu luxo
desenfreado.” (Ap 18,2-3).

Repetindo Ap 14,8, uma segunda vez é proferido o anúncio do juízo sobre o império romano.
Roma é a personificação do anticristo, com seu culto imperial, comparado a magias demoníacas.
Toda riqueza, orgulho e ostentação são apenas uma máscara que esconde a verdadeira realidade de uma
cidade prenhe de hipocrisia, podridão e imundícies.
O texto duro deixa claro que todo o brilho de Roma se apaga diante da luz da glória do Deus verdadeiro que
defende os seus fiéis.

Terceira Visão: (Ap 18,4-8) – O Povo de Deus é convidado à fuga. -

O vidente informa que ouviu outra voz do céu que dizia:

“Saí dela, ó meu povo, para que não sejais cúmplices dos seus pecados e atingidos pelas suas pragas;
porque seus pecados se amontoaram até ao céu, e Deus se lembrou das suas iniquidades.” (Ap 18,4-5).

A voz é a mesma de Ap 16,17.
A interjeição: “... ó meu povo,...” fez que muitos estudiosos considerassem a voz como sendo de Cristo.
Os cristãos não devem participar das iniquidades praticadas no culto imperial, assim como, não devem trabalhar
com ou para a riqueza de Roma. Não devem trazer na fronte ou na mão, a marca que os funcionários romanos
faziam identificando os cidadãos que podiam ser comerciantes em Roma, como vimos na Aula 17-D, no Quinto Sinal.

O autor traz uma palavra de esperança para todos os excluídos. Esta mesma palavra de esperança vem até os
dias de hoje para todos os excluídos.
Os ANAWIN, os pobres de Deus.
Assim, também hoje, os cristãos precisam se afastar do “mundo” e estar em constante êxodo.

Alfred Lappe:

"A coragem de empreender o êxodo, a saída do mundo e o exílio é um componente essencial da vida cristã.”

(Alfred Lappe –A Mensagem do Apocalipse para o Nosso Tempo – Ed.Paulinas - 1971 - Pág.184)

Ser sinal de contradição é inerente à vida cristã. Deixar-se envolver pelos cuidados do mundo fatalmente coloca-nos
sob o seu poder e sob seu jugo: uma vida de castigos e infelicidade, mesmo que repleta de riquezas materiais.

A voz continua:

“Devolvei-lhe o mesmo que ela pagou, pagai-lhe o dobro, conforme suas obras;
no cálice em que ela misturou, misturai para ela o dobro.
O tanto que ela se concedia em glória e luxo, devolvei-lhe em tormento e luto, porque, em seu coração,
ela dizia: ‘Estou sentada como rainha, não sou viúva e nunca experimentarei luto...’ (Ap 18,6-7).

O texto, espantoso para nós cristãos do Século XXI, que somos chamados sempre a ter tolerância,
compaixão e misericórdia, retoma Jr 50,15 e 16,18 e todo tipo de justiça da época.
Não podemos esquecer que o povo daquela época, de maioria analfabeta, guardava na memória todas as lições
ouvidas sobre o A.T..
Então, quando o texto do Apocalipse fazia referência a alguma citação do A.T. era prontamente compreendido.

Aqui o vidente informa que o juízo será pela Lei de Talião ou pior: Devolver em dobro.
O fato de a punição ser maior que a culpa avisa que o juízo de Deus é terrível.

A soberba de Roma, que se acha imune, será recompensada com tormento e luto de viúva. Ela que se julga
acima de tudo e imagina que nunca estará em condição como a de uma viúva.

Naquela época um grande problema social eram as mulheres que ficavam viúvas.
Elas não tinham como se manter financeiramente e contavam com o acolhimento e o socorro dos irmãos da Igreja.
Lembremos um documento da época que estudaremos em breve, com o auxílio de Deus:

“Com efeito, a religião pura e sem mácula diante de Deus, nosso Pai, consiste nisso: em assistir os órfãos e
as viúvas em suas tribulações e em guardar-se livre da corrupção do mundo.” (Tiago 1,27).

Em outras palavras: Roma passará pelas mesmas tribulações dos mais pobres e excluídos, tomada e invadida
pelos antigos aliados, agora inimigos.

E a voz continua:

“Por isso as suas pragas virão num só dia: morte, luto e fome, e pelo fogo será devorada, porque o Senhor
Deus que a julgou é forte.” (Ap 18,8).

