CURSO DE BÍBLIA PARA INICIANTES

AULA 9 - O EVANGELHO DE MATEUS.

QUEM ESCREVEU ?

Vamos começar pela Biblia do Peregrino que, na sua introdução ao Evangelho de Mateus diz o seguinte:

“A tradição antiga atribuiu este evangelho a Mateus apóstolo; tal atribuição considera-se hoje bastante
duvidosa. A notícia de Pápias, recolhida por Eusébio de Cesaréia, segundo a qual, Mateus compilou
oráculos em hebraico(ou aramaico), não merece crédito. O autor deste evangelho deve ter sido um judeu
helenista, que cita o Antigo Testamento na versão grega dos LXX. Data provável: a década de 80-90.
Lugar provável: alguma cidade da Síria, por exemplo Antioquia.

QUANDO ESCREVEU ?

Quanto à época em que foi escrito, há concordância entre os exegetas modernos que foi entre 80 e 90 dC.

PARA QUEM E ONDE FOI ESCRITO ?

A comunidade do evangelho de Mateus é formada por judeus convertidos ao cristianismo. Sabemos disso,
entre outras razões, porque, várias vezes ao longo do evangelho, Mateus mostra Jesus como aquele que
cumpriu as profecias do Antigo Testamento. Além disso, Mateus cita muitas vezes o A.T.. Isto não faria
sentido se a comunidade fosse de NÃO JUDEUS, pois estes não entenderiam estas citações.

Outro detalhe a demonstrar isso, é que Mateus em vez de dizer ,como Marcos, “O Reino de Deus”, diz :
“O Reino dos Céus”. A razão disso é que os judeus não pronunciam o nome de Deus, que equivale a não
pronunciar a palavra “Deus”.

Como era para os judeus daquele tempo, que liam a Bíblia em hebraico e falavam aramaico?

O nome de Deus em hebraico é “יהוה .”, formada de quatro consoantes (he , waw , he , yod), chamado de
tetragrama. Impronunciável.

A própria palavra Javé ou Jeová, vem da transliteração do nome hebraico de Deus : YHWH.

Veja que interessante esta explicação no site : http://www.abiblia.org/ver.php?id=3621

“Os judeus consideram o nome divino tão sagrado a ponto que não devem pronunciá-lo. A pronúncia,
por causa desse preceito, foi perdida e não se sabe como deve ser dito...... O motivo pelo qual não podemos
saber a pronúncia correta não é apenas pelo fato que os judeus não pronunciam esse nome, mas também
por que o hebraico não usa vogais, sendo o alfabeto hebraico feito unicamente de consoantes. As vogais
existem somente como sons. E, por causa do costume de não pronunciar esse nome, não sabemos quais
vogais colocar entre uma consoante e outra.

É claro que os judeus leem a Bíblia e também eles se deparam com esse vocábulo. O que fazem quando
encontram, lendo, essa palavra? Como pronunciam? Essa palavra, nas leituras e nas orações é substituída
por nomes impessoais, como Adonai (Senhor) ou Elohim (Deuses). Fora do contexto litúrgico, usam também
haShem, ou seja "o Nome".

Uma comunidade que diz Céus para se referir a Deus só podia ser de judeus convertidos.

COMO FOI DIVIDIDO ESTE EVANGELHO ?

I – Introdução: O Nascimento e a Infância de Jesus. (Mt 1,1 – 2,23)

Mateus inicia seu livro pela genealogia de Jesus, mostrando que Jesus é da descendência de Davi; afinal, o Messias
profetizado é chamado de “filho de Davi”, porisso a genealogia começa em Abraão e vai até Jesus.
Como sua comunidade era de judeus, nada mais claro do que começar pelo patriarca Abraão, passando pelo rei Davi
e chegando até Jesus.
Em seguida, Mateus vai analisando o A.T. e apresentando Jesus como aquele no qual todas as profecias se cumpriram.
Ele vai fazer isto durante a maior parte do seu evangelho. O objetivo, como já falamos, é convencer e converter
os judeus de sua comunidade.

Após a genealogia, Mateus fala sobre a concepção e nascimento de Jesus. O milagre de Maria grávida
do E.S., o anjo alertando José e orientando-o sobre QUEM seria aquele menino e que José deveria chamá-lo
de Jesus ,“...pois ele salvará o seu povo dos seus pecados." (Mt 1,21).(Jesus, em hebraico, Yehoshú'a significa
"Yahweh salva")

Mateus mostra que se cumpriu uma das profecias de Isaías (Is 7,14):

“Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e o chamarão com o nome de Emanuel..”

