CURSO DE BÍBLIA PARA INICIANTES

AULA 08 - O EVANGELHO DE MARCOS.

QUEM ESCREVEU ?

A tradição da Igreja desde o século II aponta uma ligação estreita entre o autor do Evangelho de Marcos
e o apóstolo Pedro:

PÁPIAS, bispo de Hierápolis, na Frígia (70 ? a 155 d.C.) ,escreveu:

"Intérprete de Pedro, S.Marcos, conforme ia se lembrando, pôs por escrito as palavras e atos do Senhor,
embora não na mesma ordem. Pois não ouvira as palavras da própria boca do Senhor, nem fora seu
discípulo. Foi-o, sim, mais tarde, de Pedro."

IRINEU DE LION(130 a 202 d.C.) disse :

"Marcos, após a morte de Pedro, redigiu por escrito as pregações do apóstolo."

CLEMENTE DE ALEXANDRIA (150 a 215 d.C.) disse :

"Marcos escreveu seu evangelho próximo do fim da vida de Pedro."

ORÍGENES DE ALEXANDRIA (185-253 d.C.) disse :

“o Evangelho segundo Marcos, composto de acordo com o que Pedro lhe ensinara...”.

EUSÉBIO DE CESARÉIA (265-339 d.C.) cita Clemente do seguinte modo:

“O evangelho segundo Marcos foi elaborado da seguinte forma: Pedro anunciava a palavra publicamente
em Roma e explicava o evangelho guiado pelo Espírito. Os numerosos ouvintes insistiram para que Marcos,
seu companheiro por muito tempo e, por isso, bem lembrado de suas palavras, transcrevesse o que ele
havia dito. Marcos o fez e transmitiu o evangelho aos que lho haviam pedido. Tendo conhecimento disto,
Pedro nada aconselhou que o impedisse ou estimulasse a escrever... Eis o que refere Clemente.”

(História Eclesiástica, Livro VI, Cap.14,6-7)

Outros tentaram identificar o autor com o personagem de nome Marcos que aparece em:

At 12,12 - como um discípulo de Jerusalém;
At 12,25 ; 13,5.13 ; Fm 24; 2 Tm 4,11- auxiliando o apóstolo Paulo;
At 15,37.39 ; Cl 4,10 - com Barnabé, seu primo;
1Pd 5,13 - com Pedro.

No entanto, como o nome Marcos era corrente na época, é impossível afirmar que todas as citações
acima dizem respeito à uma mesma pessoa.

Lembrando o Pe. Zé Luiz, nosso mestre em Bíblia, como visto na Aula 06 :

“Tradição muito antiga atribui os Evangelhos a algum dos Doze ou a discípulos deles. Existem outros
"Evangelhos" (de Tomé, de Pedro, etc.) também atribuídos a algum dos Doze e que não foram aceitos
na Bíblia. A sabedoria dos nossos irmãos na fé lá dos primeiros séculos é que adotou esses quatro.
O fato de fazerem parte da Bíblia, porém, não garante que o Apóstolo ou discípulo dos Apóstolos que
lhes dá nome seja mesmo seu autor.”

QUANDO ESCREVEU ?

Quanto à época em que foi escrito, há concordância entre os exegetas modernos que foi antes da queda
de Jerusalém, portanto antes de 70 d.C. .
Considerando as citações de Pápias, Clemente, Irineu, etc. e a não alusão á queda de Jerusalém,
provavelmente a redação final deste evangelho foi entre 65 e 68 d.C..

PARA QUEM E ONDE FOI ESCRITO ?

A comunidade do evangelho de Marcos é formada de judeus e gentios convertidos. Gentio era o nome que
os judeus davam aos não judeus. Há autores que dizem ter sido escrito em Roma, como cita acima, Eusébio
de Cesaréia. Mas o enredo deste Evangelho parece transcorrer durante o período marcado pela
deflagração do movimento rebelde na Judéia e na Galileia no ano 66, quando os exércitos romanos foram
enviados para sufocar a rebelião, por isso, autores mais modernos discordam de Roma e se dividem entre
a Galiléia e Antioquia na Siria. Nâo se sabe ao certo. A única certeza é que era uma comunidade com maioria
de pagãos convertidos.

COMO FOI DIVIDIDO ESTE EVANGELHO ?

I – Introdução , João Batista e o Batismo. (Mc 1,1 - 13)

Marcos começa seu evangelho por João Batista no qual se cumpre a profecia de Isaías (Is 40,3).
Marcos apresenta João Batista batizando Jesus e o Espirito Santo descendo sobre Ele.

