CURSO DE BÍBLIA PARA INICIANTES

AULA 10 - O EVANGELHO DE LUCAS.

QUEM ESCREVEU ?

A tradição da igreja intitulou este evangelho como “segundo Lucas”. Este Lucas provavelmente é o médico
que acompanhou o apóstolo Paulo em várias viagens, chamado de “médico amado” em Colossenses 4,14:

“Saúda-vos Lucas, o médico amado, e Demas.”

Assim diz a Biblia de Jerusalém:

“ O autor apresenta as qualidades de um historiador, cuidadoso e fiel com suas fontes e escrevendo num
grego impecável, principalmente quando depende só de sua fontes particulares. Percebe-se um estilo de
menor qualidade quando, por respeito às suas fontes, Lucas escreve conservando certas imperfeições dos
textos originais de Marcos e Mateus.”

Lucas apresenta, ao longo de seu evangelho, várias citações de datas e locais que permitem um paralelismo entre
a história bíblica e a profana o que , sem dúvida, é um facilitador para a compreensão de seu público gentio.
Por exemplo: Lucas é o único evangelista que explica porque Maria e José tiveram de ir de Nazaré para Belém,
onde Jesus viria a nascer, devido a um edito de César Augusto, ordenando um recenseamento.

“Naqueles dias apareceu um edito de César Augusto, ordenando o recenseamento de todo o mundo habitado.
Este recenseamento foi o primeiro enquanto Quirino era governador da Síria." (Lc 2,1-2 )

Há outros exemplos em que Lucas faz este tipo de citação e/ou descrições de lugares e fatos históricos.
Como exercício procure outras citações ao longo do evangelho.

QUANDO ESCREVEU ?

Quanto à época em que foi escrito, há concordância entre os exegetas que foi entre 80 e 90 d.C..
A Bíblia do Peregrino diz:

“O autor tem notícia da destruição de Jerusalém, mas não da perseguição de Domiciano; parece viver a tensão
crescente e a rejeição próxima por parte da sinagoga.
Estes dados sugerem como data de composição a década de 80-90.”

PARA QUEM E ONDE FOI ESCRITO ?

A comunidade para a qual foi escrito este evangelho era constituída de pagãos convertidos ao cristianismo,
provavelmente comunidades da Ásia Menor, região onde Paulo exerceu seu ministério. Já houve até quem
chamasse este evangelho, de evangelho de Paulo, o certo é que é uma comunidade de gentios e não de judeus.
O evangelho é endereçado a uma pessoa de nome Teófilo; provavelmente um líder ou pessoa abastada e
mantenedora das atividades da comunidade.
Nesta época, era comum pessoas mais ricas, convertidas, cederem seus bens e sua casa para as reuniões e
celebração da Eucaristia.
Eles não estavam na Palestina e não conheciam Jerusalém. Sabemos disso porque todas as vezes que Lucas faz
citações destes lugares, segue-se um relato detalhado e minucioso dos mesmos. Isto não faria sentido se a
comunidade fosse de judeus ou cristãos da Palestina, conhecedores destes lugares.
Você vai perceber que este evangelho dá destaque à mensagem de Jesus com relação aos pecadores, os excluídos,
os que são considerados impuros, é o Evangelho do Perdão do Pai. Uma comunidade que vinha do paganismo
tinha tudo para se reconhecer nos personagens menos favorecidos, sofridos e ao mesmo tempo acolhidos por
Jesus, que os compara ao filho pródigo, à ovelha perdida, ao bom ladrão, etc.

Originalmente a obra de Lucas era um só “livro” contendo o que chamamos hoje de EVANGELHO DE LUCAS e
OS ATOS DOS APÓSTOLOS. A separação dos dois livros aconteceu, segundo a maioria dos autores, no século II,
quando os cristãos que recopiavam a Bíblia, preferiram colocar juntos os quatro evangelhos. Nesta época, portanto,
o que chamamos de ATOS DOS APÓSTOLOS foi separado do EVANGELHO DE LUCAS.

Veja como começa cada uma destas obras:

“Visto que muitos já tentaram compor uma narração dos fatos que se cumpriram entre nós......a mim
também pareceu conveniente.....escrever-te de modo ordenado, ilustre Teófilo....” (Lc 1,1-4)

“No primeiro livro, ó Teófilo,apresentei tudo quanto Jesus fez e ensinou.....” (At 1,1)

Veja que ambas as obras são dirigidas a Teófilo e em Atos 1,1, Lucas faz menção ao “primeiro livro”, certamente,
o evangelho.

Muitos estudiosos já debateram sobre quem seria este TEÓFILO.
Seria uma pessoa ou uma comunidade?

Veja alguns comentários, tirados do site: http://www.abiblia.org/ver.php?id=3781

O personagem Teófilo.