Aqui cabe uma reflexão sobre a palavra VIRGEM:
Os críticos da virgindade de Maria costumam dizer que, no original hebraico a palavra é “almah”, que designa
tanto uma mocinha quanto uma jovem casada recentemente, portanto Maria não precisaria ser virgem.
A própria Biblia de Jerusalém, que usamos com frequência, traduziu como JOVEM a palavra “almah”.
Mas o que nos interessa é o que Isaías quis dizer na sua profecia e o que Mateus quis dizer ao citar Isaías.
Começando por Mateus não resta qualquer dúvida: a palavra grega usada por Mateus é “PARTHENOS” que
só tem o significado de VIRGEM.
Para não termos dúvidas de que parthenos deve ser traduzida por virgem, no século V a.C. o escultor grego
Fídias criou a famosa escultura dedicada a deusa Athena, a qual recebeu o nome de ATHENA PARTHENOS
e todos sabemos que Athena , na mitologia grega era uma deusa virgem. Portanto não há dúvida de que
Mateus se refere à profecia de Isaías como se tratando de uma virgem.

E quanto a Isaías? O que ele quis dizer? Virgem ou mocinha?

Quando a Bíblia Judaica foi traduzida para o grego em 200 a.C. - a chamada LXX (Septuaginta) – a palavra usada
também foi VIRGEM. Portanto, os judeus de antes do tempo de Mateus já conheciam o texto de Isaías contendo
a palavra “virgem”. Mas continua a questão sobre o que Isaías quis dizer. Não temos o texto original de Isaías.
A mais antiga cópia faz parte dos “Pergaminhos do Mar Morto”, achados em 1947, cuja datação por carbono 14
indicou que foi escrita entre os séculos II e I a.C., portanto em data próxima da tradução dos LXX. Isto confirma
porque, Mateus, um judeu, conhecedor da Bíblia dos LXX, usou VIRGEM e não outra designação.
Mas será que Isaías queria dizer mocinha recentemente casada???

Pedimos ajuda de Santo Irineu, um dos padres da igreja, que no seu conjunto de livros chamado “CONTRA AS
HERESIAS” diz :

“Quanto à expressão de Isaías: “no fundo da terra ou no mais alto do céu”, ela significa que aquele que desceu
é o mesmo que subiu; e com as palavras: “o próprio Senhor vos dará um sinal” sublinha o caráter inesperado
de sua geração que nunca teria acontecido se o Senhor, o Deus de todas as coisas, não a tivesse dado como
sinal para a casa de Davi. O que haveria de especial e como poderia ser sinal o fato de moça conceber de
homem e dar à luz?
É coisa comum a todas as mulheres que se tornam mães. Mas como o inesperado era a
salvação que se devia realizar para os homens, pelo socorro de Deus, inesperado também devia ser uma
Virgem dar à luz filho, como sinal de DEUS e não por obra de homem.

(Irineu de Lion- Contra as Heresias, Livro III 21,6)

O que Irineu está dizendo é que uma profecia sobre um acontecimento banal, não teria razão de ser feita.
Que haveria de extraordinário em dizer que uma mulher, UMA JOVEM, teve relações sexuais, engravidou e
deu à luz uma criança ? Então, Irineu está afirmando é que a profecia, vinda de Isaías, necessariamente fala de
um fato extraordinário, fora da normalidade, fora do natural, sobrenatural, ou seja : UMA VIRGEM CONCEBER !!!
Então não cabe aqui a palavra jovem, mas sim a palavra virgem.

Agora você pode também explicar com caridade, para quem defende esta história, que todos os textos e indícios
apontam para uma virgem que concebeu.

Mateus , em seguida fala sobre o nascimento de Jesus em Belém da Judéia, para cumprir a profecia de Miquéias 5,1:

“E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá UM
que será o guia que apascentará Israel, o meu povo."

Fala de como MAGOS (Dos quatro evangelistas só Mateus fala sobre os magos, ou "REIS MAGOS" que a piedade
popular , muito mais tarde, dará os nomes de Melquior , Gaspar e Baltazar)
do oriente vieram adorá-lo, a maldade
de Herodes que quer matar o menino; de como os magos são avisados em sonho para não voltarem a Herodes.
José, também é avisado em sonho para fugir para o Egito para escapar de Herodes.Mateus, novamente, mostra
que tudo isso é para cumprir outra profecia sobre o Messias:


“... e do Egito chamei o meu filho." (Os 11,1).

Fala ainda que Herodes, ao descobrir que tinha sido enganado pelos Magos, manda matar, em Belém e no seu
território, todos os meninos de dois anos para baixo, cumprindo a profecia de Jeremias:

“...Ouviu-se uma voz em Ramá, choro e grande lamentação: Raquel chora seus filhos, a não quer consolação,
porque não existem mais."
(Jr 31,15).