O relato da rapidez do castigo se inspira em Jr 50,32-34 ; Is 47,8-9 e Ez 28,18.
Apesar de todos os avisos, os maus persistem na sua maldade, os injustos na sua injustiça.
Roma na soberba que conduz à perdição.
Esta mensagem do Apocalipse ainda brilha nos dias de hoje. Ainda hoje persistem as situações de injustiça
que levam o pecador infalivelmente à uma vida de sofrimento imediato, longe de Deus, numa vida que
não satisfaz, numa busca que nunca termina, numa sede que nunca se sacia.

Quarta Visão: (Ap 18,9-19) – Tríplice lamentação sobre Babilônia. -

Na quarta visão da queda de Babilônia são narradas as lamentações daqueles que lucraram como aliados
de Roma e que agora compartilharão dos seus prejuízos.
O texto se inspira em Is 23,1-2 ; Ez 26,16-18; 27,12-24.30-36

Primeira Lamentação – Dos Reis da Terra – (Ap 18,9-10)

O vidente narra que os reis da terra, que se prostituíram com Roma e compartilharam de seu luxo vão agora,
à distância lamentar sua queda:

“Ai, ai, ó grande cidade, ó Babilônia, cidade poderosa, uma hora apenas bastou para o teu julgamento!”
(Ap 18,10b).

Os reis da terra são as nações vassalas de Roma. Estas nações lucraram com o poder de Roma e são cúmplices
de sua perseguição contra a Igreja. Eles não reconhecem sua culpa nem mesmo diante da ruína de Roma.
Pensam apenas nas coisas terrenas. Sua visão não vai além de suas posses.
Não é o Apocalipse um livro que fala para os nossos dias?
No caminho dos pobres de Deus, hoje, como ontem, persistem os homens e nações que ainda perseguem o
novo Povo de Deus.

Segunda Lamentação – Dos Mercadores e Traficantes – (Ap 18,11-17a)

Os mercadores e traficantes também se postam à distância e se lamentam porque não tem mais para quem
vender suas mercadorias. Não há quem compre mais seu ouro e prata, suas pedras preciosas, linho, púrpura,
etc. Não há quem compre madeiras de lei, cobre e ferro; nem perfumes, nem bebidas, nem animais, nem carros,
nem escravos e nem vidas humanas. Tudo que era opulência e esplendor está perdido:

“Ai, ai, ó grande cidade, vestias linho puro, púrpura e escarlate, e te adornavas com ouro, pedras
preciosas e pérolas: numa só hora tanta riqueza foi reduzida a nada!” (Ap 18,16-17).

O texto mostra, agora, os comerciantes que nem mesmo pensam na queda de Roma; sua preocupação
são suas mercadorias. Sejam elas apenas matéria inerte ou seres vivos, até mesmo seres humanos.
Tudo é mercadoria que precisava ser vendida e gerar lucro.

“...pois onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mt.6,21).

Estão presos aos bens materiais, ao luxo e poder compartilhados com Roma.
Sua opulência e poder escancara do outro lado a injustiça social.
Alguma similaridade com nossos dias do século XXI?

Terceira Lamentação – Dos Navegadores e Marinheiros – (Ap 18,17a-19)

Também estes se mantiveram à distância e atirando cinzas sobre a cabeça, chorando e se enlutando, gritavam:

“Ai,ai ó grande cidade,com tua opulência se enriqueceram todos os que tinham navios no mar:
numa hora apenas foi arruinada!” (Ap 18,19).

O terceiro lamento traz uma pequena ponta de arrependimento (atiraram cinzas sobre a cabeça).
Ou seria a dor pelos prejuízos?
O texto se inspira na narração da cidade de Tiro (Ez 27,12-24).
Todos os três lamentos mostram covardes que se mantém à distância para não se comprometerem.
Todos os três lamentos mostram dor e consternação pela queda de tão grande poder.
Todos os três lamentos não mostram arrependimento e conversão.
Nenhuma mudança de atitude, o que só aumenta a culpa.

Quinta Visão: (Ap 18,20) – Júbilo no Céu. -

A quinta visão nos é apresentada num único versículo:

“Exultai por sua causa, ó céu, e vós, santos, apóstolos e profetas, pois, julgando-a, Deus vos fez justiça.”
( (Ap 18,20).

O vidente informa que há exultação no céu, pois julgando Roma, Deus fez justiça a santos, apóstolos e profetas.
É típico do estilo apocalíptico e não deve nos causar escândalo o fato de se festejar a derrota dos poderes do mal.
A citação de “..santos, apóstolo e profetas..” nos remete a São Paulo e 1 Cor 12,28.