Muitos autores debateram com respeito a esta personagem, que aparece na abertura do evangelho.
Afinal quem ele era? Existiu de fato? Ou foi apenas um recurso de linguagem. O nome Teófilo vem do grego
que quer dizer, “Teo = Deus”, “filos = amigo”, seria na tradução “o amigo de Deus”.
Lucas, como ele mesmo afirma, queria que Teófilo conferisse a veracidade dos fatos, pudesse conhecer de
perto Jesus Cristo e sua doutrina. A leitura do texto sugere que Teófilo seria um alto funcionário do
Império Romano, que de fato existiu, convertido ao cristianismo.
Se ele possuía a habilidade da língua grega, latina, sua leitura e compreensão, não poderia ser um cidadão
comum, ou analfabeto. Lucas queria que ele tomasse conhecimento de sua narrativa, com ordem
descritiva, narrando os fatos da vida de Jesus. Como era costume da época, certamente Teófilo, teria
patrocinado este escrito e depois iria difundi-lo entre seu círculo de relacionamento.

http://blog.airtonjo.com/2008/11/ivo-storniolo-1944-2008.html

Ivo Storniolo em sua obra “Como ler o evangelho de Lucas” afirma:

“Sua obra foi dedicada a Teófilo, certamente uma pessoa de posição que, segundo o costume, teria patrocinado
e iria difundir os escritos”, pág. 17.

https://pt.wikipedia.org/wiki/D.A._Carson

Na Introdução ao Novo Testamento, D.A.Carson confirma:

“A maneira mais natural de entender a expressão é que Teófilo era uma pessoa de verdade e o mecenas
de Lucas, provavelmente pagando os custos da publicação do livro, e que por isso a ele dirigido.
O adjetivo provavelmente significa que Teófilo era uma pessoa de posição”, pág. 131.

O dicionário enciclopédico da Bíblia no verbete Teófilo assim se expressa:

“cristão nobre, provavelmente de Antioquia, ao qual São Lucas dedicou seu evangelho (Lc 1,3) e os Atos dos
Apóstolos (At 1,1)”, pág. 1491.

COMO FOI DIVIDIDO ESTE EVANGELHO ?

Prólogo - Dedicatória a Teófilo. (Lc 1,1-4)

Como já explicado acima.

I – Nascimento e vida oculta de João Batista e Jesus. (Lc 1,5 – 2,52)

O evangelho de Lucas é o que narra mais detalhes sobre acontecimentos antes do nascimento de Jesus e sua
infância. Esta parte é chamada por muitos de Evangelho da Infância. Nela Lucas faz uma correspondência entre Isabel
e Maria e João Batista e Jesus.

Primeira correspondência: Isabel e Maria.

Isabel:

Lucas inicia sua narrativa falando sobre Zacarias e Isabel, pais de João Batista. Narra o milagre da gravidez de
Isabel, já que o casal era de idade avançada e Isabel era estéril; de como o anjo Gabriel aparece para Zacarias, lhe
fala sobre o menino que nascerá, “...com o espírito e poder de Elias..." (Lc 1,17) e que deverá se chamar João.

Como já vimos no estudo do Evangelho de Mateus, a vinda do Messias seria precedida pela volta de Elias. (Mt 11,14)

Narra que, algum tempo depois, Isabel concebeu e ela eleva aos céus sua oração de agradecimento:

“Isto fez por mim o Senhor, quando se dignou retirar o meu opróbio perante os homens!" (Lc 1,25)

A esterilidade era considerada uma desonra (Gn 30,23) e até mesmo um castigo (2Sm 6,23;Os 9,11).
Uma estéril jamais poderia ser a mãe do Messias esperado por Israel.

Maria:

Assim como ocorrera com Zacarias, o anjo Gabriel é enviado a Maria e anuncia-lhe que conceberá, dará à luz
um filho que se chamará Jesus. Maria também eleva aos céus sua oração:

“Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!" (Lc 1,38)

Depois, Lucas narra o encontro das duas mães, quando Maria vai ajudar Isabel que estava próxima de dar à luz.
Ao ver Maria, Isabel fica repleta do Espírito Santo e o menino estremece no ventre de mãe. Isabel exclama:

“Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre! Donde me vem que a mãe do meu Senhor
me visite? ...Feliz a que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!" (Lc 1,42-45)

Em seguida, Lucas coloca nos lábios de Maria a oração do Magnificat: “A esperança dos pobres” :

“A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espirito exulta em Deus meu Salvador,...O seu nome é santo....
exaltou os humildes,cumulou de bens os famintos,...Socorreu Israel seu servo..." (Lc 1,46-55)

O Magnificat é o texto bíblico mais longo colocado na boca de Maria; inspira-se no cântico de Ana (1Sm 2,1-10)
por ocasião do nascimento do filho Samuel e em outras passagens do AT. É um canto de esperança dos pobres
que esperam em Deus. Colocando na boca de Maria este canto, a comunidade de Lucas quer dizer que Maria faz
parte dos pobres de Deus. Maria, mãe dos pobres.

Segunda correspondência: João e Jesus.