Finalmente, após a morte de Herodes, José é novamente avisado em sonho que não havia mais perigo e que
poderiam voltar para Israel. Avisado novamente em sonho vai com Maria e Jesus morar na Galiléia, em Nazaré
para cumprir o que está escrito em Juízes 13,5.

“Ele será chamado Nazareno." (Jz 13,5).

As citações de profetas a partir da próxima parte e em diante diminuem. Mateus vai se concentrar em passar
a mensagem de Jesus. Sua comunidade já deve estar convencida de que Ele é o Messias. Agora, é hora de entender
para que Ele veio, e como ser um discípulo.

Resumo: Genealogia, concepção, nascimento, Reis magos, Herodes, fuga para o Egito, volta para Israel, mudança
para Nazaré.

II - A Promulgação do Reino dos Céus. (Mt 3,1 - 7,29)

Começa apresentando João Batista, sua pregação e o batismo de conversão. Jesus é batizado por João, não
sem antes João relutar dizendo que ele, João, é que devia ser batizado por Jesus.

( Em Marcos 1,9-11, João não reluta em batizar Jesus. Em Lucas, após a prisão de João Batista, lemos que
Jesus foi batizado. O evangelista João, fala do testemunho de João Batista, mas não o apresenta batizando Jesus.)

Em seguida Mateus fala sobre A Tentação no Deserto, a escolha dos primeiros discípulos, Simão, André, João e Tiago.

Jesus começa sua pregação com:

As Bem-Aventuranças - O Sal da Terra e a Luz do Mundo - O Cumprimento da Lei - A Nova Justiça - O Matrimônio -
A Esmola em Segredo - A Oração em Segredo - O Pai Nosso - O Jejum em Segredo - O Sentido da Vida - A Luz da
Vida - Não Servir a Dois Senhores - Olhai os Lírios do Campo - Não Julgueis - Não Atireis Pérolas aos Porcos -
Pedi e Vos Será Dado - A Regra de Ouro - A Duas Portas - Lobos em Pele de Cordeiro - Nem Todo Aquele Que
Diz; "Senhor, Senhor..." - A Casa Sobre a Rocha -

Resumo: João Batista, batismo de Jesus, a tentação no deserto, primeiros discípulos, discursos evangélicos.

III - A Pregação do Reino dos Céus. (Mt 8,1 - 10,42)

Mateus apresenta vários milagres de Jesus, seguidos sempre de ensinamentos para aprofundamento da fé:
- Cura de um Leproso - Um Centurião Demonstra Fé Que Merece Elogio de Jesus - Cura de Sogra de Pedro -
Cura de Endemoniados - Jesus Acalma o Mar - Cura de Mais Endemoniados - Cura de Um Paralítico e Confronto
Com os Escribas - Jesus Chama Mateus - Jesus Come com os Publicanos e Pecadores - Não se Põe Vinho Novo em
Odres Velhos - Cura da Filha do Chefe da Sinagoga - Cura da Mulher Que Tinha Um Fluxo de Sangue - Cura de
Dois Cegos - Cura do Endemoniado Mudo - Jesus Tem Pena da Multidão: "São como ovelhas sem pastor." -

Em seguida Mateus passa a falar sobre os doze apóstolos; dá nome aos doze e fala sobre a missão que lhes
cabe: começar pelas ovelhas de Israel, curar os doentes, ir de cidade em cidade, alerta-os que serão perseguidos,
serão como ovelhas entre lobos, mas não devem ter medo, que devem renunciar a tudo e seguir Jesus.

Resumo: Vários milagres, apresentação dos Doze, sua missão, perigos e recompensa final.

IV - O Mistério do Reino dos Céus. (Mt 11,1 - 13,51)

João Batista ouve falar, na prisão, a respeito das obras de Jesus e manda perguntar a Ele:

“És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?" (Mt 11,3).

“Jesus respondeu-lhes: " Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista,
os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os
pobres são evangelizados.
"E bem aventurado aquele que não ficar escandalizado por causa de mim!" (Mt 11,4-6).

As palavras de Jesus alertam o Batista para não duvidar. E Mateus mais uma vez está citando o profeta Isaías.
(Is 29,18 ; 35,5s).

O discurso de Jesus, a seguir, exalta João Batista, e confronta os Escribas e Fariseus que não reconheceram João
e nem a Ele. Lamenta que mesmo onde fez milagres, isto não foi suficiente para despertar a fé nas pessoas.

As discussões com os Fariseus se estende sobre guardar o dia de sábado, quando Jesus cura um homem
de mão atrofiada. É o bastante para que os fariseus comecem a tramar sua morte.