Alfred Lappe:

"Os “profetas” não designam os profetas do Antigo Testamento, mas os carismáticos das primitivas
comunidades, aos quais se referia São Paulo (1 Cor 12,28):

‘Deus constituiu a alguns na Igreja: primeiro apóstolos, segundo profetas...”

É possível que o Apocalipse ao adotar a ordem seguida por São Paulo, se haja apoiado na estrutura
característica das comunidades no cristianismo primitivo tardio.
Os apóstolos e seus discípulos imediatos ocupavam os postos de dirigentes, enquanto trabalhavam ao
lado deles pessoas dotadas de carismas .”

(Alfred Lappe –A Mensagem do Apocalipse para o Nosso Tempo – Ed.Paulinas -1971 – Pág.188)

Sexta Visão: (Ap 18,21-24) – O Juízo. -

O vidente narra que um Anjo poderoso levantou uma pedra, como uma grande mó, e a atirou ao mar, dizendo:

“Com tal ímpeto será lançada Babilônia, a grande cidade, e nunca mais será encontrada; e o canto de
harpistas e músicos, de flautistas e tocadores de trombeta, em ti não mais se ouvirá; e nenhum artífice de
qualquer arte jamais em ti se encontrará; e o canto do moinho em ti não mais se ouvirá; e a luz da lâmpada
nunca mais em ti brilhará; e a voz do esposo e da esposa em ti não mais se ouvirá, porque os teus mercadores
eram magnatas da terra e com tua magia as nações todas foram seduzidas; e nela foi encontrado
sangue de profetas e santos,e de todos os que foram imolados sobre a terra.” (Ap 18,21-24).

Atirar ao mar as forças do mal é imagem recorrente no Antigo Testamento, como em Jr 51,63s.
O apócrifo 2 Esdr também apresenta a imagem em 9,11.

Jesus também faz citação semelhante em Mt 18,6.

O que se destaca aqui é a repetição de tudo que se perdeu:
Não há mais música, artes, vozes, luzes, enfim, vida. Tudo morreu. É o fim.
O mal é cobrado por todo o sangue derramado desde Abel.

Sétima Visão: (Ap 19,1-5) – Cantos de Triunfo no Céu. -

João narra que depois das lamentações ouviu um forte barulho que vinha do céu, como de uma grande
multidão aclamando:

“Aleluia! A salvação, a glória e o poder do nosso Deus, porque seus julgamentos são verdadeiros e justos.
Sim! Ele julgou a grande Prostituta, que corrompeu a terra com a sua prostituição, e nela vingou o sangue
dos seus servos!”
E acrescentaram: “ Aleluia! Dela sobe a fumaça pelos séculos dos séculos!” (Ap 19,1-3).

Em contraste com as lamentações daqueles que escolheram servir ao que é maligno, ouve-se a multidão dos
santos e mártires, aqueles que foram salvos.
Aqui, novamente há uma resposta a Ap 6,10.
Assim como aconteceu no derramamento da Terceira Taça de Furor, o clamor dos santos e mártires foi atendido.

João narra, ainda, que os vinte e quatro Anciãos e os quatro Animais se prostraram então diante do Deus
que está sentado no trono e disseram :

“Amém. Aleluia!” (Ap 19,4).

Você, leitor, já deve ter se acostumado com o estilo do Apocalipse e sabe que o autor está dizendo que :
Tudo, os homens, a natureza, enfim, toda a criação louvam ao Deus Único e Verdadeiro.

O vidente diz que então saiu do trono uma voz que convidava:

“Daí louvores ao nosso Deus, vós todos, seus servos, e vós que o temeis, os pequenos e os grandes!” (Ap 19,5).

A voz que sai do trono é a voz do Cordeiro vitorioso. Como em Ap 5,6:

“...entre o trono com os quatro Animais e os Anciãos, vi um Cordeiro de pé, como que imolado.” (Ap 5,6).

Bibliografia:

- Biblia de Jerusalém – NT – Edições Paulinas - 1973

- Biblia de Jerusalém – Editora Paulus - 2014

- Biblia do Peregrino- NT - Editora Paulus - 2005

- Alfred Lappe –A Mensagem do Apocalipse para o Nosso Tempo – Ed.Paulinas -1971

- Alfred Lappe – Interpretação Atualizada e Catequese – Vol.04 – N.T. – Paulinas -1980

- A Comunidade do Discípulo Amado. - Raymond Edward Brown - Ed.Paulus -2013

- O Apocalipse de São João-Uma Chave de Leitura –Esperança de Um Povo que Luta- Frei Carlos Mesters-Edições Paulinas.

- Agora Entendo o Apocalipse – Antônio Guilherme Grings - Ed.La Salle -1976 -

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