João:

O evangelho prossegue com o nascimento de João Batista e sua circuncisão. Lucas agora coloca nos lábios de
Zacarias a oração do Benedictus: “A misericórdia para os pobres”:

“Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e redimiu seu povo....salvação que nos liberta...que
nós o sirvamos com santidade e justiça...e tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo; pois irás à frente
do Senhor para preparar-lhe os caminhos...para guiar nossos passos no caminho da paz." (Lc 1,67-79)

Em seguida, Lucas fala rapidamente que João seguiu sua vida de forma oculta:

“O menino crescia e se fortalecia em espírito. E habitava nos desertos, até o dia em que se manifestou a
Israel." (Lc 1,80)

Jesus:

Lucas narra a ida de José e Maria para Belém, onde Jesus nasceu. Em vez dos Reis Magos de Mateus, Lucas
conta a aparição do Anjo do Senhor aos pastores :

“...Não tenhais medo! Eis que eu vos anuncio....Nasceu-vos hoje um Salvador, que é o Cristo Senhor...
encontrareis um recém-nascido...deitado numa manjedoura." (Lc 2,10-12)

Lucas narra então a circuncisão de Jesus e apresentação no templo em Jerusalém. Simeão, homem justo e sobre
o qual se dizia, que recebera uma revelação do E.S, que não morreria antes de ver o Cristo do Senhor, movido
pelo espírito, vai até o templo e ao ver o menino Jesus toma-o nos braços e diz:

“Agora, Soberano Senhor, podes despedir em paz o teu servo....porque meus olhos viram tua salvação...."
(Lc 2,29-32)

E continua:

“Simeão abençoou-os e disse a Maria, a mãe: "Eis que este menino foi colocado para a queda e para o
soerguimento de muitos em Israel, e como um sinal de contradição, e a ti, uma espada traspassará tua alma!". "
(Lc 2,34-35)

Uma profetisa, chamada Ana, ao ver o menino, profetisa a redenção de Jerusalém.

Assim como com João Batista:

“E o menino crescia,....e a graça de Deus estava com ele." (Lc 2,40)

Segue-se o episódio em que Jesus se perde dos pais, numa visita a Jerusalém, durante a páscoa. Ele é encontrado,
três dias depois, junto aos doutores da lei, ouvindo-os e questionando-os, de tal forma que todos ficaram admirados.

Veja a prefiguração: Jesus, três dias, na casa do Pai. Tudo aponta para o acontecimento da páscoa da paixão do
Senhor.

Lucas termina esta parte narrando que foram para Nazaré e Jesus era submisso aos seus pais e que
Maria “...conservava a lembrança de todos estes fatos em seu coração..."

enquanto Jesus “...crescia em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e diante dos homens." .
(Lc 2,52)

Resumo: Revelação a Zacarias, Isabel, revelação a Maria, encontro das duas mães, o Magnificat, nascimento de
João Batista, circuncisão de João Batista, Benedictus, vida oculta de João Batista, nascimento de Jesus, os pastores,
circuncisão de Jesus, apresentação no templo, Simeão e Ana, vida oculta de Jesus.

II - Preparação do Ministério de Jesus. (Lc 3,1 - 4,13)

“No ano décimo quinto do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia,...a palavra
de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto."
(Lc 3,1-2). Assim Lucas descreve o início da pregação de João Batista.

Veja, novamente a preocupação de datar o acontecimento, como já explicado acima. Você verá isto acontecer muitas
vezes neste evangelho, mas, para não ficarmos cansativos, não chamaremos mais a atenção sobre esta peculiaridade
de Lucas e as razões da mesma.

João Batista começa sua pregação proclamando um batismo de conversão para remissão dos pecados, como
profetizado por Isaías (Is 40,3-5):

“Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, .....toda a carne verá a salvação de Deus."
(Lc 3,4-6).

Se você comparar esta citação de Isaías em Mc e Mt , verá que Lucas a prolonga mais do que os outros evangelistas,
para estendê-la até o anúncio da salvação universal, o que inclui também sua comunidade de gentios.

João Batista avisa às multidões sobre o fim iminente e diferentemente de Mc e Mt , aqui ele orienta às pessoas como
devem agir :

“Quem tiver duas túnicas, reparta-as com aquele que não tem, e quem tiver o que comer, faça o mesmo....
e contentai-vos com o vosso soldo."
(Lc 3,11-14).

João fala que ele não é o Messias, que ele batiza com água, mas virá aquele que batizará com o E.S.
Em seguida, Herodes manda prender João e Lucas narra o batismo de Jesus.
É interessante notar que o batismo é narrado após a prisão de João Batista.

Então quem batizou Jesus?

Voltaremos a falar sobre isso na Aula 11, evangelho de João. Aí, analisaremos a evolução do entendimento da
pessoa de Jesus desde Marcos até João e além.

Lucas, a exemplo de Mateus apresenta a genealogia de Jesus. Porém, enquanto Mateus quer mostrar que
Jesus descende de Davi e, porisso, começa em Abraão e vai até Jesus. Lucas inicia em Jesus e vai até Deus,
passando por Adão, apresentando uma genealogia mais universal, o que inclui sua comunidade não-judia.

Lucas narra a tentação no deserto.

Resumo: Pregação de João Batista, prisão de João Batista, batismo de Jesus, genealogia de Jesus, a tentação no
deserto.