Mateus através de todos estes milagres e da descrença dos judeus, procura apresentar Jesus como o
"Servo de Yahweh", figura profetizada por Isaías na qual se encontra as características do Messias :

“Eis o meu servo a quem escolhi, o meu Amado, de quem minha alma se agrada. Porei o meu Espírito sobre
ele e ele anunciará o Direito às nações. Ele não discutirá, nem clamará; nem sua voz nas ruas se ouvirá.
Ele não quebrará o caniço rachado nem apagará a mecha que ainda fumega, até que conduza o Direito ao
triunfo. E no seu nome as nações porão sua esperança." (Is 42,1-4)

Os embates com os escribas e fariseus se intensificam: os fariseus dizem que os poderes de Jesus são de Belzebú
e Jesus os chama de raça de víboras; que eles pedem sinais para crerem, mas só receberão o SINAL DE JONAS,
referência velada à sua ressurreição.

Em seguida, Mateus apresenta Jesus falando por parábolas:

Parábola do semeador - Do joio e do trigo - Do grão de mostarda - Do fermento - Do tesouro e da pérola -
Da rede que apanha de tudo -

Na conclusão sobre o escriba que se torna discípulo, Mateus deixa como que uma “assinatura pessoal”:

“...Por isso todo escriba que se torna discípulo do Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que
do seu tesouro tira coisas novas e velhas." (Mt 13,52)

Veja o comentário da Bíblia de Jerusalém sobre este versículo:

"O doutor judaico, tornando-se discípulo de Cristo, possui e administra toda riqueza da aliança antiga, acrescida
das perfeições da nova. Este elogio do 'escriba cristão' resume todo o ideal do evangelista Mateus e tem
bem a aparência de ser a sua assinatura discreta."

Lembre-se de que Mateus ou Levi era um cobrador de impostos que se converteu e se tornou discípulo de
Jesus. Mensagem valiosa, de conforto e força do evangelista para sua comunidade de judeus convertidos.

Resumo: Revelação à João Batista, confrontos com os escribas, o Servo de Yahweh, os fariseus, parábolas e
mensagem de afirmação da comunidade.

V - A Igreja, prímicias do Reino dos Céus. (Mt 13,53-18,35)

Jesus vai para Nazaré, onde cresceu. Na sinagoga pôs-se a ensinar às pessoas, de tal modo, que ficaram maravilhadas
e se perguntavam:

“De onde lhe vêm esta sabedoria e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro? Não se chama a mãe dele
Maria e os seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? E as suas irmãs não vivem todas entre nós? Donde então lhe
vêm todas essas coisas?" (Mt 13,54-56)

Mateus prossegue dizendo, que pela falta de fé das pessoas de Nazaré, Jesus não fez ali muitos milagres.
Dai vem o ditado: “Santo de casa não faz milagres.”

Mateus narra então a execução de João Batista por ordem de Herodes.

É interessante destacar que em Marcos os discípulos de João vão até Herodes, pegam o corpo e o colocam num
túmulo. Lucas não menciona o fato, nem dá muito destaque à prisão e à morte. Mas em Mateus, após colocarem
o corpo num túmulo “...eles foram anunciar o ocorrido a Jesus.”. (Mt 14,12).

Mateus mostra a ligação e continuidade entre os dois grupos. Como muitos judeus acreditavam em João Batista,
Mateus apresenta Jesus introduzido na Judéia pelas palavras do Batista:

“...aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu.De fato, eu não sou digno nem ao menos de tirar-lhe
as sandálias.Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo.” (Mt 3,11).

Mateus narra a primeira multiplicação dos pães, Jesus caminha sobre as águas, convida Pedro a fazer o mesmo e
tem de repreendê-lo pela falta de fé que o faz afundar, mas prontamente é salvo pelo Mestre. Os discípulos que
estavam no barco reconhecem a Jesus como Filho de Deus.

Jesus discute com os fariseus sobre suas tradições, acusa-os de hipocrisia, ensina ao povo que assistia à discussão
o que é o puro e o impuro. Fala da maldade, que brota do coração do homem e de onde procedem os muitos
males. Jesus cura a filha de uma mulher cananéia, não sem antes a mulher“dar um puxão de orelhas em Jesus”.
Jesus faz muitas curas nas cercanias do mar da Galiléia . Realiza a segunda multiplicação dos pães; os fariseus
pedem um sinal e Jesus fala do SINAL DE JONAS. Veja a repetição de Mt 12,38-42 já citado acima.
Jesus alerta sobre o fermento dos fariseus, ou seja , sua falsidade , sua hipocrisia.

Perguntados por Jesus sobre quem o povo achava que Ele era, os discípulos dizem que uns acham que é Elias,
João Batista, Jeremias ou um dos profetas. Jesus pergunta então aos discípulos quem eles acham que Ele é.
Pedro toma a frente e declara:

“Tú és o Messias, o Filho de Deus vivo.” (Mt 16,16).

