OS TEMPOS DO SEGUNDO TESTAMENTO




DATAS
30
35
49
54
64
66
70
85
90
Acontecimentos
Morte de Jesus
Conversão de Paulo
Judeus expulsos de Roma
Judeus podem voltar
Perseguição em Roma
Guerra judaica
Destruição de Jerusalém
Decreto de Jâmnia: “hereges” expulsos da sinagoga
Culto imperial. Cristianismo, “Religio illicita”
Imperadores romanos
14-37 Tibério
37-41 Calígula. Quer pôr sua estátua no Templo
41-54 Cláudio. Expulsa de Roma os judeus
54-68 Nero. Permite volta dos judeus
Nero culpa cristãos. Mata Pedro e Paulo
68-69 Instabilidade política em Roma
79-81 Tito
81-96 Domiciano
A vida da Igreja
Primeiras comunidades
Judaísmo, sim ou não?
Conflito interno, os judaizantes
Conflito interno, os judaizantes. Problema dos judeus que retornam a Roma
Perseguição aos cristãos em Roma
Entrar ou não no fanatismo da guerra judaica? Cristãos judeus saem de Jerusalém
Agrava-se o conflito com os fariseus
Conflito com Rabinos e ju-daísmo formativo
Perseguição por causa do culto imperial. Fariseus acusam cristãos
Escritos do Novo Testamento
Querigma: Deus aprovou a morte de Jesus. Ele é o Messias (Cristo)
Tradições orais
Tradições orais e escritos esparsos como Q. (*)
51: 1 e 2Ts
54-56: 1 e 2Cor, Fl, Gl, Fm, Cl?
57-58: Rm
 
67-68 Mc
 
Lc - At, Mt Cl? Ef Hb Tg
90: Jo
95: Ap 1Pd



Final do Sec. I e início do Sec. II: Gnosticismo, crise interna do cristianismo. Luta para manter tradições e unidade da fé. Escritos: 1,2 e 3Jo; 2Ts; 1 e 2Tm; Ti; Jd e 2Pd.

(*) – Q – Do alemão “Quelle” – que significa FONTE. Acredita-se que quando os discípulos e demais pessoas que conviveram com Jesus começaram a morrer, tomaram-se providências para que Sua Palavra fosse escrita e assim preservada. Este conjunto de escritos com as palavras de Jesus os exegetas chamam de "Q" (fonte com as palavras de Jesus). Estes escritos primitivos NUNCA foram encontrados, porém analisando os evangelhos sinóticos (Mateus, Lucas e Marcos) os exegetas concordam entre si que os evangelistas fizeram uso de fontes antigas. Há nos evangelhos sinóticos claras evidências do uso de FONTES usadas em comum e outras que cada evangelista usou separadamente. A todas estas fontes os exegetas chamam pela forma genérica de "Q".


A FORMAÇÃO DOS EVANGELHOS


Ano 30
30 a 50
50 a 70
70 a 90
Jesus anda pela Palestina anunciando o Reinado ou Império de Deus. Sua fama é grande e reúne muitos discípulos. Crucificado, alguns dias depois os discípulos saem dizendo que ele está vivo.
Vão pela Palestina, Síria e o resto do mundo anunciando Jesus como Messias. Nas pregações lembram palavras e contam fatos da vida de Jesus. As comunidades de discípulos vão tomando cada qual a sua característica própria. Vão tomando forma as narrativas orais. É o período das tradições orais.
As tradições orais são passadas por escrito. Formam-se coleções de narrativas de fatos e coleções de palavras de Jesus. Acentua-se a feição própria de cada comunidade. É o período dos relatos escritos. Após a revolta judaica, no ano 70 (as primeiras comunidades já têm 40 anos!) o centro do judaísmo (Jerusalém c/ o Templo) é destruído pelos romanos.
Escrevem-se os Evangelhos.



O primeiro a escrever é Marcos (67-8). Das coleções de fatos escolhe o que dá mais certo para a visão que quer apresentar. Mostra como a sua comunidade se vê em Jesus, costurando uma narrativa que vai do Batismo de João, até a morte e ressurreição de Jesus.

Pelos anos 80-85 Lucas e Mateus escrevem outros evangelhos. Seguem Marcos de perto, mas fazem suas escolhas e mudanças e ainda usam outros relatos escritos, especialmente coleção de palavras de Jesus (Q), que Marcos não usa e talvez nem tenha conhecido.
Cada um mostra Jesus visto pela fé da sua comunidade. Esses três Evangelhos são chamados Sinóticos, porque, de tão semelhantes, podem ser vistos ao mesmo tempo. Lucas escreveu dois livros que se completam: o Evangelho e os Atos dos Apóstolos. Nos Atos ele trabalha mais a figura da Igreja: a proposta, a organização e a divulgação pelo mundo, de Jerusalém até os confins do mundo, Roma. Da periferia para o centro do Império.
Por volta do ano 90 fica pronto o Evangelho de João. Não segue Marcos. Só vai de João Batista à morte e ressurreição de Jesus. No mais é totalmente diferente. Sua figura de Jesus também está estreitamente ligada à história e à fé da sua comunidade.

Assim, os 4 Evangelhos se parecem mais com RADIOGRAFIAS do que com FOTOGRAFIAS de Jesus. São menos uma JANELA para o ano 30, e mais um ESPELHO dos anos 66 a 90, onde a figura de Jesus reflete o que as comunidades viviam. Ao falar de Jesus, falam das suas comunidades. Os problemas vividos pela comunidade indicaram o lado pelo qual fizeram a radiografia de Jesus. Foram fiéis mais ao significado do que aos fatos mesmos.

- A "purificação do Templo" está em que ocasião da vida pública de Jesus? (Mt 21,12-13; Mc 11,15-19; Lc 19,45-46; Jo 2,13-17)
- A que horas Jesus foi crucificado? Mc 15,25; Mt 27,35.45; Lc 23,33.44; Jo 19,14-16.

Tradição muito antiga atribui os Evangelhos a algum dos Doze ou a discípulos deles. Existem outros "Evangelhos" (de Tomé, de Pedro, etc.) também atribuídos a algum dos Doze e que não foram aceitos na Bíblia. A sabedoria dos nossos irmãos na fé lá dos primeiros séculos é que adotou esses quatro. O fato de fazerem parte da Bíblia, porém, não garante que o Apóstolo ou discípulo dos Apóstolos que lhes dá nome seja mesmo seu autor.