III - Ministério de Jesus na Galiléia. (Lc 4,14 - 9,50)

Lucas começa dizendo que, movido pelo Espírito, Jesus volta para a Galiléia, onde sua fama já se espalhara.
Jesus, na sinagoga em Nazaré, lê trecho do profeta Isaías, sobre o Messias, avisa que ali se cumpria a profecia,
não é aceito pelos judeus que tentam matá-lo. Jesus vai para Cafarnaum e cura um endemoniado, depois cura a
sogra de Pedro e faz diversas curas. Deixa secretamente Cafarnaum e percorre a Judéia.

Lucas narra o episódio no qual Pedro passara a noite toda pescando, sem nada conseguir. Jesus diz a Pedro que
lance novamente a rede. Pedro demonstra fé ao dizer que só o faria porque Jesus o mandava. A rede quase se
rompe devido a quantidade de peixes. Pedro se joga aos pés de Jesus pedindo que se afaste dele porque era
um pecador. Jesus responde:

“Não tenhas medo! Doravante serás pescador de homens." (Lc 5,10).

Pedro, Tiago e João deixam tudo e seguem a Jesus. Jesus cura um leproso, cura um paralítico e acontece o
primeiro confronto na Judéia com os escribas e fariseus. Jesus encontra o publicano Levi (Mateus) e o chama
também. Levi deixa tudo e segue Jesus. Levi está tão feliz que dá uma festa em sua casa para receber Jesus.
É o suficiente para que os fariseus e escribas se escandalizem. Jesus responde com ironia:

“Os sãos não têm necessidade de médico e sim os doentes; não vim chamar os justos, mas sim os pecadores,
à conversão." (Lc 5,31).

Jesus debate com os escribas e fariseus, sobre o jejum e sobre guardar o dia de sábado; cura na sinagoga e no
dia de sábado, um homem de mão atrofiada. Os fariseus e escribas tramam contra Jesus.

Jesus escolhe os doze apóstolos entre os que o seguiam, faz seu discurso inaugural, as bem-aventuranças.
Uma versão mais curta que a de Mateus.
Jesus fala sobre como deve ser o proceder de quem quer segui-lo: amar os inimigos, dar a outra face, dar a quem
pedir, e a regra de ouro:

“Como quereis que os outros vos façam, fazei também a eles." (Lc 6,31).

Segue pregando que sejam misericordiosos, que não julguem, que perdoem.

“Dai e vos será dado; ......pois com a medida com que medirdes sereis medidos também." (Lc 6,38).

Jesus pergunta aos seus discípulos: pode um cego guiar outro ? Que se conhece a árvore pelos frutos, que quem
o segue é como um homem prudente que constrói sua casa sobre a rocha.

Jesus cura o servo do centurião e se impressiona com a sua fé:

“Eu vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.” (Lc 7,9).

Jesus cura o filho da viúva de Naim, responde aos discípulos de João Batista sobre se Ele era o Messias, faz exaltação
de João Batista, lamenta que os judeus “não aceitaram” João Batista e nem Ele.

Lucas narra quando Jesus vai comer na casa de um fariseu chamado Simão. Uma mulher pecadora cobre seus pés
de beijos, lava-os com sua lágrimas, enxuga-os com seus cabelos e unge-os com perfume.
Jesus ensina que a quem mais é perdoado maior é a gratidão.

Esta passagem nos outros evangelhos é a Unção em Betânia.

Lucas nomeia as mulheres que seguiam Jesus:

“...Maria ,chamada Madalena, da qual haviam saído sete demônios, Joana, mulher de Cuza, o procurador
de Herodes, Suzana e várias outras, que os serviam com seus bens.”
(Lc 8,2-3).

Jesus conta a parábola do semeador, explica aos discípulos porque fala por parábolas, diz que ninguém acende
uma lâmpada para por debaixo da cama. Os discípulos avisam Jesus que sua família quer vê-lo , mas não
conseguem devido à multidão.

Jesus acalma as águas do lago, expulsa a legião de demônios que estavam num homem e deixa que os
demônios entrem nuns porcos que pastavam por ali.

Jesus é procurado por Jairo,chefe da sinagoga, que de joelhos rogava a Jesus que salvasse sua filha única
que estava doente, Jesus demora enquanto cura uma mulher que tinha um fluxo de sangue, avisam Jairo que sua
filha já havia morrido, que não mais perturbasse o Mestre. Jesus diz:

“Não temas; crê somente, e ela será curada.” (Lc 8,50).

Jesus ressuscita a filha de Jairo.

Jesus envia os Doze em missão e explica que não levem nada, nem bastão, nem alforje, nem pão, nem
dinheiro. Herodes se interessa em conhecer Jesus. Os discípulos voltam da missão, Jesus faz a multiplicação
dos pães.

O evangelho de Lucas , assim como o de João, narra apenas uma multiplicação dos pães, enquanto Marcos e
Mateus narram duas.

Lucas narra a confissão de Pedro e o primeiro anúncio da paixão. Jesus explica quais são as condições para quem
quer seguí-lo, avisa que o Reino de Deus está próximo.