Jesus anuncia pela primeira vez a sua paixão, impõe condições severas aos que querem segui-lo, mas diz que haverá
recompensa no final. Mateus narra a Transfiguração de Jesus e o espanto de Pedro, Tiago e João. Destaca ainda que,
como os escribas afirmavam (citando Malaquias) que Elias deveria vir antes do Messias, Jesus,então, afirma que
Elias já veio, referindo-se à João Batista.

Jesus cura um endemoninhado epilético que os discípulos não conseguiram curar, anuncia pela segunda vez a Sua
paixão, Jesus fala sobre o tributo ao templo.

Numa sequência de discursos Jesus fala: sobre quem é o maior no Reino dos Céus, sobre o cuidado e o respeito
pelos outros, principalmente pelos “pequeninos”. Fala sobre como o Pai se alegra mais por um único pecador que
se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam de perdão. De como se deve corrigir um irmão,
da oração em comum, de sempre perdoar: “Não te digo até sete , mas até setenta e sete vezes.” (Mt 18,22).
Para exemplificar conta a parábola do devedor implacável.

Resumo: Jesus em Nazaré, execução de João Batista, a multiplicação dos pães, os discípulos reconhecem Jesus como
o Filho de Deus, curas e discurso sobre os fariseus e escribas, Jesus leva “um puxão de orelhas”, cura a filha de uma
cananéia, a profissão de fé de Pedro, primeiro e segundo anúncio da paixão, Jesus fala sobre o perdão.

VI - O Advento Próximo do Reino dos Céus (Mt 19,1 – 25,46)

Jesus fala sobre o casamento: “Portanto, que o homem não separe o que DEUS uniu.” (Mt 19,6).
Jesus e as crianças, o jovem rico e o perigo das riquezas, a recompensa daqueles que deixam tudo para seguir
Jesus. Jesus ilustra como o Reino de Deus é gratuíto narrando a parábola dos trabalhadores da vinha. Jesus anuncia
pela terceira vez a Sua paixão; ao pedido dos filhos de Zebedeu, Jesus responde que quem quiser ser grande que seja
o servo de todos. Aproximando-se de Jerusalém, Jesus cura dois cegos em Jericó.

Jesus entra de forma messiânica em Jerusalém

Jesus ao escolher entrar em Jerusalém montado num jumentinho, sabia o que estava fazendo:
A profecia de Zacarias 9,9 previa que a entrada do Messias em Jerusalém seria desta forma:

“....Eis que o teu rei vem a ti, manso e montado em um jumento, um jumentinho, filho de uma jumenta.”
(Zc 9,9)

Ezequiel 43,1-5 previa que o Messias entraria exatamente pela porta oriental, a que dá vista para o monte das
oliveiras:

“....Fui então conduzido ao pórtico oriental, e eis que a glória do Deus de Israel chegava do oriente,......
A glória do Senhor penetrou no templo pela porta oriental.”
(Ez 43,1-5)

Realizando este gesto, Jesus conscientemente aplicou a si mesmo as profecias, o que traria a indignação dos
religiosos da época, os saduceus, os escribas e fariseus.

Hoje, esta porta na muralha de Jerusalém é chamada de PORTA DOURADA, porque quando ela foi selada,
usaram um tipo de pedra de cor diferente.

Ezequiel 44,1-2 previa que esta porta seria fechada:

“..Ele reconduziu-me ao pórtico exterior do santuário, que fica de frente para o oriente, o qual se achava
fechado. O Senhor disse-me: Este pórtico ficará fechado. Ninguém o abrirá, ninguém aí passará, porque
o Senhor, Deus de Israel, aí passou; ele permanecerá fechado.”
(Ez 44,1-2)

Durante o domínio muçulmano sobre Jerusalém, Saladino, tomou conhecimento da profecia que previa a entrada
do Rei de Israel por aquela porta e mandou que fosse selada. Sem querer, Saladino cumpriu a profecia de Ezequiel.

Jesus purifica o templo expulsando os cambistas, os vendedores e compradores. É o ponto de partida para a
conspiração que levará à sua paixãoe morte. Os judeus questionam com que autoridade Jesus faz o que faz.
Nas parábolas dos dois filhos, da vinha, dos maus vinhateiros e das bodas, Jesus demonstra que os judeus
não aceitaram a Sua vinda e o Seu reino. Este reino deve ser dado a outros.
Os confrontos com os fariseus e escribas se seguem na discussão sobre o tributo a César, sobre a ressurreição
dos mortos e sobre o maior dos mandamentos. Em todos estes confrontos a multidão fica extasiada com as
respostas de Jesus que “fecha-lhes a boca”.

O clímax se aproxima: Jesus ataca os escribas e fariseus chamando-os novamente de hipócritas. Jesus se dirige
às multidões e lança os “Sete Aís” sobre os fariseus e escribas. (Mt 23, 13-36).