Resumo: João Batista e o batismo de Jesus.

II - O Ministério na Galiléia. (Mc 1,14 - 7,23)

Marcos narra então as ações de Jesus na Galiléia; inicia falando que o Reino de Deus está próximo.Jesus escolhe
os primeiros discípulos, faz uma cura na sinagoga, depois cura a sogra de Pedro, faz mais curas e expulsa
demônios por toda a Galiléia.
Em Carfanaum cura e perdoa pecados e acontece o primeiro confronto com os escribas. Jesus chama um
cobrador de impostos (Levi ou Mateus) para segui-lo, come com publicanos e pecadores, escandalizando os
escribas e fariseus.
Segue-se uma série de discussões com os escribas e fariseus:
sobre o jejum, sobre guardar o sábado, etc. Jesus completa o número de seus discípulos, são doze, como são
doze as tribos de Israel. Mc 3,16-19.

A própria família de Jesus não o compreende: Mc 3,21 : “...enlouqueceu ! ”

Os escribas e fariseus dizem que Jesus está possuído por Belzebu.

Jesus fala de uma Nova Família formada por aqueles que fazem a vontade de Deus; conta as parábolas do
semeador, da lampada, da semente, do grão de mostarda. Jesus acalma as ondas do mar, expulsa demônios
na região de Gerasa e cura a filha do chefe da sinagoga.

Jesus visita Nazaré, onde cresceu; não pode fazer nenhum milagre ali, apenas cura alguns enfermos.
Para receber milagres é preciso ter fé. Sem ela não há milagres.

Marcos narra a execução de João Batista por ordem de Herodes, o qual pensa que Jesus é João ressuscitado.

Acontece a primeira multiplicação dos pães. Jesus caminha sobre as águas, faz curas na região de Genesaré.
Discute com os fariseus sobre a tradição de não comer sem lavar as mãos.
Jesus conhece a hipocrisia deles e cita o profeta Isaías:
“ ...Este povo honra-me com os lábios, mas seu coração está longe de mim..”  Is 29,13.

Resumo: Os doze – Curas e milagres - Conflitos com os escribas e fariseus - A Nova Família –
                 O poder da fé – Mais milagres – A hipocrisia dos fariseus.

III - Viagens fora da Galiléia. (Mc 7,24 - 10,52)

As viagens se dão principalmente na região da Decápole (Dez cidades), região de Cesaréia de Filipe habitada
por não judeus. Uma região considerada pelos judeus área de povos pagãos, pecadores, impuros.
Jesus vai até lá, expulsa o demônio de uma menina, cura um surdo gago, realiza a segunda multiplicação dos
pães, os discípulos não compreendem Jesus.
Várias vezes o evangelista mostra a dificuldade dos discipulos para compreender Jesus e quem Ele era.
Então acontece a confissão de Pedro: “ Tu és o Messias.”

O discurso de Jesus se torna mais profundo: anuncia pela primeira vez a sua paixão; a verdadeira vida é o
Reino de Deus; tomar a cruz e seguí-lo. A transfiguração com a presença apenas de Pedro, Tiago e João.
Jesus cura um menino que os discípulos não conseguiram curar.
A fé é exaltada da novamente:“..Tudo é possível para aquele que crê.” .

Jesus anuncia pela segunda vez a sua paixão, fala sobre a caridade, fala sobre o divórcio, recebe as criancinhas,
fala com o jovem rico e sobre a dificuldade dos ricos entrarem no reino dos céus.
“ Mas para Deus nada é impossível...” .

Jesus anuncia pela terceira vez a sua paixão, alerta Tiago e João de que:
“...aquele que quiser ser o primeiro dentre vós, seja o servo de todos.”.
A última cura antes de chegar a Jerusalém é em Jericó e justamente um caso de muita insistência e fé:
a cura do cego, filho de Timeu (Bartimeu): “Filho de Davi, tem compaixão de mim...Que queres que eu te faça...
Mestre, que eu possa ver novamente!....Vai, tua fé te curou.”
  Mc 10, 48-52

Resumo: Jesus junto aos pagãos – O Reino de Deus – A verdadeira fé – Jesus no meio do povo –
                Anúncios da paixão – A fé tem o poder de curar -

IV - Em Jerusalém. (Mc 11,1 - 13,37)

Marcos começa esta parte do seu evangelho coma entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, sentado num
jumentinho, como previsto por Isaías. É esta entrada que comemoramos no Domingo de Ramos.