Alguns dias depois Jesus leva Pedro, Tiago e João ao alto da montanha, onde acontece a transfiguração.

Jesus cura um endemoniado epilético que os discípulos não tinham conseguido curar. Jesus faz o segundo anúncio
da paixão. Os discípulos discutem entre eles: qual seria o maior? Jesus diz que o menor entre eles será grande.

Os discípulos avisam a Jesus que viram alguém expulsar demônios em Seu nome e que queriam impedi-lo.
Jesus diz:

“Não o impeçais, pois quem não é contra nós está a nosso favor.” (Lc 9,50).

Resumo: Jesus em Nazaré, em Cafarnaum, cura da sogra de Pedro, a pesca milagrosa, “doravante serás pescador
de homens”, cura de um leproso, cura de um paralítico, confronto com os escribas e fariseus, chamado de Levi
(Mateus), festa na casa de Levi, discussão com os fariseus, cura de um homem com a mão atrofiada, a escolha dos
Doze, as bem-aventuranças, como devem ser os seguidores de Jesus, cura do servo do centurião, cura do filho
da viúva de Naim, Jesus na casa do fariseu, a mulher pecadora, as mulheres que seguiam Jesus, Jesus fala por
parábolas, acalma as águas do lago, expulsa demônios, cura a filha de Jairo, envia os Doze em missão, multiplicação
dos pães, confissão de Pedro, primeiro anúncio da paixão, condições para seguir Jesus, a transfiguração, mais
curas, segundo anúncio da paixão e a discussão entre os discípulos.

IV – A Subida para Jerusalém. (Lc 9,51 – 19,27)

Jesus é mal acolhido numa aldeia da Samaria, Jesus mostra o que exige para quem quer segui-lo:

“Quem põe a mão no arado e olha para trás não é apto para o Reino de Deus.” (Lc 9,62).

Jesus envia os setenta e dois discúpulos em missão e os discípulos voltam narrando as maravilhas que aconteceram,
Jesus exulta de alegria porque o evangelho é revelado aos pobres. Um legista tenta embaraçar Jesus perguntando
o que deveria fazer para herdar a vida eterna, Jesus conta a parábola do bom samaritano, o encontro com Marta
e Maria.

Jesus ensina o Pai-Nosso aos discípulos e diz que se deve rezar com confiança:

“Pedi e vos será dado; buscai e acharei; batei e vos será aberto....Quem de vós, sendo pai, se o filho lhe pedir
um peixe, em vez do peixe lhe dará uma serpente?.....Ora, se vós,que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos
vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!” (Lc 11,9-13).

Alguns judeus dizem que Jesus expulsa demônios pelo poder de Belzebu, Jesus mostra a eles que um Reino dividido
não se sustenta, Jesus é intransigente:

“Quem não está a meu favor está contra mim, e quem não ajunta comigo, dispersa.” (Lc 11,23).

A multidão pede um sinal e Jesus diz que só receberão o Sinal de Jonas. Jesus faz uma série de discursos, não se
acende uma luz para por debaixo do alqueire, Jesus vai contra os fariseus e os legistas:

“...ó fariseus! Purificais o exterior do copo e do prato, e por dentro estais cheios de rapina e perversidade!
.....ai de vós, fariseus, que pagais o dízimo da hortelã,...mas deixais de lado a justiça e o amor de Deus!....sois
como túmulos disfarçados, sobre os quais se pode transitar, sem o saber!....ai de vós legistas, porque impondes
aos homens fardos insuportáveis, e vós mesmos não tocais esses fardos com um dedo sequer!....”
(Lc 11,37-53).

Jesus alerta contra “o fermento” dos fariseus, e exorta seus discípulos a serem testemunhas, Jesus fala sobre
o verdadeiro sentido da vida: ser rico para Deus:

“...Não vos preocupeis com a vida, quanto ao que haveis de comer, nem com o corpo, quanto ao que haveis
de vestir. ...Olhai os corvos; eles não semeiam, nem colhem....mas Deus os alimenta. Quanto mais valeis vós
do que as aves.....Olhai os lírios do campo, não fiam, nem tecem. No entanto, nem Salomão, com todo seu
esplendor, se vestiu como um deles....vosso Pai sabe que tendes necessidades destas coisas...buscai o Seu
Reino , e todas estas coisas lhes serão dadas por acréscimo.” (Lc 12,22-32).

Jesus nos exorta a guardarmos nosso tesouro no céu e não na terra:

“...onde está o teu tesouro, ai está o teu coração.” (Lc 12,33-34).

Jesus fala da importância de estar vigilante, pois ninguém sabe a hora. De que o cristão é um sinal de contradição,
que nós devemos saber discernir os sinais do tempo, a figueira é um sinal. Jesus cura uma mulher recurvada, na
sinagoga e no sábado.

Jesus conta a parábola do grão de mostarda, a parábola do fermento e da porta estreita. Os fariseus avisam Jesus
que Herodes quer matá-lo, Jesus lamenta sobre Jerusalém:

“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados, quantas vezes quis eu reunir
os teus filhos como a galinha recolhe os seus pintinhos debaixo das asas.....” (Lc 13,34).