Jesus chora sobre e preve as dores e toda tribulação que cairá sobre Jerusalém.
A parábola da figueira, a importância de se vigiar sempre, a parábola do mordomo, a parábola das dez virgens,
a parábola dos talentos, a parábola do julgamento final; são todas sobre se preparar para o que virá, ou seja,
a sua paixão iminente e o dia em que voltará para o juizo do final dos tempos.

Resumo: O casamento, as criancinhas, o jovem rico, os trabalhadores da vinha, anúncio da paixão, confronto
com fariseus, parábolas, o tributo a César, discurso sobre os fariseus e escribas, Jesus chora sobre Jerusalém,
mais parábolas culminando com a parábola do juizo final.

VII – A Paixão e a Ressurreição (Mt 26,1 – 28,20)

Os saduceus (sacerdotes) e os anciãos do povo (o sinédrio) com Caifás à frente decidem criar um ardil para
prender e matar Jesus. Jesus explica aos seus que a unção em Betânia é uma preparação para seu sepultamento.

Marcos 14,3-9 ( “...uma mulher, em Betânia, na casa de Simão, o leproso..”),
Mateus 26,6-13 ( “...uma mulher, em Betânia, na casa de Simão, o leproso..”)
e Lucas 7,36-50 ( “uma mulher pecadora na casa de um fariseu”)não identificam esta mulher que unge os pés
de Jesus.
Porém, o evangelista João 12,1-11 afirma ser Maria, irmã de Lázaro.
( “Jesus foi a Betânia, onde estava Lázaro....ofereceram-lhe um jantar...Marta servia e Lázaro era um dos que estavam
à mesa...Maria, tomando uma libra de perfume....ungiu os pés de Jesus..”
)

A traição de Judas dá sequência aos acontecimentos.

Mateus diz que o preço da traição serão trinta moedas de prata, trinta siclos, ou seja, o preço que a Lei fixava para a
vida de um escravo (Ex 21,32). A comunidade de Mateus entendeu o que isso significava: A vida de Jesus valia tanto
quanto a de um escravo.

Jesus manda preparar a ceia pascal e nela anuncia a traição. Jesus institui a Eucaristia. A negação de Pedro é predita.
Jesus, com os Onze, se dirige ao Getsêmani onde reza ao Pai na mais completa solidão, enquanto os discípulos
dormem. Jesus acorda os discípulos para avisá-los que a hora é chegada. Judas se aproxima com os soldados
do sinédrio e prendem a Jesus.

Mateus mostra mais uma vez que tudo, inclusive a forma da prisão, acontece como previsto pelas Escrituras, até
mesmo o fato de ser abandonado por TODOS os seus discípulos. (Salmos 22,11)

Jesus é conduzido ao sinédrio onde um simulacro de julgamento acontece. Como a palavra das testemunhas
não é suficiente para levar à condenação, o sumo sacerdote o desafia a declarar-se Messias. Diferente de Marcos,
onde Jesus diz: “Eu sou” , aqui a resposta é: “Tu o disseste.” Jesus é declarado blafesmo. É agredido, cuspido e
atacado a tapas.

Pedro, que acompanhava do lado de fora, nega Jesus três vezes: a uma criada, outra mulher e a um grupo de
pessoas que acompanhavam tudo.

Mateus e Marcos concordam que Pedro estava do lado de fora , mas Lucas, após a terceira negação diz:

“.. e o Senhor, voltando-se, fixou o olhar em Pedro.”(Lc 22,61)

Jesus, pela manhã, é conduzido a Pilatos. Mateus antes de voltar ao encontro com Pilatos narra rapidamente
o arrependimento e a morte de Judas e o cumprimento de mais uma profecia, desta vez sobre como as trinta
moedas de prata, que Judas devolveu, foram gastas.

“...E tomaram as trinta moedas de prata, o preço do Precioso, daquele que os filhos de Israel avaliaram, e
deram-nas pelo campo do Oleiro, conforme o Senhor me ordenara.” (Zc 11,12-13).

Assim, como Deus na pessoa de Zacarias queixou-se dos israelitas com relação ao recebimento de um valor
irrisório, Mateus vê um oráculo profético em Jesus ser vendido pelo mesmo valor.

Jesus é interrogado por Pilatos, que pergunta: “...És tu o rei dos judeus ?” (Mt 27,11).
A resposta de Jesus é: “Tu o dizes.” (Mt 27,11).

Mateus mostra um Pilatos que tenta de tudo para não condenar Jesus, em contraposição aos saduceus e os
membros do sinédrio: Pilatos questiona porque Jesus não responde às acusações, tenta trocá-lo por um bandido
chamado Barrabás, tudo em vão. Mateus lembra ainda que a mulher de Pilatos manda avisá-lo para que :

“Não te envolvas com este justo, porque muito sofri hoje em sonho por causa dele .” (Mt 27,11).