Jesus expulsa os “vendilhões do templo”, primeiro e decisivo conflito com os saduceus, sacerdotes responsáveis
pelo ritual no templo judeu. Eram poderosos, ricos e sua fortuna vinha de todas as operações relativas aos
sacrifícios feitos no templo de Jerusalém.

O ministério em Jerusalém será uma sucessão de discussões com os escribas, fariseus e os sacerdotes do
templo, os saduceus. Dentre estes, os saduceus eram os mais poderosos, contando com sua própria polícia e o
controle do sinédrio, que teria papel capital na condenação de Jesus.

Jesus é confrontado diversas vezes, pelos fariseus e escribas: sobre com que autoridade ele faz o que faz;
sobre os judeus terem recusado a Pedra Angular; sobre o imposto a César; sobre a ressurreição dos mortos;
sobre o maior dos mandamentos; sobre as dores e a grande tribulação de Jerusalém; previsão da glória do
Filho do Homem .

Resumo: Entrada triunfal – os vendilhões do templo – confronto com os saduceus –
                discussão com escribas e fariseus – aviso sobre o principio da paixão -

V - Paixão e Ressurreição. (Mc 14,1 - 16,8)

Marcos começa pela conspiração dos escribas e saduceus visando prender Jesus.

A unção em Betânia é um sinal. Jesus manda preparar a celebração da páscoa. Avisa sobre a traição iminente,
institui a Eucaristia, prevê a negação de Pedro. Jesus e os Onze vão para o Getsêmani onde Jesus é preso e todos
fogem. Um pormenor que só aparece em Marcos, fala de um jovem que se vestia apenas com um lençol e, na
correria, para não ser preso, larga o lençol nas mãos dos guardas e foge nu.
Seria Marcos? Alguns estudiosos acreditam que sim, senão porque dar destaque a fato tão sem importância ?

Em sequência rápida, Jesus é levado ao sinédrio, Pedro nega Jesus, Jesus é levado a Pilatos, é coroado de
espinhos, carrega a cruz, é escarnecido e injuriado, tentam dopá-lo com vinho e mirra, Ele não aceita , repartem
suas vestes, é crucificado entre dois ladrões,e morre na cruz.
O centurião (um pagão) reconhece que:“...este homem era filho de Deus.”  (Mc 15,39)

Devido a proximidade da hora do início da páscoa judaica - começaria ao cair da tarde e Jesus morreu na
nona hora - (três da tarde -15 hs), todos tem pressa em realizar o sepultamento. José de Arimatéia pede o
corpo a Pilatos, providencia o sudário e juntamente com as santas mulheres realiza, às pressas, o sepultamento.

Passado o sábado e chegado o domingo as mulheres vão ao sepulcro para terminarem a unção do corpo.
Encontram o túmulo aberto e vazio. Um jovem vestido de branco as avisa que Jesus ressuscitou.
Diz a elas para avisarem Pedro e os discípulos que Jesus os espera na Galiléia.
“ Mas elas nada contaram a ninguém pois tinham medo...” (Mc 16,8)

Resumo: Conspiraçao dos judeus – a unção como sinal – No Getsêmani – a prisão –
                 Jesus no sinédrio – Jesus com Pilatos – paixão e morte de Jesus – o sepultamento – a ressurreição.

Assim termina o Evangelho segundo Marcos. Mas..........

VI - Acréscimo (Mc 16,9 - 20)

Este acréscimo relata as aparições de Jesus à Maria Madalena, aos dois discípulos de Emaús, e finalmente
aos Onze, ordenando que pregassem o Evangelho a todo o mundo. Jesus é então arrebatado ao céu e os
discipulos saem a pregar por toda parte.

Os versículos de 9 a 20 desde o primeiro século, encontraram dificuldade de serem aceitos pela comunidade
primitiva e pelos padres da Igreja. Veja o que diz a Bíblia de Jerusalém:

“O trecho final de Mc (vv.9-20) faz parte das Escrituras inspiradas; é tido como canônico.Isso não significa
necessariamente que tivesse sido escrito por Mc. De fato, põe-se em dúvida que esse trecho pertença a redação
do segundo evangelho. As dificuldades começam na tradição manuscrita. Muitos manuscritos, entre eles o
CODEX VATICANUS e o CODEX SINAITICUS omitem o final atual.
Em lugar da conclusão comum, um manuscrito tem um final mais breve que dá continuidade ao versículo 8:

“ Eles narraram brevemente aos companheiros de Pedro o que lhes tinha sido anunciado.Depois, o mesmo
Jesus os encarregou de levar, do Oriente ao Ocidente, a sagrada e incorruptível mensagem da salvação eterna.”