Jesus cura um hidrópico no sábado, fala sobre a vaidade de escolher os melhores lugares nas festas, fala que todos
são chamados para o Reino de Deus, alerta sobre deixar tudo pelo reino:

“Quem não carrega a sua cruz e não vem após mim, não pode ser meu discípulo.” Lc 14,27).

Jesus volta a falar sobre a importância de darmos testemunho e quando os fariseus se aproximam e dizem que
Ele recebe e come com pecadores, Jesus conta-lhes as PARÁBOLAS DO AMOR DO PAI :

- A ovelha perdida – A dracma perdida – O filho pródigo –

A comunidade de Lucas dever ter saboreado de maneira especial estas parábolas que falam exatamente deles,
os pobres, pecadores, gentios, os ANAWIN “os pobres de Deus”.

Jesus conta a parábola do administrador prudente, que não podemos servir a Deus e ao dinheiro, a parábola do mau
rico e o pobre Lázaro, fala sobre o perdão e a correção fraterna.

Jesus cura dez leprosos e apenas um volta para agradecer, um samaritano, Jesus mostra aos fariseus e escribas
que, como eles não aceitaram o Seu Reino, ele será dado a outros.

Jesus fala sobre o final dos tempos, que não se enganem tentando adivinhar quando será.

Jesus conta as parábolas do Juiz iníquo e a viúva inoportuna, do fariseu e o publicano, recebe as criancinhas, fala
com o jovem rico, de como é difícil um rico entrar no Reino de Deus, mas para Deus nada é impossível.

Jesus faz o terceiro anúncio da paixão, cura o cego de Jericó, a conversão de Zaqueu, Jesus conta a parábola das
minas. Perceba a semelhança com a parábola dos talentos.

Resumo: Jesus na Samaria, Jesus envia 72 discípulos em missão, o bom samaritano, o Pai-nosso, o sinal de Jonas,
a luz do mundo, o fermento dos fariseus, olhai os lírios do campo, onde está o teu tesouro, ai está o teu coração,
a parábola do grão de mostarda, do fermento e da porta estreita, Jesus se lamenta sobre Jerusalém, faz mais curas
no sábado, as parábolas do amor do Pai, do administrador prudente, do mau rico e do pobre Lázaro, a cura de
dez leprosos, o juíz e a viúva, o jovem rico, o cego de jericó, Zaqueu e a parábola das minas.

V – Ministério de Jesus em Jerusalém. (Lc 19,28 – 21,38)

Jesus faz sua entrada messiânica em Jerusalém.

Veja na aula 09 (Evangelho de Mateus) um detalhamento sobre a entrada messiânica de Jesus e as
profecias relacionadas a ela.

Jesus chora sobre Jerusalém e prevê sua destruição, vai até o templo e entra em confronto com os vendedores
e cambistas:

“...Minha casa será uma casa de oração. Vós, porém, fizestes dela um covil de ladrões!” (Lc 19,46).

Os judeus questionam Jesus sobre com que autoridade Ele faz o que faz. Jesus conta a parábola dos vinhateiros
homicidas. Novamente os judeus tentam incriminar Jesus perguntando se era lícito pagar o tributo a César. Jesus
não cai na armadilha :

“...Devolvei, pois, o que é de César a César, e o que é de Deus a Deus.” (Lc 20,25).

Os saduceus, que não acreditam em ressurreição questionam Jesus, a multidão se admira com a resposta e os
escribas, na sua maioria fariseus, gostam da resposta, porque eles eram adeptos da ressurreição. Mas, Jesus
que conhece os fariseus e escribas alerta a multidão sobre como eles verdadeiramente são:

“...Cuidado com os escribas que sentem prazer em circular com togas, gostam de saudações nas praças
públicas, dos primeiros lugares nas sinagogas e de lugares de honra nos banquetes, que devoram as
casas das viúvas e simulam que estão orando longamente.
Estes receberão uma sentença mais severa!” (Lc 20,46-47).

Jesus observa as pessoas que lançam suas ofertas no templo e chama a atenção para uma pobre viúva que
lança apenas duas moedinhas:

“...De fato, eu vos digo que esta pobre viúva lançou mais do que todos, pois todos estes deram do que
lhes sobrava..., esta, porém, na sua penúria, ofereceu tudo o que possuía para viver.” (Lc 21,3-4).

Jesus inicia seu discurso sobre Jerusalém, prevendo que não ficará pedra sobre pedra, alerta para os sinais dos
tempos, que os discípulos não precisam se preocupar mas manter a perseverança. Jesus fala sobre o cerco
de Jerusalém, fala sobre a sua vinda gloriosa no futuro. Conta a parábola da figueira, avisa para que todos
estejam atentos e vigilantes.

Jesus continuava ensinando no templo, passava as noites no monte das oliveiras e as pessoas madrugavam
junto a Ele no templo, para ouví-lo.