Enfim, Pilatos, vendo que nada demovia os judeus, resolve “lavar as mãos”.

Um gesto que se tornou símbolo até os dias de hoje. O gesto de Pilatos lavando as mãos só aparece no evangelho
de Mateus. Estava claro para o evangelista quem matou Jesus: os judeus. Os mesmos Judeus que formavam a
maioria da sua comunidade.

Jesus recebe a coroa de espinhos, é agredido, caminha até o local da crucifixão. Lá os responsáveis repartem entre
si as vestes de Jesus, para cumprir outra profecia:

“...repartem entre si minhas vestes, e lançam sortes sobra a minha roupa.” (Salmo 22,19)

Jesus é escarnecido e injuriado e é crucificado entre dois ladrões, os quais também o insultam.

Apenas o evangelista Lucas narra o episódio do “Bom Ladrão”. Também, não poderia ser diferente, já que o
evangelho de Lucas é conhecido como “ O EVANGELHO DO PERDÃO”. Mas isto você verá quando tratarmos de Lucas.

Mateus mostra Jesus sendo insultado até instantes antes de morrer. Assim como Marcos, Mateus mostra a agonia
de Jesus destacando a frase:

“Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste?” (Mt 27,46 – Mc 15,34)

Em Lucas lemos: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito.” (Lc 23,46).
Em João lemos:“Está consumado!” (Jo 19,30).

Mateus, assim como Marcos e Lucas, diz que quando Jesus morreu “ ...o véu do Santuário se rasgou em duas partes,
de cima a baixo...”

No templo de Salomão, havia um local chamado Santo dos Santos, onde os judeus acreditavam que Deus morava.
Esta sala era separada do restante do templo por uma enorme cortina ou véu. Portanto, Deus “morava” num
lugar separado do resto de templo, onde “moravam” os homens. Os homens estavam separados de Deus pelo
pecado de Adão. Neste lugar apenas o sumo sacerdote podia entrar e apenas uma vez por ano para oferecer
sacrificios a Deus.

A simbologia de Mateus e Marcos é a seguinte:

Jesus é o único e verdadeiro Sumo Sacerdote, e como Ele é Deus ofereceu um sacrificio perfeito, não há mais
necessidade de outros sacrificios. Os homens estavam separados de Deus desde o pecado de Adão, mas esta
separação foi anulada com o sacrificio de Jesus, o cordeiro sem manchas, o próprio Deus feito homem.
Jesus é o Emanuel, que significa: Deus conosco.
Já não há mais separação; Deus veio viver no meio de nós.
Assim, o véu, que se rasga de cima abaixo, deixa claro que Deus não mora mais no Santo dos Santos e sim no meio
de sua Igreja. Deus “saiu” do Santo dos Santos e habita entre nós.
É interessante ainda detalhar que Mateus diz que o véu rasgou “de cima abaixo”, ou seja, começou a rasgar em cima
e foi até o chão, para mostrar que esta ação veio dos céus, de Deus e não dos homens.

Mateus narra então que José de Arimatéia pede o corpo a Pilatos e junto com as santas mulheres, Maria Madalena,
Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu, tomam as providências para o sepultamento.
Em seguida, Mateus narra um episódio que não aparece nos outros evangelhos:

“ ...os sumos sacerdotes e os fariseus, reunidos junto a Pilatos, diziam: “Senhor, lembramo-nos de que aquele
impostor disse, quando ainda vivo: ‘Depois de três dias ressurgirei!’ Ordena, pois, que o sepulcro seja guardado
com segurança até o terceiro dia....E, saindo, eles puseram em segurança o sepulcro, selando a pedra e montando
guarda.” (Mt 27,62-66)

No domingo de manhã as mulheres vão até o túmulo quando acontece um grande terremoto, os guardas desmaiam,
e um anjo anuncia que Jesus ressurgiu e diz a elas para avisarem os discípulos que Ele os precede na Galiléia.
As mulheres saem correndo para avisar os discípulos e ato contínuo Jesus vem ao encontro delas. Jesus reforça:

“ ...Ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galiléia, lá me verão.” (Mt 28,10)

Mateus narra outro episódio que não aparece nos outros evangelhos :

“ ...Enquanto a mulheres iam avisar os apóstolos,.. os sumos sacerdotes e anciãos foram avisados pelos guardas
sobre o que acontecera. Deliberaram dar aos soldados uma vultosa quantia de dinheiro para eles dizerem que
os discípulos de Jesus roubaram o corpo enquanto eles dormiam....e até os dias de hoje os judeus acreditam
nesta história.” (Mt 28 11-15 )

Mentira tem perna curta mesmo. Afinal, se eles estavam dormindo como poderiam ver quem “roubou” o corpo ?