Quatro manuscritos dão em seguida os dois finais, o breve e o longo. Por último, um dos manuscritos que trazem
o final longo intercala entre os versículos 14 e 15 outro trecho.”

Diz ainda a Bíblia de Jerusalém:

“...acrescentemos que , entre os versículos 8 e 9 , existe , nesta narrativa, solução de continuidade. Além disso,
quando muito, se admite que o segundo evangelho, na sua primeira redação, terminava bruscamente no v.8.
Donde a suposição de que o final primitivo desapareceu por alguma causa por nós desconhecida e de que o atual
fecho foi escrito para preencher a lacuna.... contudo, o final que hoje possuímos era conhecido, já no século II,
de Taciano e Santo Irineu, e teve guarida na imensa maioria dos manuscritos gregos e outros.
Se não se pode provar ter sido Mc o seu autor, permanece o fato de que ele constitui, nas palavras de Henry
Barclay Swete, “uma autêntica relíquia da primeira geração cristã” ”

Mesmo que este evangelho termine mesmo em Mc 16,8, o objetivo foi alcançado, que era transmitir o
QUERIGMA cristão, ou seja: o anúncio da Boa-Nova do acontecimento Jesus de Nazaré realizado na força do
Espírito Santo, baseado no testemunho pessoal dos apóstolos.

TEOLOGIA DO EVANGELHO DE MARCOS.

É interessante notar que dentre os quatro evangelistas, apenas Marcos chama de “EVANGELHO” o seu trabalho
escrito:“Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus..”- Mc 1,1

Mateus escreve:“Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão...”- Mt 1,1

Lucas chama seus escritos de:“...um relato coordenado..”- Lc 1,3

O vocábulo “evangelho” aparece 7 vezes em Marcos, 4 vezes em Mateus e nenhuma vez em Lucas.

Evangelho significa Boa nova, boa notícia e desde cedo fez parte do vocabulário dos missionários cristãos.
Nas cartas de Paulo, o missionário por excelência, aparece inúmeras vezes.

O tema do evangelho de Marcos é o Reino de Deus e dentro desta narrativa se destaca a questão de
QUEM É JESUS ?

Para Marcos, Jesus é o Filho de Deus e Filho do Homem:
O Filho do homem:Jesus humano e sofredor.
O Filho de Deus: Jesus que após a paixão e morte, e morte de cruz, reaparece vitorioso e ressuscitado.

No entanto, ao longo deste evangelho, várias vezes Jesus proibe que revelem quem ele é, até que ressurgisse
dentre os mortos:

Proibe os demônios em: Mc 1, 25-34 ; Mc 3,11-12 .
Proibe os doentes que curava: Mc 1, 44-45 ; Mc 5,43 ; Mc 7,36 ; Mc 8,26.
Proibe os discípulos: Mc 6,52 ; Mc 8,29-30 ; Mc 9,9 .

Porque Jesus proibe a todos de revelarem que ele é o Messias ?

Este assunto é tratado entre os especialistas com o título de Segredo Messiânico e muitos livros já foram editados
sobre o assunto, desde 1901 com o teólogo alemão Georg Friedrich Eduard William Wrede, ou apenas W. Wrede.
Para este autor, Jesus não foi nem se considerou messias.
Não é intenção nossa num curso para iniciantes abordar a fundo este assunto. Veja ao final da aula a bibliografia
que trata do Segredo Messiânico.

Não podemos deixar de lembrar que, como nos ensina a exegese bíblica:
“... os textos da bíblia não são uma janela para vermos o passado, mas um espelho que reflete a situação
da comunidade de onde veio o texto, na época em que foi escrito.” Pe. Zé Luiz

A comunidade que nos deu o Evangelho de Marcos, em aproximadamente 68 dC. , já sabia quem Jesus era:
O filho de Deus vivo, encarnado e que veio ao mundo para, fazendo a vontade do Pai, resgatar a humanidade.

Então não havia necessidade dessa comunidade esconder no texto algum segredo, que já fora revelado.

A pergunta para eles não era: QUEM É JESUS ?

A pergunta correta era:
Porque Jesus não se manifestou logo como Messias?
Porque escondeu até a paixão que era o Messias esperado e previsto pelos profetas?