Resumo: Entrada messiânica em Jerusalém, confronto com os saduceus, escribas e fariseus, o tributo a César,
a questão sobre a ressurreição, alerta sobre os escribas e fariseus, a oferta da viúva pobre, discurso sobre
Jerusalém.

VI – A Paixão (Lc 22,1 – 23,56)

Diferentemente de Marcos e Mateus, Lucas não fala sobre a unção em Betânia. Esta unção foi narrada num
episódio semelhante em Lc 7,36-50.

A Páscoa se aproximava e os sacerdotes e escribas procuravam um jeito de eliminar Jesus, mas faziam tudo
às escondidas por medo do povo.

Jesus dá ordens a Pedro e João para que tomem as providências para festejarem a páscoa. Jesus institui
a Eucaristia, prevê a traição de Judas, corrige os discípulos que discutiam entre eles para decidir quem era o
maior, anúncia a negação de Pedro e avisa que é chegada a hora de combate decisivo.

Jesus se retira com os discípulos para o monte das oliveiras. Chegando lá exorta-os a orar para não cairem em
tentação. Enquanto Jesus ora os discípulos dormem. Jesus ora ao Pai:

“Pai, se queres, afasta de mim este cálice! Contudo, não a minha vontade, mas a tua seja feita!” (Lc 22,42).

Um anjo vem confortar Jesus que cheio de angústia, orava mais ainda e o suor se tornou como gotas de sangue.

Jesus, após a oração, vem para junto dos discípulos e os encontra dormindo. Jesus os acorda.

Enquanto Jesus ainda falava aproxima-se a multidão que com Judas à frente vem para prendê-lo. Um dos discípulos
fere com uma espada um dos servos do Sumo Sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. Jesus o repreende e
tocando a orelha do servo o cura. Jesus é preso.

Jesus é levado para a casa do Sumo Sacerdote onde Pedro o nega três vezes. Jesus é espancado. O sinédrio declara
Jesus blasfemador e o levam para Pilatos.

Pilatos não encontra culpa em Jesus e sabendo que Jesus era Galileu o manda para Herodes. Lá, Jesus nada
responde às perguntas do rei. Herodes trata Jesus com desprezo e escárnio e o manda de volta para Pilatos.

Pilatos diz que nem ele, nem Herodes encontraram qualquer culpa em Jesus e que vai soltá-lo, depois de o
castigar. A multidão continua a gritar, pedindo pela morte na cruz. Pilatos desiste e entrega Jesus aos seus
acusadores.

No caminho do calvário Jesus é ajudado por Simão Cirineu a carregar a cruz. Em meio à multidão mulheres
choravam e batiam no peito, dois malfeitores iam junto com Jesus para serem executados com ele.

Jesus é crucificado entre os dois malfeitores, suas vestes são sorteadas entre os que o crucificaram.
Os judeus e os soldados romanos zombavam Dele. Sobre sua cabeça, na cruz estava escrito:
Este é o Rei dos judeus.

O Bom Ladrão - Lucas é o único evangelista que conta esta estória. Mais uma vez, Lucas mostra o amor de Jesus
pelos pecadores que se arrependem:

“Um dos malfeitores suspensos à cruz o insultava, dizendo: “Não és tu o Messias? Salva-te a ti mesmo e
a nós.” Mas o outro, tomando a palavra, o repreendia: “Nem sequer temes a Deus, estando na mesma
condenação? Quanto a nós, é de justiça; estamos pagando por nossos atos; mas ele não fez nenhum
mal.” E acrescentou: “Jesus, lembra-te de mim, quando vieres com teu reino.”
Jesus respondeu:”Em verdade, eu te digo, hoje estarás comigo no Paraíso.”

Esta é a história de São Dimas, o bom ladrão, o único santo de nossa Igreja, canonizado, ainda em vida,
pelo próprio Filho de Deus.

Jesus morre na cruz, o véu do santuário rasgou-se ao meio, o centurião romano reconhece que Jesus era um
homem justo. Lucas destaca que todos os amigos de Jesus e as santas mulheres acompanhavam tudo à distância.

José de Arimatéia pede o corpo de Jesus a Pilatos, Jesus é descido da cruz, envolto num lençol e colocado numa
tumba recém talhada na pedra. As mulheres que haviam seguido José viram onde ficava o túmulo e voltando
para casa prepararam aromas e perfumes para ungirem o corpo de Jesus no domingo, já que a hora do repouso
do sábado se aproximava.

O sepultamento de Jesus foi feito às pressas porque à hora décima segunda (seis da tarde) começava o sábado.
Nâo havia tempo para preparar adequadamente o corpo.

Resumo: Os sacerdotes e escribas conspiram contra Jesus, Jesus celebra a páscoa com os discípulos, institui
a Eucaristia, prevê a traição de Judas e a negação de Pedro, vão para o monte das oliveiras, Jesus ora e sua
gotas de sangue. Jesus é preso, levado ao sinédrio, a Pilatos, a Herodes, de volta a Pilatos e condenado à morte
na cruz. Simão Cirineu, o bom ladrão, Jesus morre na cruz , o centurião romano, José de Arimatéia, o sepultamento.