Finalmente Jesus se encontra com os Onze na Galiléia e ordena-lhes:

“ ...Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho
e do Espirito Santo....” (Mt 28,19-20)

É claro que esta ordem de batizar em nome da Trindade Santa, é um acréscimo tardio e deve refletir uma
fórmula litúrgica de época posterior, pois no início da Igreja o normal era batizar

“ ...no nome de Jesus.” (At 2,38).

A doutrina da trindade começou a ser formulada, pelos padres da Igreja, apenas a partir do século II.
Então estas palavras foram inseridas em época posterior, quando já se batizava em nome do Pai, do Filho e do
Espírito Santo.

Resumo: A unção em Betânia, as trinta moedas de prata, a eucaristia, o Getsêmani, prisão de Jesus, Jesus no
sinédrio, Pedro nega Jesus, Jesus com Pilatos, arrependimento e morte de Judas, Pilatos lava as mãos, a Paixão,
a morte de Jesus, o véu do santuário, o sepultamento, a ressurreição, Galiléia.

TEOLOGIA DO EVANGELHO DE MATEUS.

O Evangelho de Mateus é considerado pela maioria dos exegetas dividido em cinco discursos. Assim como Moisés
teria escrito os cinco primeiros livros da Bíblia Judaica (O Pentateuco), Jesus, o novo Moisés, nos trouxe seus
cinco discursos que encerram tudo o que é necessário para a comunidade cumprir seu papel neste mundo.
Repetindo aqui o Pe. Zé Luiz no seu material sobre este evangelho, temos:

1. A Nova Lei de Jesus, ou seu grande projeto para uma nova sociedade (cap. 5-7).
2. Como divulgar esse projeto (cap. 10)
3. A realidade das comunidades, o Reinado dos Céus (Deus), neste mundo (cap. 13)
4. Que é comunidade? Cargos, união dos membros (cap. 18)
5. E agora, depois desse fim de mundo que foi a destruição de Jerusalém? Para onde vamos?

O plano deste evangelho é muito mais elaborado que Marcos e dividido em cinco seções às quais foram incluídas
duas outras partes. Uma antes do primeiro discurso trata da infância e outra, após o quinto discurso, trata da Paixão
e Ressurreição. Temos então um conjunto de sete partes.

Cada um destes discursos é antecedido de fatos da vida de Jesus que preparam o discurso em si.
A Bíblia de Jerusalém nos ensina assim:

“ Pode-se caracterizar o evangelho de Mateus como um drama em sete atos sobre a vinda do Reino dos Céus:

1) Seus preparativos na pessoa do Messias menino (1-2);
2) A promulgação do seu programa, diante dos discípulos e do povo, no Sermão da Montanha (3-7);
3) Sua pregação por meio de missionários, cujos “sinais” (que vão confirmar a sua palavra) são anunciados
pelos milagres de Jesus, e aos quais o Discurso da missão apresenta diretrizes (8-10);
4) Os obstáculos que deve encontrar da parte dos homens, segundo o plano humilde e oculto, desejado por
Deus, que o Discurso das parábolas (11,1-13,52) ilustra;
5) Seus começos num grupo de discípulos que tem Pedro como chefe, primicias da Igreja, cujas normas de vida
são esboçadas no Discurso comunitário (13,53-18,35);
6) A crise que prepara seu advento definitivo, suscitada pela crescente oposição dos chefes judeus e anunciada
pelo Discurso Escatológico (19-25);
7) Enfim, o próprio advento, no sofrimento e no triunfo, pela Paixão e a Ressurreição (26-28).

Este Reino de Deus (= dos Céus), que deve restabelecer entre os homens a autoridade soberana de Deus como
Rei finalmente reconhecido, servido e amado, tinha sido preparado e anunciado pela Antiga Aliança.
Por isso Mateus, que escreve entre os judeus e para os judeus, procura mostrar, na pessoa e na obra de
Jesus, principalmente o cumprimento das Escrituras.
Em cada encruzilhada de sua vida, ele se refere ao AT para provar como se “cumprem” a Lei e os Profetas, isto é,
não só se realizam conforme era esperado, mas também chegam a uma perfeição que os coroa e os supera.”

Bibliografia:

- Alfred Lappe – As Origens da Bíblia – Vozes 1973
- Alfred Lappe – Interpretação Atualizada e Catequese – Vol.03 – N.T. – Paulinas -1980
J.Auneau – F.Bovon – M.Gougues E.Charpentier-J.Radermakers –Evangelhos Sinóticos e Atos dos Apóstolos-
Ed.Paulinas – 1985
Biblia de Jerusalém NT - Ed.Paulinas -
Biblia do Peregrino NT - Editora Paulus -

Voltar ao Menu