Na época de Jesus havia várias visões diferentes sobre o Messias esperado. Os fariseus tinham um modelo de
Messias, os saduceus outro modelo ( se é que o tinham), os essênios outro, os zelotes outro ainda.
A grande maioria esperava um messias guerreiro que pela força libertaria Israel do domínio estrangeiro e
restauraria o reino de Davi.
Este tipo de messias não precisaria fazer milagres, nem ser um deus, bastaria livrá-los do jugo estrangeiro e trazer
paz e prosperidade.

Quais seriam os motivos de Jesus para não permitir que o declarassem O MESSIAS?

Jesus sabia que não era este tipo de Messias esperado por Israel.
Ele não vinha para ser rei. Seu reino não é deste mundo.
Não veio para ser servido, mas para servir.
Não veio libertar os homens uns dos jugos de outros. Veio nos libertar do pecado.
Levar a humanidade de volta para o Pai.
Não veio trazer a paz, mas a GRAÇA.

Porém, PRECISAVA PAGAR UM PREÇO.

Este tipo de messias nem os discípulos esperavam; tanto que quando Jesus revelou isto a eles:
“..que era necessário que o Filho do Homem sofresse muito, e fosse rejeitado pelos anciãos, sumos
sacerdotes e escribas, e fosse morto e, depois de três dias, ressuscitasse.”
  (Mc 8,31) , Pedro tentou dissuadi-lo.
Jesus chamou Pedro de Satanás porque “..não pensas as coisas de Deus, mas dos homens.! “   (Mc 8,33)

A única coisa que causaria tal revelação seria tumulto geral, tal como quando, após a multiplicação dos pães,
a multidão o procurava para fazê-lo rei.

A comunidade de Marcos, em sua maioria, pagãos convertidos, precisava aprender que ser cristão é começar
da cruz em diante. O que dá sentido à vida da comunidade é seguir Jesus, pegando a sua cruz e seguindo o mestre.
Não é ser servido como um rei, mas servir a todos, curar, perdoar, amar o outro como o Mestre o fez.
O Messias verdadeiro.
E para fazer isso não é preciso ser alguém especial, basta seguir o exemplo de Jesus. Portanto, mesmo eles,
pagãos récem convertidos, cheios de defeitos, pecadores, se reconhecem nos exemplos deste evangelho, como
filhos de Deus.

Para terminar é interessante ver que ao longo do evangelho, Marcos nos mostra que Jesus não é aceito e acreditado
até pelos seus discípulos. Muitos duvidavam ainda.

Como deve ter sido consolador para esta comunidade de pagãos convertidos saber que ao pé da cruz, depois
de ser abandonado por todos, inclusive por seus discípulos, é um pagão que reconhece a divindade de Jesus :
“ Jesus, então, dando um grande grito, expirou. E o véu do Santuário se rasgou em duas partes, de cima a
baixo. O CENTURIÃO, que se achava bem defronte dele, vendo que havia expirado deste modo, disse:
De fato, este homem era filho de Deus! “

Bibliografia:

- Alfred Lappe – As Origens da Bíblia – Vozes 1973
- Alfred Lappe – Interpretação Atualizada e Catequese – Vol.03 – N.T. – Paulinas -1980
J.Auneau – F.Bovon – M.Gougues E.Charpentier-J.Radermakers –Evangelhos Sinóticos e Atos dos Apóstolos-
Ed. Paulinas – 1985

Bibliografia sobre o Segredo Messiânico para quem quer se aprofundar:

HENDRIKSEN, William. Marcos. São Paulo: Cultura Cristã, 2003.
(Comentário do Novo Testamento).
KONINGS. Johan. Marcos. Edições Loyola, 1994
MULHOLLAND, Dewey M. Marcos: introdução e comentário.
Tradução de Maria Judith Prado Menga. São Paulo: Vida Nova, 1999.
THEISSEN, Gerd. O Jesus histórico: um manual. Edições Loyola, 2002.
ZUCK, Roy. Teologia do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

FUSCO, V. – Marcos. In NUEVO Diccionario de Teologia Biblica. Dir. P. Rossano, G. Ravasi, A. Girlanada.
Madrid: ed. Paulinas, 1990.
GNILKA, Joachim – El Evangelio Según San Marcos. Mc 1-8,26. Salamanca: ed. Sigue-me, 1986, Vol I.
MONASTÉRIO, Rafael Aguirre; CARMONA, António Rodríguez – Evangelios Sinópticos y Hechos de los Apóstoles.
Navarra: ed. Verbo Divino, 1992.
SCHMID, Joseph – El Evangelio Según San Marcos. Barcelona: ed. Herder, 1967.

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