VII – Após a Ressurreição (Lc 24,1 - 50)

As mulheres, no domingo de manhã, vão até a tumba, encontram-na aberta, entram e não encontram o corpo
de Jesus. Dois homens em vestes fulgurantes aparecem e elas cheias de medo inclinam o rosto para o chão.
Os homens dizem:

“Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo? Ele não está aqui; ressurgiu. Lembrai-vos de como
vos falou, quando ainda estava na Galiléia: É preciso que o Filho do Homem seja entregue às mãos dos
pecadores, seja crucificado, e ressuscite ao terceiro dia” (Lc 24,5-8).

As mulheres voltam para onde estavam os apóstolos e contam o que havia acontecido, mas eles não acreditam.
Pedro vai até o túmulo, vê apenas os lençóis; volta para casa surpreso.

Jesus aparece para dois discípulos no caminho de Emaús. Estes discípulos voltam para Jerusalém para anunciar
aos apóstolos que Jesus havia ressurgido. Ao chegar lá recebem a notícia que Ele aparecera também a Pedro.
Eles ainda conversavam quando Jesus se apresentou no meio deles. Diante do espanto de todos, tranquilizou-os
dizendo:

“Porque estais perturbados e por que surgem tais dúvidas em vossos corações? Vede minhas mãos e meus
pés: Sou eu! Apalpai-me e entendei que um espírito não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho.
(Lc 24,38-39).

Jesus come com eles, dá as últimas instruções aos apóstolos, promete enviar a eles o Espírito Santo e orienta-os
a permanecerem em Jerusalém até que O recebam. Depois, os leva até Betânia onde é elevado aos céus.
Os apóstolos, cheios de alegria voltam para Jerusalém.

Resumo: As mulheres vão ao sepulcro, os anjos anunciam a ressurreição, Pedro vai até o túmulo, os discípulos
de Emaús, Jesus aparece aos apóstolos e em Betânia é elevado aos céus.

TEOLOGIA DO EVANGELHO DE LUCAS

O evangelho segundo Lucas foi escrito para pagãos convertidos ao cristianismo, como já explicamos acima.
A teologia deste evangelho destaca a misericórdia de Jesus com os pecadores, os pobres; a ternura do mestre para
com os mais humildes e ao mesmo tempo e a severidade com os ricos e orgulhosos. Mas mesmo nestes casos,
Lucas mostra que todo arrependido encontra o perdão do Pai, como no caso de Zaqueu.

Também é um evangelho que destaca a necessidade da oração: (3,21 ; 5,16 ; 6,12 ; 9,28 ;11,5-8 ;18,1-8).
Perceba que Lucas mostra de maneira didática que Jesus SEMPRE estava em oração antes de iniciar algum tipo
de atividade: antes de uma pregação, antes de realizar curas, antes de escolher os Doze, antes da transfiguração,
etc. Mesmo no Monte das Oliveiras, sabendo que seria preso, Jesus recomenda aos discípulos a oração para “não
cairem em tentação”.

Este poderia ser chamado o Evangelho do Amor do Pai, tamanha a quantidade de cenas onde Jesus fala da
misericórdia de Deus para com os pecadores, os humildes, os pequenos, os pobres de Deus, tais como:
O paralítico na sinagoga, o chamado de Levi, o banquete com os pecadores na casa de Levi, as bem-aventuranças,
a cura do servo do centurião romano, a mulher pecadora que unge os pés de Jesus, a má recepção na Samaria e
o bom samaritano, que só aparece nesse evangelho.

Esta apresentação de Deus Pai se ilumina com as parábolas do AMOR DO PAI:

A OVELHA PERDIDA – A DRACMA PERDIDA – O FILHO PRÓDIGO.

Segue ainda com o mau rico e o pobre Lázaro, o fariseu e o publicano e Zaqueu o publicano, que também é exclusivo
deste evangelho.

Num evangelho em que a misericórdia do Pai aparece quase que em toda parte, ainda teria um ponto alto,
já no seu final, com a história do Bom Ladrão, que também só aparece em Lucas.

O evangelho segundo Lucas, prima também, por dar destaque às figuras que eram discriminadas na
época: os publicanos, as viúvas e orfãos, os samaritanos, a mulher pecadora, os gentios, etc.

Enfim, é o evangelho que mostra um Pai que se emociona e se importa com suas ovelhas: os pobres, os que
tem fome, os que choram,.......apenas neste evangelho Jesus, no monte das oliveiras,se angustia a ponto de
suar gotas de sangue.

Bibliografia:

- Alfred Lappe – As Origens da Bíblia – Vozes 1973
- Alfred Lappe – Interpretação Atualizada e Catequese – Vol.03 – N.T. – Paulinas -1980
J.Auneau – F.Bovon – M.Gougues E.Charpentier-J.Radermakers –Evangelhos Sinóticos e Atos dos Apóstolos-
Ed.Paulinas – 1985
Biblia de Jerusalém NT - Ed.Paulinas -
Biblia do Peregrino NT - Editora Paulus -

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